O saldo do torneio de tênis organizado por Djokovic na pandemia

Atual número um do mundo organizou uma competição amistosa nos Bálcãs. Ele e outros três tenistas testaram positivo para o novo coronavírus

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    O tenista sérvio Novak Djokovic, bem como sua esposa, Jelena, testaram positivo para o novo coronavírus. O anúncio foi feito nesta terça-feira (23).

    A contaminação veio na esteira do Adria Tour, torneio amistoso de tênis organizado pelo atleta na região europeia dos Bálcãs que teve início no dia 12 de junho, com arquibancadas lotadas e nenhuma medida de distanciamento social.

    Na manhã de domingo (21), a final do torneio foi cancelada, horas antes de acontecer, após o teste positivo do tenista búlgaro Grigor Dimitrov.

    Um dia após o cancelamento da partida, veio a notícia de que outros dois tenistas também estavam contaminados com o vírus: o croata Borna Coric e o sérvio Viktor Troicki também estavam contaminados com o vírus.

    Christian Groh, técnico de Dimitrov, também testou positivo, bem como Marco Panichi, preparador físico de Djokovic, e Aleksandra Djordjevic, namorada de Troicki.

    Djokovic enviou um comunicado ao jornalista sérvio Sasa Ozmo. “Tudo o que fizemos no último mês, fizemos com o coração puro e intenções sinceras. Nosso torneio tinha como objetivo espalhar uma mensagem de solidariedade e compaixão na região”, afirmou.

    “Sinto muito por cada uma das infecções. Espero que ninguém tenha sua saúde comprometida e que tudo fique bem”, disse. Não se sabe quantas pessoas nas arquibancadas podem ter sido contaminadas pelo vírus.

    Djokovic vai passar 14 dias isolado em sua casa e realizará um novo teste no final da semana.

    O Adria Tour de Djokovic começou em meados de junho, com todos os jogos acontecendo nos Bálcãs. Além das partidas lotadas e sem medidas de distanciamento social, o torneio chamou a atenção por suas festas.

    Um vídeo que circula no Twitter mostra uma boate cheia, com os presentes dançando despreocupados. Djokovic e Dimitrov podem ser vistos nas imagens.

    O negacionismo de Djokovic

    Não é a primeira vez que o atual número um do campeonato masculino de tênis demonstra atitudes negacionistas em relação à ciência.

    Em abril, o atleta se posicionou como parte do movimento antivacinação. “Pessoalmente, eu sou contra a vacinação. E eu não gostaria de ser forçado a tomar uma vacina para poder viajar”, afirmou, em transmissão nas redes sociais.

    Um dia após a declaração, o tenista emitiu um comunicado. “Não sou um especialista, mas quero ter o poder de escolher o que é melhor para o meu corpo. Mantenho a mente aberta, e vou continuar a pesquisar o assunto, porque é importante e vai afetar a todos nós”, disse.

    Predrag Kon, epidemiologista que está servindo como consultor para o governo da Sérvia durante a pandemia, criticou o posicionamento do campeão.

    “Como um dos apoiadores mais leais de Djokovic, eu gostaria de ter tido a oportunidade de explicar a importância e a imensa contribuição das vacinas para a saúde pública. Mas é tarde demais, ele tem conceitos errados”, escreveu Kon no Facebook.

    Há, no mundo todo, um crescimento de grupos antivacina. Uma das afirmações de parte de seus integrantes é a ideia, equivocada, de que as vacinas seriam uma das causas do autismo. Há também comunidades que não se vacinam em razão de crenças religiosas e linhas que defendem que a vacinação seria uma estratégia de controle estatal.

    Para conter o alcance das ideias antivacinação, plataformas traçaram algumas estratégias: o YouTube anunciou, em fevereiro de 2019, que não ia permitir que vídeos antivacinação fossem monetizados. O Twitter anunciou, em maio, que ia dificultar a exibição de publicações do tipo na rede social, além de exibir um aviso de recomendado ao usuário que procure fontes confiáveis – medida similar à adotada pelo Facebook em julho.

    A preocupação com o movimento antivacinação fez com que a OMS incluísse a difusão desse tipo de ideias como uma das 10 maiores ameaças à saúde pública global.

    Quem é Novak Djokovic

    O tenista nasceu em Belgrado, atual Sérvia, no ano de 1987, e começou a jogar tênis aos quatro anos.

    Iniciou sua carreira profissional em 2005, terminando seu ano de estreia entre os 100 primeiros colocados da Associação Profissional de Tênis, principal entidade global do esporte.

    Em 2014, Djokovic teve uma de suas vitórias mais significativas, ao vencer o suíço Roger Federer, considerado um dos maiores tenistas da história, na final do torneio de Wimbledon (Reino Unido), naquela que é considerada uma das melhores partidas de todos os tempos.

    Djokovic terminou em primeiro lugar no ranking da Associação em 2011, repetindo o feito em 2012, 2014, 2015, 2018 e 2019. Na temporada 2020, o tenista ocupa a primeira posição. Os jogos oficiais da modalidade estão paralisados por conta da pandemia, porém devem retornar em agosto.

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