Quais os desafios da presidência alemã da União Europeia

Merkel assume liderança rotativa no meio de uma pandemia e de um retrocesso econômico acompanhados pelo desligamento britânico do bloco

    O governo da chanceler alemã Angela Merkel assumiu no dia 1º de julho a presidência do Conselho da União Europeia. O mandato é rotativo e dura seis meses, até 31 de dezembro. A formalização deve ser feita em cerimônia nos dias 17 e 18 de julho, em Bruxelas, na Bélgica.

    O Conselho Europeu exerce o comando político da União Europeia e é formado pelos chefes de Estado ou de governo dos 27 países que a integram. É ele quem representa o grupo nas relações com outros Estados e define as prioridades estratégicas no interior da comunidade.

    O período da gestão alemã é considerado um dos mais desafiadores para o futuro do bloco por causa da pandemia da covid-19 e das perdas econômicas decorrentes da crise, com previsões de perda e encolhimento nos próximos anos, seguidas de pressão social sobre os governos de turno.

    Além dos desafios impostos pela pandemia, o bloco enfrenta ainda o desligamento do Reino Unido, membro fundador da União Europeia e uma das maiores economias da Europa.

    Para completar, os chefes de governo dos 27 países-membros têm de tomar as decisões à distância na maioria das vezes. As reuniões pessoais, em Bruxelas, na Bélgica, vêm sendo evitadas a todo custo, para reduzir a chance de transmissão do vírus que, até quarta-feira (8), tinha provocado a morte de 195 mil pessoas.

    As palavras de Merkel

    “Em uma situação extraordinária, precisamos de soluções especiais para que a Europa possa sair mais forte dessa crise extraordinária”, disse a chanceler alemã no lançamento de seu mandato.

    O governo alemão divulgou um documento de 28 páginas, nos idiomas oficiais da União Europeia, que inclui o português. Nesse relatório, são detalhados os principais desafios e as medidas que Merkel pretende implementar em resposta a eles.

    O lema do mandato alemão já adianta o espírito que deve marcar o semestre: “juntos pela recuperação da Europa”. Merkel adverte que qualquer programa eficaz de recuperação deve ter um horizonte muito mais longo que os seis meses de seu mandato pro tempore.

    “A Europa só pode ser forte se as pessoas tiverem boas perspectivas de futuro, se elas conseguirem ver o quanto a Europa é importante para elas pessoalmente e se elas se comprometerem com uma ideia europeia”, disse Merkel em discurso entregue por escrito aos demais membros e à imprensa.

    Lista de grandes desafios

    Entre os desafios listados, o primeiro e mais urgente é garantir que a pandemia mantenha o viés de baixa no continente após a passagem da primeira onda e o desconfinamento progressivo, ainda em curso, de maneira paulatina.

    Até quarta-feira (8), a Europa tinha mais de 2,5 milhões de pessoas diagnosticadas com a covid-19, atrás apenas dos números da Ásia e das Américas. As fronteiras internas foram reabertas no início de julho, mas o trânsito de cidadãos alheios à comunidade ainda está sujeito a restrições. Brasileiros e americanos, por exemplo, estão proibidos de entrar no território do bloco.

    Além da questão sanitária, a pandemia trouxe também perdas econômicas e desemprego, com projeções negativas para todas as grandes economias europeias do bloco.

    Nesse sentido, a Alemanha – tida como o membro parceiro mais austero e intransigente do bloco – tem dado sinais de disposição para relaxar normas fiscais, em nome de favorecer a ajuda a parceiros economicamente mais fracos e debilitados pela crise, como a Itália e a Espanha, ambos duramente atingidos pela pandemia.

    O passo mais significativo até aqui foi o de mutualizar as dívidas – ou seja, tratar os débitos dos países economicamente mais vulneráveis como débitos comuns do bloco todo, não como débitos individuais de cada um dos países.

    R$ 4,4 trilhões

    é o equivalente em reais do pacote europeu de recuperação econômica em resposta às perdas causadas pela pandemia

    As pendências do Brexit

    Além dos desafios ligados às crises sanitárias, econômica e social trazidas pela pandemia, o bloco precisará retomar as negociações com os britânicos, que ficaram paralisadas pela emergência dessa nova realidade.

    O Reino Unido formalizou seu desligamento em 31 de janeiro e tem até 31 de dezembro para fixar as regras que devem gerir essa nova fase da relação, mais distante e menos cooperativa.

    É possível que haja um acordo para a fixação de regras comerciais diferenciadas para os britânicos. Se isso não ocorrer, a relação seguirá a cartilha tradicional da OMC (Organização Mundial do Comércio), sem qualquer vantagem particular aos ex-membros sócios.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: