Como Hollywood planeja voltar a produzir filmes

Setor audiovisual americano caminha para uma retomada das atividades com diretrizes rígidas

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    A partir de 12 de junho, produções de filmes e séries de TV poderão ser retomadas na Califórnia, principal pólo criativo da indústria audiovisual dos EUA. O retorno ocorre após três meses de paralisação, causada pela pandemia do novo coronavírus.

    Hollywood vai voltar às suas atividades de um jeito diferente, seguindo uma série de diretrizes sanitárias que visam garantir a segurança das equipes técnicas e criativas, bem como do elenco. Os protocolos foram descritos em um documento de 22 páginas.

    As diretrizes foram estabelecidas por uma coalizão entre organizações como o Sindicato dos Roteiristas dos EUA, Sindicato dos Diretores e o Sindicato dos Atores, em parceria com o Departamento de Saúde da Califórnia e o governador Gavin Newsom.

    Os principais estúdios, como Disney, Warner, Universal e Netflix, também participaram da elaboração das diretrizes.

    O ‘novo normal’ de Hollywood

    A retomada do processo de produção de filmes e séries começa com uma aprovação vinda do Departamento de Saúde da Califórnia.

    Cada produção será analisada individualmente, e a chancela depende de fatores como número de casos confirmados a cada 100 mil habitantes do estado, média de novos casos diários e disponibilidade de leitos de UTI nos hospitais.

    Depois da aprovação, as produções podem seguir para o set, que terá de cumprir os protocolos para garantir a segurança de todos e minimizar o risco de transmissão do vírus.

    A principal diretriz envolve o fornecimento de estações de higienização das mãos proporcional ao tamanho da produção. Pias móveis, com água corrente e sabão, serão obrigatórias, bem como dispensers de álcool em gel. Além disso, elenco e equipe terão de passar por treinamentos sobre como lavar as mãos corretamente.

    O documento também enfatiza que as equipes de produção terão de aumentar a frequência dos procedimentos de limpeza dos sets. Não há um número determinado para isso, apenas a recomendação.

    A diminuição do uso de papel também é recomendada, pedindo para que os estúdios optem por versões digitais de roteiros e contratos. Se o uso for inevitável, cada cópia deve ser estritamente individual, sem ser compartilhada com outras pessoas.

    A alimentação no set também vai mudar. Antes da pandemia, a regra era a presença de buffets abertos com uma grande variedade de opções para comer e beber. No novo cenário, as refeições serão embaladas individualmente, e as bebidas, anteriormente colocadas em bebedouros, estarão disponíveis em latas e garrafas higienizadas.

    Diariamente, equipe e elenco terão suas temperaturas medidas e terão que responder um questionário de possíveis sintomas da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Qualquer um que seja considerado suspeito de contaminação terá de suspender suas atividades por 14 dias.

    O documento não recomenda que plateias estejam presentes no set – algo comum em séries de TV, especialmente nas comédias. Porém, cada caso será analisado individualmente e, se aprovadas, o público vai precisar usar máscara, ter a temperatura checada e ficar a 1,8 metro de distância uns dos outros.

    Para o elenco, as diretrizes são redobradas. Atores terão que vestir máscaras e luvas em todos os intervalos de gravação, mantendo distância de outros atores e do resto da equipe.

    Testes de personagem devem ser conduzidos virtualmente – nos casos onde a presença física é necessária, deve haver uma barreira de plástico entre os candidatos e os avaliadores.

    Figurinistas, maquiadores e visagistas devem usar máscara e luva na hora do contato com os atores e tentar reduzir ao máximo o tempo de preparação do ator.

    Por fim, é recomendado que diretores, roteiristas e outros times criativos optem por reuniões virtuais quando forem necessárias.

    A situação de Hollywood fora da Califórnia

    Apesar da indústria audiovisual dos EUA ter a Califórnia como sua principal base, muitas produções se espalham para outros estados – ou países – na hora de gravar, tanto por questões financeiras (políticas de incentivo ou isenção fiscal), quanto por decisões criativas (de ambientação, por exemplo).

    Atlanta, capital da Geórgia, é uma cidade frequentemente usada por grandes produções. Títulos como o longa “Pantera negra” (2018) e a série “Stranger things” (2016) são gravados em Atlanta, dada uma política da Geórgia para incentivar filmagens no estado.

    A Geórgia é o 11º estado americano mais afetado pelo coronavírus, e ainda não se sabe quando produções audiovisuais vão poder retomar suas atividades.

    Em Nova York, que também abriga diversas produções americanas, também não há uma retomada no horizonte. O estado foi o mais afetado pelo vírus, com o maior número de casos se dando na capital, a cidade de Nova York.

    O mesmo acontece na Colúmbia Britânica, província canadense que abrigou filmagens de títulos como “Brinquedo assassino” (2019) e “O bom gigante amigo” (2016).

    A tendência também se repete em Londres, no Reino Unido, onde aconteceram as filmagens de todos os filmes da saga “Star wars” e da série “His dark materials” (2019).

    Já na Nova Zelândia, que considerou a epidemia completamente controlada, as produções já estão autorizadas a retornar, seguindo recomendações sanitárias. O cineasta James Cameron já voltou a trabalhar nos próximos filmes da série “Avatar”, do 20th Century Studios/Disney, e a Amazon pretende resumir as filmagens da série de “O senhor dos anéis” em breve.

    O panorama para o Brasil

    Na manhã do dia 8 de junho, o Brasil contabilizava 37.312 mortes pelo novo coronavírus, e não há previsão para a retomada das produções.

    A Globo, principal produtora audiovisual no país, está estudando possibilidades para continuar as filmagens de novelas e filmes, mas ainda não há uma previsão para que isso aconteça.

    O retorno da Globo e de outras produtoras depende do avanço da doença no país e as diretrizes municipais e estaduais acerca das atividades econômicas.

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