3 boatos verificados na semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 28 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação

    As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

    Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que teve início em 2018, está agora em sua terceira fase e conta com a colaboração 28 veículos de comunicação para monitorar e verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal, as eleições municipais de 2020 e a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Combinação de imagens que atribui evolução de obras públicas ao governo Bolsonaro é falsa

    Após o presidente Jair Bolsonaro inaugurar um trecho da transposição do rio São Francisco, iniciada em 2007, uma combinação de imagens que atribuem a evolução de três obras públicas ao atual governo viralizou nas redes sociais. As imagens são de datas anteriores ao início do mandato de Bolsonaro e comparam locais diferentes.

    A publicação engana o leitor ao atribuir a execução e a conclusão das obras ao atual governo, causando a falsa impressão de uma maior eficiência de Bolsonaro na gestão de obras públicas quando em comparação aos seus antecessores.

    Utilizando ferramentas de busca reversa, o Comprova encontrou os registros mais antigos das imagens na internet, o que possibilitou o contato com seus responsáveis e a checagem de informações sobre o local e a data em que as fotografias foram feitas. Para apurar a evolução e a situação atual das obras a que se referem as imagens, foram consultados portais do governo e reportagens que tratam do assunto.

    Com esses dados foi possível verificar que a rodovia asfaltada a que se refere a publicação não é a mesma que aparece em outra imagem com veículos atolados na lama, que a ferrovia fotografada encontra-se na Europa e que o trecho das obras de transposição do rio São Francisco foi inaugurado no ano de 2015.

    Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova a combinação de imagens somava mais de 13 mil compartilhamentos no Facebook, Instagram e Twitter.

    A verificação foi realizada por O Estado de S. Paulo e AFP, e foi validada por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

    É falso que prefeitura de São Paulo comprou 38 mil urnas funerárias sem licitação

    Um vídeo publicado em uma página no Facebook acompanhado de um texto que afirma que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), teria previsto milhares de mortes pela covid-19 e comprado 38 mil caixões sem licitação para enterrar o povo viralizou nesta semana. A publicação possui um tom de ironia e afirma que “a previsão do prefeito deu errado”, indicando que Covas estaria superestimando a gravidade da doença.

    A partir de dados do Plano de Contingenciamento Funerário da Prefeitura de São Paulo, do Serviço Funerário Municipal e das publicações no Diário Oficial da Cidade, verificou-se que o município adquiriu um número inferior de urnas funerárias por meio de pregão eletrônico e que esta quantidade já estava prevista desde antes do início da pandemia.

    Esses dados mostraram que a prefeitura fechou quatro contratos para a aquisição de 37.109 urnas funerárias através da modalidade de pregão chamada “menor preço mensal estimado por lote”. O procedimento para a contratação teve início em 13 de dezembro de 2019 e as empresas vencedoras foram convocadas em 22 de janeiro deste ano. Os contratos previam que a entrega das urnas deveria ocorrer de abril a outubro de 2020.

    Com o início da pandemia do novo coronavírus a prefeitura anunciou o Plano de Contingenciamento Funerário para garantir o funcionamento adequado do serviço funerário na capital, que determinou a antecipação da entrega das urnas sem que houvesse um acréscimo na quantidade contratada.

    Até a data de publicação desta verificação no site do Comprova a combinação de imagens somava mais de 426 mil visualizações, 18 mil compartilhamentos e 3,3 mil interações no Facebook.

    A verificação foi realizada por Uol e O Estado de S. Paulo, e validada pelo Nexo e por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

    Vídeo mostra queima controlada pelo Ibama, não incêndio provocado para culpar Bolsonaro

    Um vídeo que acusa o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de promover um incêndio no Maranhão com o intuito de atribuí-lo ao presidente Jair Bolsonaro viralizou nas últimas semanas antes de ser apagado por seu autor. O vídeo, gravado de dentro de um carro em movimento, mostra um veículo com funcionários do Ibama queimando a mata da beira da estrada. No áudio da gravação um homem insinua que o incêndio estaria sendo provocado pelo órgão para poder derrubar o atual governo.

    O Ibama informou que a ação no Maranhão de fato ocorreu mas que se tratou de um procedimento chamado queima controlada, previsto no Código Florestal. O procedimento é utilizado durante o período chuvoso e no início do período de secas em locais com maior risco de ignição de fogo, tendo por objetivo diminuir o risco de ocorrência de incêndios florestais de grandes proporções.

    O órgão esclareceu que boa parte dos incêndios florestais tem início nas beiras de rodovias, sendo a realização de queimas controladas nesses locais prioritárias para o seu combate. E, também, que ação retratada no vídeo foi informada às autoridades competentes e acompanhada pela Polícia Militar, pela Funai (Fundação Nacional do Índio) e por 11 voluntários indígenas da Aldeia São José da terra indígena Krikati.

    No relatório da operação, em que são descritos os detalhes da ação, há a informação de que não houve nenhum dano significativo à fauna, apenas benefícios à flora da região.

    Antes de ser apagado, o vídeo somava 119 mil visualizações no Facebook.

    A verificação foi realizada por rádio Band News FM e Folha de S.Paulo, e validada pelo Nexo e por outros veículos. Veja a verificação na íntegra.

    Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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