A 1ª prefeita negra da cidade que inspirou o Black Lives Matter

Ella Jones ganhou a eleição municipal em Ferguson, cidade que foi palco de protestos e violência em 2014 depois que um policial branco matou um jovem negro

    Em 2014, a cidade de Ferguson, nos Estados Unidos, foi palco de violentos protestos depois que um policial branco matou o jovem negro Michael Brown. As manifestações deram origem à Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), campanha que ganhou um novo impulso após o assassinato de George Floyd, um homem negro, por um policial branco em Minneapolis, no fim de maio de 2020.

    Ferguson, agora, elegeu como prefeita Ella Jones, primeira mulher e primeira pessoa negra a ocupar o cargo. Jones, de 65 anos, pastora metodista e vereadora, ganhou com 54% dos votos. A segunda colocada, a também vereadora Heather Robinett, teve 46%. Perguntada sobre o significado de sua vitória para os habitantes negros da cidade, Jones afirmou: Uma palavra: inclusão.

    Eu tenho vivido injustiça a vida toda, declarou a prefeita eleita ao jornal New York Times. Não fui exposta a isso apenas quando me tornei membro do legislativo municipal.

    A conquista de Jones é reflexo também do aumento da presença afro-americana na política local. Em 2014, havia apenas um vereador negro em Ferguson. Agora, dos seis membros do legislativo municipal, quatro são negros. Quando foi eleita vereadora, Jones foi a primeira mulher negra a conseguir tal cargo na cidade.

    Jones declarou que apoia os protestos pacíficos que se seguiram à morte de Floyd, mas condenou atos violentos.

    A primeira prefeita negra dos Estados Unidos foi Leila Foley, eleita em 1973 na cidade de Taft, Oklahoma. No mesmo ano, Doris A. Davis, outra mulher negra, ganhou em Compton, na Califórnia.

    Em 2019, mulheres negras ocupavam a prefeitura em dez das 100 maiores cidades dos Estados Unidos, entre elas Chicago, Atlanta, São Francisco, Nova Orleans e Washington.

    Os distúrbios de 2014

    Em 9 de agosto de 2014, o policial branco Darren Wilson alvejou mortalmente Michael Brown. Os dois teriam entrado em confronto depois de uma abordagem. Brown estava desarmado e levou seis tiros.

    O episódio motivou uma onda de protestos e violência em Ferguson que durou 16 dias. A repressão policial foi dura, com inúmeros registros de uso excessivo da força, inclusive contra jornalistas. O então presidente Barack Obama condenou a violência policial. A hashtag e campanha Black Lives Matter foi criada, e rapidamente adotada por ativistas, manifestantes e personalidades negras no país.

    Em novembro de 2014, o policial que matou Brown foi absolvido, deflagrando uma segunda onda de protestos e quebra-quebra. No aniversário de um ano do caso, uma terceira onda de tumultos aconteceu em Ferguson.

    Dois anos depois, um decreto federal do Departamento de Justiça ordenou reformas no departamento de polícia e nos tribunais de Ferguson. A morte de Brown e o movimento Black Lives Matter colocaram a violência policial e o racismo dentro da corporação no centro do debate público nos Estados Unidos, assim como agora em 2020.

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