A incidência da covid-19 entre os líderes sul-americanos

Presidentes do Brasil e da Bolívia testam positivo à medida que doença avança em seus países

Até sexta-feira (10), dois presidentes de países sul-americanos tinham testado positivo para a covid-19. Num intervalo de três dias, Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, e Jeanine Añez, presidente interina da Bolívia, anunciaram ter contraído a doença.

O primeiro anúncio foi feito por Bolsonaro, na terça-feira (7). Añez comunicou ter contraído a doença na quinta-feira (9). Além deles, também Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, e braço direito do presidente Nicolás Maduro, também comunicou na quinta que está contaminado pelo vírus.

Os três são as mais altas autoridades sul-americanas afetadas pela pandemia até então – Davi Alcolumbre, presidente do Senado brasileiro, também se contaminou em abril, mas não é tão influente no país quanto Cabello o é na Venezuela. Em outras regiões do mundo, outras autoridades nacionais, como o premiê do Reino Unido, Boris Johnson, também passaram pela mesma situação, conforme a doença avançou em seus continentes.

O continente americano é o novo epicentro da doença no mundo. Entre 31 de dezembro de 2019 e 11 de julho de 2020, mais de 6 milhões de pessoas tinham sido diagnosticadas com a doença na região, das quais mais de 280 mil morreram. Os EUA lideram o número de casos no mundo todo (3,1 milhões), seguidos pelo Brasil (1,8 milhão).

A contaminação do entorno dessas autoridades – assessores diretos e indiretos desses líderes, assim como parlamentares e empresários – é difícil de ser calculada em toda sua extensão. Só no Brasil, até o dia 3 de julho, pelo menos 108 funcionários do Palácio do Planalto tinham sido diagnosticados com a doença, de acordo com a Secretaria-Geral da Presidência da República.

A situação de Bolsonaro

O presidente brasileiro anunciou que estava contaminado na quinta-feira (9). Bolsonaro adotou uma postura temerária diante da pandemia, realizando aglomerações de simpatizantes, interagindo com pessoas sem usar máscara, desencorajando a adoção de medidas de segurança sanitária e promovendo um remédio de eficácia não comprovada como tratamento para o vírus.

Mesmo depois de diagnosticado com a doença, ele tirou a máscara na presença de jornalistas que o entrevistaram. Funcionários de seu entorno imediato não foram colocados em quarentena, como preconizado pela Organização Mundial da Saúde, e o presidente seguiu difundido a versão de que a hidroxicloroquina – remédio com efeitos colaterais importantes – tem efeito positivo imediato, embora haja evidências científicas suficientes que comprovem que isso não é verdade.

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era o número de mortos por covid-19 no Brasil – segundo no ranking mundial, atrás apenas dos EUA – até 11 de julho de 2020

Bolsonaro relatou que teve febre, dores musculares e fadiga. Desde que foi diagnosticado, ele está recolhido no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

A situação de Jeanine Añez

A presidente interina da Bolívia anunciou que estava com a doença na quinta-feira (9). Em vídeo de 46 segundos, postado em sua conta no Twitter, ela disse que permanecerá isolada por 14 dias, quando será então submetida a novo teste.

Añez disse que se sente bem e seguirá trabalhando de maneira remota, assim como Bolsonaro. Três ministros do gabinete de Añez já tinham sido diagnosticados com a doença antes – da Secretaria-Geral Presidência, da Mineração e da Saúde.

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era o número de mortos por covid-19 na Bolívia – sétimo no ranking sul-americano – até 11 de julho de 2020

A presidente boliviana assumiu o governo de seu país de forma interina, após a renúncia de Evo Morales, em novembro de 2019. À época, ela assumiu a presidência da Câmara dos Deputados, depois de parlamentares da mesa diretora, ligados a Evo, também terem abandonado seus postos.

A Bolívia tem eleições presidenciais marcadas para o dia 6 de setembro. Evo, exilado na Bolívia, está proibido de participar. Añez deve se candidatar.

Na Venezuela, Cabello contaminado

Diosdado Cabello não é chefe de Estado, como Bolsonaro e Añez, mas seu papel no governo venezuelano é central. O militar reformado está à frente da Assembleia Nacional Constituinte desde 2018 e é tido como braço direito de Maduro.

A Assembleia Nacional Constituinte é um organismo parlamentar de maioria governista, instituído depois de o governo Maduro ter declarado ilegal a Assembleia Nacional – órgão parlamentar unicameral (que reúne Senado e Câmara), de maioria opositora.

Numa mensagem curta, Cabello anunciou pelo Twitter que havia testado positivo e seguiria o tratamento indicado. A Venezuela tinha mais de 8 mil casos confirmados e 80 mortes por covid-19, até sábado (11). O número é baixo quando comparado ao de países vizinhos, e há suspeita de subnotificação.

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