O que é o 5G da Claro. E por que ele não passa pelo leilão

Enquanto governo prepara venda de frequências para 2021, operadora anuncia chegada da nova geração de rede móvel no Brasil por meio de parceria

A empresa de telefonia Claro anunciou na quinta-feira (2) que vai fazer um pré-lançamento da tecnologia 5G no Brasil.

O 5G é a quinta geração de redes móveis, e permite conexões mais rápidas e estáveis para usuários de smartphones, tablets e outros dispositivos eletrônicos.

Ele opera com velocidade até 20 vezes maior do que o restante dos sinais, o que permite a circulação mais rápida de informações e a melhor qualidade de compartilhamento de conteúdo multimídia. A nova tecnologia também possibilita uma maior integração entre máquinas inteligentes como carros, televisões, celulares e até casas.

A implantação da rede pode significar, em especial, um avanço para os carros autônomos. A maior estabilidade de conexão e a alta velocidade de circulação de informações permitirá um tempo mais curto de reação dos veículos, o que é essencial no trânsito.

O 5G já opera em países como Coreia do Sul e Estados Unidos. Na América Latina, ele ainda está em fase de testes. A única exceção é o Uruguai, onde opera desde abril de 2019. A conexão uruguaia é fornecida por meio de uma parceria entre a Antel, operadora estatal, e a Nokia, fabricante finlandesa de equipamentos eletrônicos.

No Brasil, a Claro não anunciou uma data certa para o início da operação, limitando-se a dizer que novidades serão reveladas “nas próximas semanas”.

Como a Claro vai operar o 5G

As redes móveis funcionam a partir de ondas de rádio, que são administradas pelo governo federal por meio da Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações.

Para a operação plena do 5G, as empresas vão precisar de frequências específicas, que serão leiloadas pela Anatel.

O leilão das frequências estava previsto para acontecer no segundo semestre de 2020 mas, em maio, o presidente da agência, Leonardo Euler de Morais, afirmou que a venda deve ficar para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus.

Para poder operar o 5G antes do leilão, a Claro firmou uma parceria com a Motorola e a Ericsson para utilizar a tecnologia DSS (Dynamic Spectrum Sharing – ou, Compartilhamento Dinâmico de Espectro).

Essa tecnologia permite que diferentes tipos de redes móveis sejam operadas numa mesma frequência – dispensando, então, a necessidade da Claro aguardar o leilão, e sem acarretar perda de velocidade ou estabilidade para nenhuma das conexões.

Para ilustrar, o sistema DSS é como uma estrada com faixas que permitem diferentes velocidades, mas que ainda integram uma mesma rodovia.

Não é a primeira vez que a Claro traz novas gerações de redes móveis antes da finalização das burocracias relativas às frequências.

Em novembro de 2007, a operadora começou a oferecer o 3G para seus clientes. O leilão das frequências ocorreu um mês depois, e a implementação plena só teve início no ano seguinte.

O mesmo ocorreu com o 4G. A Claro começou a disponibilizar a quarta geração para seus clientes em 2012, fazendo um teste inicial em três cidades.

Um ano depois, a tecnologia já estava presente nas 11 cidades que sediaram a Copa das Confederações e que sediariam a Copa do Mundo em 2014. O leilão das frequências do 4G aconteceu em setembro de 2014.

Nos casos do 3G e do 4G, a Claro fez a oferta a partir de frequências que já estavam regulamentadas e operando plenamente.

Mesmo com a disponibilização do 5G da Claro, ainda sem data para acontecer, nem todo aparelho vai poder usufruir da rede mais rápida imediatamente. É necessário que o equipamento tenha suporte ao 5G e à tecnologia DSS.

Atualmente, o único modelo de celular disponível no Brasil que se encaixa nos requisitos é o Motorola Edge, anunciado também nesta quinta-feira (2) ao preço sugerido de R$ 5.499.

A expectativa é de que novos modelos compatíveis sejam anunciados ainda em 2020.

O que se sabe sobre o leilão da Anatel

A introdução de uma rede de 5G exige investimentos altos em infraestrutura. No Brasil, o governo determinou que esses empreendimentos serão conduzidos pela iniciativa privada, como já ocorre no mercado de telefonia e dados móveis.

As empresas interessadas em oferecer o serviço poderão comprar, em um leilão, o direito a operar a rede de quinta geração.

As participantes deverão ser operadoras de telecomunicações – como Claro, Oi, TIM, Vivo e Algar – , que irão firmar parcerias com as fabricantes de equipamentos – como a Huawei, a Nokia e a Ericsson – para erguer e suprir a infraestrutura necessária para fornecer o serviço de 5G.

Na prática, o leilão terá como objeto blocos de radiofrequência, que são as faixas de ondas eletromagnéticas usadas para realizar ligações, propagar sinais de rádio, entre outros serviços. Assim, as empresas que fizerem ofertas poderão arrematar o direito a operar em determinadas frequências, que serão usadas para propagar a conexão de quinta geração.

A ideia é leiloar as mesmas frequências que são usadas para o 5G no exterior. No entanto, uma das faixas que irá ao pregão – a de 3,5 gigahertz, utilizada normalmente para recepção em smartphones – já é usada no Brasil para fazer o sinal de canais abertos de televisão chegar a antenas parabólicas.

Testes conduzidos pela Anatel confirmaram que o sinal de internet móvel de quinta geração nessa frequência pode interferir com a recepção de antenas em 22 milhões de domicílios pelo país.

Para contornar o problema, o Ministério da Ciência – que comandava a Anatel até junho, quando o presidente Jair Bolsonaro recriou o Ministério das Comunicações – publicou uma portaria em janeiro de 2020 com uma proposta para evitar a interferência.

O texto determina que será das operadoras a responsabilidade de arcar com os custos para encontrar uma solução que diminua ou impeça os problemas com as parabólicas.

Duas possíveis soluções estão no horizonte. Uma delas envolve a instalação de filtros nas antenas que diminuam o ruído. A proposta não soluciona o problema por completo, mas reduz seus efeitos em áreas mais vulneráveis.

A outra ideia envolve migrar todo o sinal das parabólicas para uma nova frequência, resolvendo o problema de maneira definitiva. Essa solução, porém, é muito mais cara, já que necessitaria da substituição de milhares de aparelhos.

Ainda não se sabe qual será a solução adotada pelas operadoras que comprarem as frequências do 5G.

Segundo os moldes previstos pela Anatel, a intenção é colocar à disposição quatro faixas diferentes de frequência, que serão divididas em 14 regiões. Assim, uma empresa poderá fazer um lance por uma determinada faixa em certa região. Por exemplo: a Claro poderá fazer um lance pela frequência 2,3 gigahertz em uma região específica do Brasil.

Quem vencer o leilão terá de cumprir certas obrigações, que estarão especificadas no edital. Portanto, além de desembolsar uma quantia para arrematar o direito de servir a conexão de dados móveis, as empresas terão de obedecer exigências e cumprir com investimentos determinados pelo governo, ainda não divulgados. Esse tipo de compromisso ocorre também em contratos de outros serviços de telecomunicação, como a rede de dados móveis por 4G.

A Anatel também defende que seja reservada parte do espectro de frequências para disputa exclusiva de prestadoras de pequeno porte, as chamadas PPPs. A proposta desagrada as empresas grandes do setor, que argumentam que as menores não terão condições de arcar com os investimentos e obrigações previstas. Já as empresas de pequeno porte afirmam que sua participação no mercado do 5G será necessária para levar rapidamente o sinal ao interior do país.

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