O único manuscrito atribuído a Shakespeare, agora digitalizado

Parte do acervo da Biblioteca Britânica, páginas da peça ‘Sir Thomas More’ estão disponíveis gratuitamente online

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A Biblioteca Britânica digitalizou em 9 de julho o único manuscrito de William Shakespeare que sobreviveu ao tempo. Trata-se de um conjunto de três páginas da peça “Sir Thomas More”, de 1591, que contou com a colaboração de Shakespeare.

A escrita do “Bardo” foi autenticada por meio de comparação da caligrafia do manuscrito com seis assinaturas do dramaturgo presentes em documentos do século 16 e da escolha e organização das palavras.

Ao todo, o manuscrito conta com 64 páginas, escritas pelos dramaturgos Anthony Munday, Henry Chettle, Thomas Heywood e Thomas Dekker, por um escriba profissional não identificado que passou a limpo trechos da peça e pelo próprio Shakespeare.

O acesso à digitalização, feita em alta definição, é gratuito. Os documentos originais estão no acervo da Biblioteca Britânica.

A colaboração em ‘Sir Thomas More’

Anthony Munday e Henry Chettle são considerados os autores originais de “Sir Thomas More”. Não se sabe exatamente em qual ano a dupla começou a escrever a peça, que apresenta ao público cenas protagonizadas por uma versão ficcional do escritor britânico Thomas More, autor do livro “Utopia” (1516).

Munday e Chettle são os autores principais, porém, Thomas Dekker, Thomas Heywood e Shakespeare colaboraram coescrevendo trechos específicos da peça – sem receber os créditos por isso, uma prática comum à época e que foi usada pelo próprio “Bardo” em peças como “Júlio César” (1623) e “Tímon de Atenas” (1674), que contaram com colaborações não creditadas de Thomas Middleton.

A primeira sugestão de que Shakespeare poderia ter escrito parte de “Sir Thomas Moore” veio em 1871, quando Richard Simpson, professor de literatura inglesa na Universidade de Oxford, levantou a hipótese, com base na escolha e organização de palavras de certos trechos da peça, bem como numa similaridade entre a caligrafia presente nas três páginas e as assinaturas existentes do dramaturgo.

Ao longo das décadas, a hipótese ganhou mais força e, embora não seja possível dizer com 100% de certeza que Shakespeare escreveu aquelas três páginas, a afirmação é amplamente aceita pelos historiadores e estudiosos da obra do “Bardo”.

As três páginas são os únicos manuscritos de Shakespeare que sobreviveram ao tempo. Todos os outros que um dia existiram foram perdidos ou destruídos ao longo dos séculos.

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