O ranking de países que podem se adaptar melhor ao home office

Estudo de economistas americanos mostra enormes diferenças entre países com relação à parcela de atividades que podem ser realizadas em casa. No Brasil, só 25% das ocupações entra nessa categoria

    De cada quatro trabalhos no Brasil, só um pode ser realizado em casa. A informação faz parte de um estudo, publicado nos Estados Unidos em abril de 2020 e já revisado, que procurou mensurar a quantidade de ocupações que podem ser realizadas remotamente.

    Segundo a pesquisa, o índice de 25% de trabalhos que podem ser realizados inteiramente em casa coloca o país ao lado de lugares como México e Turquia. Nos Estados Unidos esse número é de 37%, enquanto na Suécia e no Reino Unido chega a 40%.

    POTENCIAL DE HOME office

    mais home office

    Ao olhar para dados de 85 países, o estudo constatou que o desenvolvimento do país é relevante nessa adaptação. Quanto mais desenvolvido o país, mais adaptável ele é ao home office. O Brasil fica na 45ª posição.

    De acordo com os autores do estudo, dois economistas da Universidade de Chicago, os dados podem ajudar governos a desenhar políticas públicas de auxílio financeiro a quem precisa sair para trabalhar. Podem ainda ajudar a prever o desempenho da economia dos países durante períodos de distanciamento social na pandemia do novo coronavírus.

    Como foi feita a pesquisa

    Para chegar aos dados, os pesquisadores criaram uma classificação da viabilidade de realização em casa de quase mil ocupações. Essa medição foi feita a partir de parâmetros contidos em duas pesquisas realizadas pelo Departamento do Trabalho dos EUA.

    Os levantamentos contêm perguntas a trabalhadores sobre tipos de tarefas e situações do trabalho, como a importância de se relacionar com clientes ou o público, ou se as atividades envolvem controlar máquinas e processos industriais.

    Para categorizar um trabalho como sendo difícil de ser realizado em casa os pesquisadores levaram em conta fatores como a frequência do uso de email, o manuseio e movimentação de objetos, a operação de veículos e o trabalho em área externa, por exemplo. O levantamento apresenta uma lista de 22 áreas de atividade, ranqueadas de acordo com a possibilidade de adaptação ao home office.

    No topo da lista, como a área com maior proporção de atividades que permitem trabalho remoto, estão “ocupações ligadas a computação e matemática”, seguida de “ocupações de educação, treinamento e biblioteca” e “ocupações da área legal”.

    Na outra ponta, com baixo índice de ocupações que podem ser transferidas para o ambiente doméstico, estão “limpeza e manutenção predial”, depois “preparação de comida e atendimento ao público” e “extração e construção civil”.

    A realidade brasileira

    Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017 indicavam que, no Brasil, dos três grupamentos de atividades que mais empregam pessoas no país, dois são compostos de ocupações que demandam a presença do trabalhador fora de casa.

    Em primeiro lugar na lista, respondendo por 19,2% das pessoas ocupadas do país, está “comércio, reparação de veículos automotores e motocicleta”. Em terceiro, está “indústria geral”.

    No país, o isolamento social, exigido para evitar a disseminação das contaminações durante a pandemia, prejudicou grande quantidade de pessoas que não têm condições de trabalhar em casa ou de ficar sem trabalhar na rua.

    A favela não está em home office. Há porteiros, cozinheiros, que saem para trabalhar. E, de uma forma geral, o número de contaminados e mortos [pela covid-19] vem aumentando”, afirmou José Antonio Campos Jardim, presidente da Cufa (Central Única das Favelas), ao site Deutsche Welle.

    “Eu tenho medo do vírus, mas fazer o quê? Eu preciso trabalhar, senão eu não ando, não compro meus remédios, não faço nada. Ninguém me dá nada”, afirmou uma diarista em entrevista ao site da Agência Pública em março de 2020.

    Muitos trabalhadores nessa situação são informais, ou seja, sem carteira assinada ou vínculo empregatício. No Brasil, segundo dados do IBGE de 2020, essa categoria representa 41,4% do mercado de trabalho nacional, o equivalente a 38 milhões de pessoas.

    Ainda segundo o IBGE, integram o grupos dos informais pessoas empregadas no setor privado sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, trabalhadores por “conta própria” sem CNPJ e empregadores sem CNPJ.

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