3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação sobre o novo coronavírus

    As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

    Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que já checou informações sobre as eleições de 2018 e as políticas públicas do governo federal em 2019, começou a verificar conteúdos sobre a pandemia do novo coronavírus. Esta fase do projeto é resultado de uma coalizão de 24 veículos que se juntaram para apurar informações sobre a crise de saúde pública.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou, todas elas envolvendo vídeos publicados nas redes sociais. Confira:

    É falso que o número de casos de covid-19 seja menor que o oficial

    Um vídeo publicado no YouTube afirma que o número de mortes por covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, seria menor do que o divulgado pelas autoridades brasileiras. O autor do conteúdo atribui a informação a uma suposta reportagem da Record TV que teria revelado a “fraude” e também o registro de mortes por pneumonia como sendo de covid-19. As afirmações são, no entanto, falsas.

    Segundo o autor do vídeo, nem toda pessoa cujo óbito entra para as estatísticas da doença morreu devido ao novo coronavírus. O autor insinua que todas as mortes por pneumonia estariam sendo diagnosticadas como covid-19.

    O Comprova revelou que a reportagem da Record TV citada pelo autor nunca foi ao ar. Em relação aos registros dos óbitos causados pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde informou, em resposta ao Comprova, que eles só entram na contagem oficial após confirmação do teste RT-PCR realizado nos pacientes antes da morte.

    A pasta esclareceu ainda que os dados de óbitos em investigação são os casos de pacientes que fizeram o teste e, até a data do óbito, não tinham resultado confirmado ou foram diagnosticados por critérios clínicos epidemiológicos. Após o óbito, esses casos continuam a ser investigados para confirmar a causa da morte.

    O Comprova também entrou em contato com médicos pneumologistas para compreender a relação entre a covid-19 e a pneumonia. Os médicos explicaram que a doença não é a única que pode ocasionar um quadro de pneumonia, e que nem todas as pessoas com o novo coronavírus desenvolvem pneumonia.

    A verificação foi realizada por A Gazeta e validada por outros veículos. Veja a íntegra da verificação aqui.

    É falso que a ação da Polícia Federal reduziu número de mortes pela covid-19 no Ceará

    Uma imagem publicada em um perfil pessoal no Facebook no dia 27 de maio afirma que, em dois dias, o número de óbitos do estado pelo novo coronavírus teria caído 90%. A postagem diz ainda que uma operação da Polícia Federal teria sido a causa para essa redução. A informação, no entanto, é falsa.

    Tanto os boletins técnicos do Ministério da Saúde quanto os dados da Secretaria de Saúde do Ceará desmentem a redução de 90% no número de óbitos causados pelo novo coronavírus no estado após a deflagração da Operação Dispinéia, ocorrida no dia 25 de maio.

    O Comprova apurou que houve uma redução de óbitos no estado nos dias subsequentes à deflagração da operação, mas que essa não foi da ordem de 90% nem pode ser atribuída à ação da PF.

    A ação apura um possível desvio de recursos públicos federais na compra de respiradores pela Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza. Nos esclarecimentos prestados ao Comprova, a PF não indicou nenhuma intervenção na gestão da saúde do estado que pudesse justificar uma relação com a queda no número de óbitos, informando apenas que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em domicílios, empresas e órgãos públicos em Fortaleza e em São Paulo.

    A postagem original chegou a ter 13 mil compartilhamentos antes de ser apagada. Publicações afirmando que o número de mortes por covid-19 caiu 90% no Ceará depois da intervenção da Polícia Federal também circularam no Twitter.

    A verificação foi realizada por Jornal do Comércio, UOL, SBT e Nexo, e foi validada por outros veículos. Veja a íntegra da verificação aqui.

    É falso que haja provas de que a invermectina é eficaz para o tratamento da covid-19

    Não existem evidências científicas que comprovem a eficácia da invermectina, medicamento utilizado para tratar infecções causadas por parasitas, no tratamento do novo coronavírus, diferentemente do que afirma a médica Lucy Kerr em uma publicação no YouTube que viralizou. No vídeo, a médica afirma que a covid-19 tem cura e que é possível acabar com a doença em pouquíssimo tempo se utilizado o medicamento.

    Em entrevista ao Comprova, a médica afirmou que a maioria dos pacientes que ela diz ter “curado” não fez teste para detectar a infecção por covid-19, nem o teste que confirma se o novo coronavírus está ainda no organismo. Quando perguntada sobre as evidências científicas do uso do medicamento, Kerr disse que comprovação da eficácia do remédio é observacional.

    Até o momento, todos os estudos sobre a ivermectina encontram-se em estágio inicial. Isso quer dizer que nenhum dos dados divulgados até agora pode ser considerado conclusivo.

    A autoridade sanitária dos Estados Unidos, FDA, não aprova o uso de ivermectina para o tratamento ou prevenção da covid-19 e faz um alerta sobre seus possíveis efeitos colaterais. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não reconhece o medicamento para o tratamento da doença.

    O vídeo foi tirado do ar pelo YouTube no dia 2 de junho. Procurada pelo Comprova, a plataforma afirmou que vídeos que promovem desinformação sobre a covid-19 são contrários às suas políticas.

    A verificação foi realizada pelo Jornal do Comércio e pela Folha de S.Paulo e confirmada por outros veículos. Veja a íntegra da verificação aqui.

    Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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