O legado de Ennio Morricone: faroeste, drama, terror e comédia

Compositor italiano morreu aos 91 anos, deixando uma marca indelével na paisagem sonora da cultura pop

    Temas

    O compositor italiano Ennio Morricone morreu na madrugada desta segunda-feira (6), aos 91 anos de idade. Ele estava hospitalizado havia alguns dias devido a uma fratura no fêmur causada por uma queda. O advogado Giorgio Assuma, amigo da família, afirmou que o músico estava lúcido e que “demonstrou grande dignidade até o momento final”.

    O advogado também divulgou um obituário que o compositor escreveu para si mesmo. “Ennio Morricone está morto”, diz a frase inicial do texto. “Anuncio assim a todos os amigos que estiveram próximos e aqueles um pouco distantes, a quem saúdo com grande afeto. Não quero dar trabalho”, afirmou o músico no texto.

    “Espero que saibam o quanto os amei. Por último, Maria (mas não a última). A ela, renovo o amor extraordinário que nos manteve juntos e o qual lamento abandonar. A ela, o meu mais doloroso adeus”, conclui, referindo-se à esposa, Maria Travia, com quem esteve casado desde 1956.

    Quem foi Ennio Morricone

    Conhecido por ter composto a trilha sonora de filmes como “Três homens em conflito” (1966), “Era uma vez no oeste” (1969) e “Era uma vez na América” (1984), Morricone nasceu em Roma no ano de 1928.

    Aprendeu a tocar diversos instrumentos desde criança, já que seu pai, Mario, era músico multi-instrumentista. Ingressou na Academia Nacional de Santa Cecília, um dos maiores e mais antigos conservatórios do mundo, aos 12 anos, no curso avançado de trompete.

    O curso tinha previsão para ser concluído em quatro anos. Mas o talento de Morricone permitiu que o processo todo fosse feito em apenas seis meses. Nos anos subsequentes, lidou com outras áreas da música, como a composição e o canto lírico. Deixou o conservatório em 1954, tendo se destacado com um dos melhores alunos de sua geração.

    Morricone começou a trabalhar com a composição de trilhas sonoras no final da década de 1950, criando músicas usadas nos programas da RAI, a TV pública italiana.

    Estreou sua carreira no cinema em 1961, compondo as músicas de “O fascista”, filme de Luciano Salce ambientado na Itália fascista da Segunda Guerra Mundial. Os dois trabalharam juntos em outros seis projetos.

    Três anos depois, Morricone deu início a sua parceria mais icônica, trabalhando ao lado do cineasta Sergio Leone (1929-1989) em seus filmes de faroeste.

    O primeiro trabalho da dupla foi no longa “Por um punhado de dólares” (1964), que inicia a chamada “Trilogia dos dólares” e que catapultou o ator Clint Eastwood ao estrelato.

    O compositor trabalhou ao lado de Leone em mais cinco produções: “Por uns dólares a mais” (1965), “Três homens em conflito” (1966) e “Era uma vez no oeste” (1969), “Quando explode a vingança” (1971) e “Era uma vez na América” (1984).

    O tema de “Três homens em conflito” é tão marcante que se tornou uma espécie de sinônimo sonoro das histórias ambientadas no velho oeste.

    Em 2007, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA concedeu a Morricone um Oscar honorário. Na competição regular, o músico foi indicado em seis ocasiões, vencendo apenas uma, em 2016, pela trilha sonora de “Os oito odiados”, lançado por Quentin Tarantino no ano anterior.

    8 músicas para conhecer Morricone

    Em 2018, quando o músico completou 90 anos, o Nexo preparou uma playlist com oito composições icônicas de Morricone para o cinema. Você pode escutá-la abaixo.

    Morricone para além do faroeste

    Apesar de ter se tornado icônico por sua produção de trilhas sonoras de filmes de faroeste, Ennio Morricone teve uma carreira ampla em diversos outros gêneros.

    Morricone teve uma carreira longeva no terror. Ele compôs as músicas de longas como “Gli occhi freddi della paura” (1971), “Una lucertola con la pelle di donna” (1971), “O Exorcista 2 - O herege” (1977) e “O enigma de outro mundo” (1982).

    Na comédia, foi responsável pela trilha sonora de filmes como “A gaiola das loucas” (1978), “Il Ladrone” (1980) e “Ata-me” (1990).

    Nos dramas, Morricone se envolveu com projetos como “Era uma vez na América” (1984), “Cinema Paradiso” (1988), “Adeus, Moscou” (1987) e “Lolita” (1997).

    Ennio Morricone também trabalhou com artistas pop, em parcerias com nomes como Pet Shop Boys, Gianni Morandi, Paul Anka e Laura Pausini.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: