Como um ciclone bomba se forma. E qual foi seu impacto no Sul

Rajadas de vento chegaram a mais de 100 km/h, e pelo menos dez pessoas morreram na região

Dez pessoas morreram na região Sul do país em decorrência de fortes ventos causados por um ciclone bomba. Até quarta-feira (1º), uma pessoa ainda estava desaparecida no estado de Santa Catarina.

Na terça-feira (30), ventos de mais de 100 km/h foram registrados na região, acompanhados de chuva intensa e raios.

Em Santa Catarina, cerca de 1,5 milhão de residências ficaram sem energia elétrica. De acordo com o governo do estado, a previsão é de normalização até o final desta quarta-feira (1º).

Imagens feitas na cidade catarinense de Balneário Camboriú mostram a força das rajadas de terça.

No Rio Grande do Sul, 800 residências foram afetadas pela passagem do ciclone bomba, segundo dados divulgados pelo governo estadual. Queda de luz, destelhamento e danos às edificações foram registrados em 19 municípios.

Em Curitiba, capital do Paraná, houve 513 ocorrências de quedas de árvores em decorrência dos ventos, que atingiram 97 km/h. Por todo o estado, 525 mil residências ficaram sem energia elétrica até a manhã de quarta-feira (1º).

Os efeitos do ciclone foram sentidos até no litoral paulista. Duas lanchas e sete barcos afundaram na cidade de Peruíbe na noite de terça-feira (30). Uma onda forte arrebentou as cordas que prendiam as embarcações, jogando-as em direção a uma ponte e destruindo os cascos. Ninguém ficou ferido.

Em decorrência do ciclone bomba, nesta quarta-feira (1º), o Instituto Nacional de Meteorologia colocou alertas de chuvas, vendavais e queda de temperaturas em uma faixa que abrange toda a região Sul e chega até parte dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O que é um ciclone bomba. E como ele se forma

O ciclone bomba é um tipo específico de ciclone extratropical.

Na América do Sul, os ciclones extratropicais costumam ter origem no litoral da Argentina e do Uruguai, deslocando-se pelo oceano em direção à costa do Brasil.

Ciclones extratropicais são fenômenos de baixa pressão atmosférica que se formam em regiões onde há massas de ar de diferentes temperaturas, umidades, velocidades e sentidos de rotação.

Um ciclone extratropical pode se formar tanto no continente como no oceano. Ele é marcado por nuvens densas, instáveis, e que possuem um movimento circular no sentido horário, causando agitação no mar, ventos fortes e chuvas, formando, posteriormente, as frentes frias.

De forma geral, o fenômeno é comum: um estudo de 2008 realizado pela Sociedade Americana de Meteorologia apontou que, num período de seis horas, há uma média de 37 ciclones extratropicais em existência apenas no Hemisfério Sul.

Um ciclone bomba é um ciclone extratropical caracterizado por uma queda de 24 hectopascais – unidade de medida de pressão atmosférica – num período de 24 horas, o que proporciona mais instabilidade, mais ventos e mais chuvas que podem pôr em risco especialmente a população de cidades litorâneas, que se encontram mais próximas do fenômeno.

Diferentemente dos ciclones extratropicais padrão, os ciclones bomba são raros.

Os alertas meteorológicos

O Instituto Nacional de Meteorologia oferece uma plataforma gratuita para que a população possa monitorar fenômenos meteorológicos no Brasil, o Alert-AS.

No site, o usuário pode ver os alertas em cada um dos estados do país, bem como sua descrição.

O sistema de alertas se divide em quatro cores:

  • Verde: não representa nenhum perigo
  • Amarelo: representa perigo em potencial
  • Laranja: representa perigo
  • Vermelho: representa grande perigo

Horas antes da passagem dos vendavais na terça-feira (30), o instituto emitiu um alerta laranja para a região Sul. Nesta quarta-feira (1º), a faixa de risco que vai do Rio Grande do Sul até São Paulo e Mato Grosso do Sul está na mesma categoria.

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