A nova versão de Perry Mason. E a história do personagem

Advogado popular da literatura policial ganhou adaptações para o rádio e o cinema no século 20. Notório defensor dos inocentes, ele vira um detetive desconfiado atrás de criminosos

    Temas

    Criado na década de 1930 pelo escritor Erle Stanley Gardner, o personagem Perry Mason ganhou uma nova versão em 2020. Ele protagoniza uma série da HBO, que leva seu nome e começou a ser exibida em 21 de junho.

    Nos livros, Mason era um advogado criminal que defendia clientes acusados injustamente de assassinato. No novo programa, o personagem trabalha como detetive particular.

    A produção da série é feita pela Team Downey, empresa fundada e administrada pelo ator Robert Downey Jr. (“Homem de ferro”). Matthew Rhys (“The Americans”) vive o protagonista.

    O elenco também conta com John Lithgow (“Dexter”) e Tatiana Maslany (“Orphan Black”). Novos episódios são exibidos na TV aos domingos, 22h, até o dia 9 de agosto – os capítulos são disponibilizados simultaneamente no serviço de streaming HBO Go.

    A trama da primeira temporada traz Mason investigando o sinistro assassinato de um bebê. Ao mesmo tempo, o detetive enfrenta o próprio passado.

    Os primeiros episódios da série tiveram boa recepção da crítica. Os pontos mais elogiados têm sido o roteiro e a ambientação, que recria a Los Angeles dos anos 1930.

    A origem do personagem

    O personagem estreou em “O caso das garras de veludo”, lançado por Gardner em 1933. O nome do advogado foi inspirado no nome da editora que publicava as revistas favoritas da infância do autor, a Perry Mason Company.

    Mason é descrito como um advogado determinado, com amplo conhecimento sobre investigações, sempre pronto para salvar seus clientes.

    A caracterização é baseada na vida do próprio autor, que, antes de se dedicar em tempo integral à literatura, atuava como advogado criminal na Califórnia – com um interesse especial em casos nos quais havia indícios de que o réu era inocente.

    Entre um caso e outro, Gardner escrevia histórias policiais para a publicação em revistas pulp, extremamente populares à época, sob pseudônimos como A.A. Fair e Charles M. Green. A carreira de advogado foi abandonada depois de seu livro de estreia.

    Ao todo, Gardner escreveu 86 livros estrelando o personagem – cinco deles publicados postumamente, após a morte do autor em 1970.

    As adaptações para outras mídias

    Desde sua criação, o advogado Perry Mason conseguiu sucesso em outras mídias.

    Um ano após a publicação de “O caso das garras de veludo”, a Warner Bros produziu o primeiro filme focado no personagem: “The Case of the Howling Dog” (ou o “O caso do cão uivante”, numa tradução livre), com Warren William (“Cleópatra”) interpretando o protagonista.

    O longa foi um sucesso e rendeu uma pequena franquia. Entre 1935 e 1937, o estúdio produziu outros cinco filmes da série.

    Em 1943, a rádio CBS lançou o áudio drama “Perry Mason”, uma adaptação das obras de Gardner que ia ao ar diariamente, com episódios de 15 minutos. O programa durou até 1955 e, no período, quatro atores interpretaram o advogado: Bartlett Robinson (“Um estranho em meus braços”), Santos Ortega (“Crowded Paradise”), Donald Briggs (“Dreaming Out Loud”) e John Larkin (“12 O’Clock High”).

    A adaptação de maior sucesso veio em 1957, quando o canal de TV CBS lançou a série “Perry Mason”, com Raymond Burr (“Godzilla”) interpretando o advogado. O programa teve 271 episódios e ficou no ar até 1966.

    Até na música o advogado ganhou uma espécie de adaptação: Perry Mason, de Ozzy Osbourne, na voz de um narrador clamando pela ajuda do advogado numa história policial.

    O Perry Mason de 2020

    O Perry Mason de 2020 é um personagem bem diferente daquele do século 20.

    Na série da HBO, o ator Matthew Rhys apresenta um Mason atormentado, sisudo e desconfiado da integridade dos outros – ao contrário do original, um paladino dos inocentes. “Todo mundo tem algo a esconder. E todos são culpados”, diz o personagem em uma cena do primeiro episódio.

    Para Rhys, a possibilidade de interpretar um Mason diferente foi atraente. “Numa reunião com os produtores e os roteiristas, eu percebi rapidamente que não se tratava de um remake. É uma nova visão, que redefine Perry Mason de um jeito muito interessante”, afirmou em entrevista ao site Collider.

    Segundo o astro, dado que o detetive/advogado estava afastado das telas há algumas décadas, havia a possibilidade de se criar um personagem quase inédito.

    “Várias gerações não sabem quem Perry Mason é, e que vão conhecer ele agora. Me sinto lisonjeado. Ele não é um personagem muito reconhecível dentro do zeitgeist da sociedade a ponto das pessoas dizerem que não se pode criar uma nova versão. Já passou tempo suficiente”, disse.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: