O movimento de mulheres indígenas para reflorestar o Xingu

Grupo de coletoras atua há uma década reunindo sementes para o plantio de árvores em áreas devastadas

    Em 2019, o trabalho de mulheres do povo indígena Ikpeng para reflorestar áreas desmatadas nas bacias dos rios Xingu e Araguaia, no Mato Grosso, completou uma década.

    O grupo, que leva o nome Movimento das Mulheres Yarang, faz parte da Associação Rede de Sementes do Xingu, organização voltada à comercialização e troca de sementes da região.

    Na língua ikpeng, o termo “yarang” quer dizer saúva, e foi adotado por elas por se tratar de formigas cortadeiras que andam juntas, carregando sementes ou folhas. Ao longo de dez anos, as mulheres coletaram 3,2 toneladas de sementes florestais nativas usadas no plantio de cerca de um milhão de árvores.

    Disponível gratuitamente na plataforma Vimeo, o média-metragem “Yarang Mamin – Movimento das mulheres Yarang” acompanha o cotidiano do grupo e conversa com algumas de suas integrantes. Foi dirigido pelo cineasta indígena Kamatxi Ikpeng, com o apoio das organizações Associação Rede de Sementes do Xingu, Associação Indígena Moygu Comunidade Ikpeng, Instituto Socioambiental e Instituto Catitu.

    As coletoras seguem um calendário que indica as épocas de floração e frutificação das sementes. Foram elas mesmas que desenvolveram as técnicas de coleta, beneficiamento, secagem e armazenamento dessas sementes, por meio de experimentos e trocas de conhecimento entre si.

    “O sol está quente, a mata está acabando onde vivemos e também onde os brancos vivem. Por isso é nosso dever e o deles fazer esse trabalho. O sol está muito quente, os rios estão secando. Antes o tempo não era desse jeito”, afirma uma das mulheres ikpeng ouvidas no documentário.

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