Este vídeo reúne filmes recuperados do fundo do mar

Curta-documentário ‘Sunken Films’, do diretor americano Bill Morrison, mostra obras resgatadas de naufrágios

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Quando lançado, em 1907, o navio de passageiros britânico RMS Lusitania era considerado um dos mais luxuosos da época, e contava até com uma sala de cinema. Em maio de 1915, durante uma viagem de Nova York a Liverpool em meio à Primeira Guerra Mundial, barcos alemães afundaram com torpedos o Lusitania e todos os filmes que estavam a bordo.

São algumas dessas obras que o cineasta americano Bill Morrison reúne em “Sunken Films” (Filmes afundados, em tradução do inglês), curta-documentário publicado em junho no seu canal na plataforma Vimeo. Ao longo de 10 minutos, o vídeo conta como e em que condições os filmes foram encontrados, intercalando cenas das obras antigas, recortes de jornais e imagens de arquivo sobre os naufrágios.

O documentário detalha a história de três filmes resgatados. Ele está disponível apenas em inglês, mas não há falas ou narração. Tudo é indicado por letreiros que aparecem na tela.

Os filmes afundados

Um dos filmes recuperados do Lusitania nas décadas seguintes ao naufrágio do navio é “The Carpet from Bagdad” (O tapete de Bagdá), de 1915. Na trama, um criminoso rouba e vende o tapete de um mosteiro na capital do Iraque. Dirigido pelo americano Colin Campbell, o filme mudo foi um sucesso de crítica na época.

Foto: Reprodução
Em preto e branco, cena meio embaçada e com ruídos da película tem Lênin no centro do quadro sentado fazendo carinho no gato
Lênin afagando seu gato em 1919. Imagens foram compiladas em filme de 1958

Os elogios se referiam especialmente às cenas de deserto e pôr do sol, coloridos por meio de um processo de tingimento manual da película. Até ser resgatado dos destroços do navio em 1982, o filme era tido por perdido. Desde então, o Instituto de Cinema Britânico preserva a cópia que, mesmo restaurada, não se encontra em condições para ser projetada.

Outro filme recuperado do Lusitania é “Ireland a Nation” (Irlanda, uma nação), de 1914, disponível online. A obra muda fez sucesso em cidades americanas, e faria a estreia em território irlandês não tivesse afundado.

O documentário “Sunken films” também destaca o título de um outro naufrágio, “Zhivoy Lenin” (do russo, Lênin está vivo), de 1958. Nele, o líder da Revolução Russa aparece em imagens gravadas em 1919, falando em comícios e afagando seu gato sentado.

O diretor e os filmes perdidos

Nascido em 1965 em Chicago, nos EUA, Bill Morrison é conhecido por documentários que resgatam obras das primeiras décadas do cinema até então perdidas. Seu trabalho se assemelha ao de um historiador e suas obras costumam contar como os filmes sobreviveram até os dias atuais.

Um de seus documentários é “Dawson City: Tempo congelado” (2016), em que Morrison conta a história de Dawson City, uma cidade no noroeste do Canadá marcada pela mineração de ouro no final do século 19 e começo do 20. Em 1978, quando a cidade já estava abandonada, centenas de filmes mudos foram encontrados enterrados debaixo do gelo.

Muitos dos filmes resgatados por Morrison sofrem os efeitos de terem passado muitos anos sob condições extremas, o que dá um tom experimental aos documentários. Por exemplo, em “Light is Calling” (A luz chama), de 2004, Morrison brinca com imagens meio visíveis, meio deterioradas de um filme de 1926. O curta está disponível online.

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