O inquérito das fake news vai às ruas. Quem são seus alvos

Investigação cumpre mandados de busca e apreensão contra blogueiros e empresários. Deputados bolsonaristas serão ouvidos em depoimento

    A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (27) mandados de busca e apreensão contra alvos de um inquérito que investiga um grupo suspeito de operar uma rede de divulgação de notícias falsas contra figuras políticas e autoridades, em especial ofensas, ataques e ameaças contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, é relator do caso e foi o responsável por expedir as ordens. Elas envolvem apoiadores do presidente, incluindo empresários, políticos e comunicadores bolsonaristas. Há determinações de quebras de sigilos fiscal e bancário do período de julho de 2018 a abril de 2020, que abrange a parte dos meses da campanha eleitoral de Bolsonaro e os 16 primeiros meses de seu mandato.

    Deputados federais também são investigados. Eles não foram alvo de buscas e apreensões, mas serão ouvidos no inquérito em até dez dias. Segundo determinação judicial, eles devem preservar todas as suas publicações em redes sociais, sem apagá-las.

    As investigações começaram ainda no início de 2019, a partir de ordem do presidente do Supremo, Dias Toffoli. A operação acontece um dia depois de Alexandre de Moraes convocar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, a prestar esclarecimentos sobre suas declarações na reunião ministerial do dia 22 de abril, no Palácio do Planalto, registrada em vídeo.

    O vídeo consta de outro inquérito do Supremo, sob relatoria do ministro Celso de Mello, para apurar suspeitas de interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal, mas as ameaças que Weintraub fez na gravação ficaram sob a guarda de Alexandre de Moraes. O ministro da Educação chamou naquela reunião os integrantes do Supremo de “vagabundos” e disse que eles deveriam ser presos.

    Os alvos de busca e apreensão

    Apesar da investigação estar correndo em sigilo, alguns nomes do inquérito são conhecidos agora, a partir das ordens de Alexandre de Moraes. O Nexo lista abaixo os nomes que foram alvo de busca e apreensão nesta quarta-feira (27).

    Allan dos Santos

    O blogueiro Allan dos Santos, do site Terça Livre, é um dos investigados pelo inquérito. Apoiador de Bolsonaro, Santos já atacou o Supremo e ministros do tribunal em mais de uma ocasião.

    A mais recente aconteceu no início de maio, quando o blogueiro publicou uma foto em frente ao prédio do Supremo mostrando o dedo do meio. “Não podia deixar de dar minha opinião sobre quem rasga a Constituição”, escreveu na legenda da foto.

    Em janeiro, Alexandre de Moraes intimou Allan dos Santos a depor sobre o inquérito. A audiência foi marcada para o mês seguinte, mas o blogueiro não compareceu. “Enquanto esse inquérito infantil continuar, nada que provenha dele terá minha submissão”, afirmou no Twitter.

    A operação de busca e apreensão se deu na casa do blogueiro, em Brasília. No Twitter, Allan dos Santos fez uma acusação contra a Polícia Federal, afirmando que o cumprimento do mandado se fez com policiais apontando uma arma destravada para a cabeça dele e de sua esposa, que está grávida. “O crime: rir desses tiranos”, escreveu na mensagem.

    Bernardo Küster

    Em abril, o blogueiro Bernardo Küster divulgou, em seu canal de YouTube, uma teoria da conspiração que afirmava que o Supremo estava aparelhado pelo Foro de São Paulo.

    O Foro de São Paulo é uma organização de partidos de esquerda da América Latina que existe desde 1990 para promover a integração latino-americana nos âmbitos político, econômico e cultural.

    Mas parte significativa de apoiadores de Bolsonaro acredita que o Foro de São Paulo é muito maior do que se divulga, tendo planos para instaurar uma ditadura comunista no continente. Essas teorias da conspiração ganharam força com vídeos e textos assinados pelo polemista Olavo de Carvalho.

    No vídeo de abril, Küster afirmou que a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal, determinada por Alexandre de Moraes, era prova de que o Supremo estava mancomunado com a organização de esquerda.

    Ramagem era o escolhido de Bolsonaro para substituir Mauricio Valeixo, que deixou o posto no dia 24 de abril, fato que catalisou a saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça e deu início à maior crise política do atual governo até então.

    Segundo Küster, a suspensão de Ramagem teria relação com o desejo do Supremo de esconder os supostos mandantes da facada que Bolsonaro levou na campanha das eleições de 2018. Ele disse, sem apresentar qualquer evidência, que “há gente grande” por trás do caso — a Justiça e a polícia concluíram que Adélio agiu sozinho e tem problemas mentais.

    Após a operação de busca e apreensão nesta quarta-feira (27), Küster se manifestou no Twitter, se referindo ao inquérito como uma censura promovida pelo Supremo. “O ministro Alexandre de Moraes apreender meu celular e meu MacBook é tirar meu ganha-pão”, escreveu.

    Edgard Corona

    Edgard Corona, dono da rede de academias Smart Fit, também é alvo dos mandados de busca e apreensão. Ele é suspeito de ser um dos financiadores da rede de fake news.

    Em fevereiro, o jornal Folha de S.Paulo revelou mensagens que mostravam que Corona desejava impulsionar vídeos contra o Congresso no Facebook.

    A operação foi realizada na casa do empresário, em São Paulo. Até a tarde de quarta-feira (27), Corona não tinha se manifestado publicamente sobre o assunto.

    O ministro Alexandre de Moraes determinou também a quebra de sigilo fiscal e bancário de Corona entre julho de 2018 e abril de 2020.

    Luciano Hang

    O empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, é outro investigado do inquérito e está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão.

    Em março, Hang, que também é apoiador de Bolsonaro, impulsionou, no Facebook, publicações convocatórias para atos antidemocráticos contra o Congresso e contra o Supremo ocorridos em março.

    Por meio do portal de transparência do Facebook, descobriu-se que Hang aumentou a propagação de pelo menos 10 mensagens convocatórias para atos que aconteceram em Brasília no dia 15 de março.

    Ao todo, Hang tem cerca de 4,5 milhões de seguidores na rede social, e não se sabe quantas pessoas foram atingidas pelas postagens impulsionadas.

    A operação de busca e apreensão se deu na casa e no escritório de Hang, em Brusque, Santa Catarina. No Twitter, o empresário publicou um vídeo negando as acusações, dizendo que não tem nada a esconder e que tudo será esclarecido.

    O ministro Alexandre de Moraes determinou também a quebra de sigilo fiscal e bancário de Hang no período de julho de 2018 a abril de 2020.

    Otávio Fakhoury

    O investidor Otávio Fakhoury se tornou alvo das operações por ter declarado, em um grupo de WhatsApp, que financiaria caminhões de som nas manifestações antidemocráticas do dia 15 de março. “Não vou deixar esses canalhas derrubarem esse governo”, disse à época.

    Até a tarde de quarta-feira (27), Fakhoury não tinha se manifestado sobre a operação de busca e apreensão realizada em sua casa e escritório em São Paulo.

    Sara Winter

    A ativista Sara Geromini, conhecida como Sara Winter, é uma das líderes do grupo bolsonarista conhecido como “os 300 do Brasil”, que está acampado em Brasília desde o começo de maio.

    Os manifestantes são classificados como uma milícia armada pelo Ministério Público do Distrito Federal. Eles reivindicam a saída de Rodrigo Maia (DEM-RJ) da presidência da Câmara e oferecem apoio incondicional às decisões de Bolsonaro.

    A operação de busca e apreensão se deu na casa dela em Brasília. “Sinto-me como se tivesse sido assaltada pelo Estado”, escreveu a militante no Twitter, nesta quarta-feira (27).

    Roberto Jefferson

    O ex-deputado federal Roberto Jefferson, atual presidente do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), atacou o Supremo no dia 13 de maio. Jefferson, responsável por denunciar o mensalão no governo Lula, tornou-se bolsonarista a partir da aproximação do centrão da Câmara com o governo.

    Em entrevista à Rádio Gaúcha, Jefferson disse que o Supremo estava arquitetando um golpe contra Bolsonaro, e que o Executivo precisava de um contragolpe. “A toga não é mais forte que o fuzil”, afirmou.

    Dias antes, o ex-deputado publicou uma foto no Twitter segurando um fuzil, dizendo que a arma tinha sido feita para combater, entre outras coisas, o comunismo e os traidores da pátria.

    A operação de busca e apreensão contra Jefferson se deu na casa do ex-deputado, em Comendador Levy Gasparian, no Rio de Janeiro. “Deus proteja o povo brasileiro da sanha dos ditadores”, escreveu no Twitter, poucas horas depois do cumprimento do mandado.

    Rey Biannchi

    O humorista e músico Rey Biannchi também está na lista dos investigados pelo inquérito, por uma participação no programa “The Noite”, do SBT, em 2018.

    Na ocasião, Biannchi defendeu o fim do Foro de São Paulo, acusou sem provas o ex-presidente Lula de doar R$ 25 milhões para o grupo terrorista islamista Hamas, e atacou a imprensa — especificamente as agências de checagem de fatos: “chequem a minha rola, vão se foder”, disse.

    Biannchi compartilhou um vídeo na manhã de quarta-feira (27) mostrando a operação da PF em sua casa. Nele, o humorista insinuou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o PCC, principal organização criminosa de São Paulo.

    A ligação de Moraes com a quadrilha se daria pelo fato de que, entre 2010 e 2014, o agora ministro trabalhou em um escritório de advocacia que defendeu a cooperativa de transportes Transcooper, que foi investigada por possíveis elos — não comprovados — com o PCC.

    O ministro Alexandre de Moraes determinou também a quebra de sigilo fiscal e bancário de Biannchi entre os meses de julho de 2018 e abril de 2020.

    Winston Rodrigues Lima

    Comandante reformado do Exército e candidato a deputado distrital para o Distrito Federal nas eleições de 2018 pelo PRP (Partido Republicano Progressista, incorporado ao Patriota em 2019), Winston Rodrigues Lima é conhecido por fazer comentários políticos no YouTube.

    Na plataforma, Winston divulgou diversos vídeos convocatórios para os recentes atos democráticos contra o Congresso e contra o Supremo.

    Ele foi alvo de operação de busca e apreensão em Brasília, e o ministro Alexandre de Moraes determinou quebra de seu sigilo bancário e fiscal no período de julho de 2018 a abril de 2020.

    Após o cumprimento do mandado, Winston se limitou a escrever no Twitter que não foi informado do motivo da operação e que estava muito triste.

    Os parlamentares que serão ouvidos

    Parlamentares bolsonaristas também são investigados no inquérito das fake news conduzido por Alexandre de Moraes. As investigações contra esses políticos, aliás, fazem parte de um episódio que consta de outro inquérito, sobre a suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

    No dia 23 de abril, o presidente enviou ao seu então ministro da Justiça uma nota do site O Antagonista sobre o cerco a deputados bolsonaristas no inquérito das fake news. Bolsonaro então completou a mensagem dizendo “mais um motivo para troca”, numa referência à substituição de Mauricio Valeixo no comando da Polícia Federal. Valeixo acabou demitido e Moro saiu logo depois. Abaixo, o Nexo mostra quem são os parlamentares que foram convocados a se explicar.

    Bia Kicis

    A deputada federal Bia Kicis (PSL-SP) fez uma acusação contra o ministro Celso de Mello no dia 22 de maio.

    Kicis afirmou, no Twitter, que ele faltou com isenção ao apresentar à Procuradoria-Geral da República três notícias-crime contra Bolsonaro, incluindo uma que pedia a apreensão do celular do presidente.

    Na mesma rede social, Kicis afirmou, na segunda-feira (25), que Celso de Mello tem um plano para abalar a confiança dos eleitores de Bolsonaro. Não houve nenhum tipo de evidência para sustentar a mensagem.

    Kicis chamou as operações de atos antidemocráticos. No Twitter, nesta quarta-feira (27), ela disse que jamais se calou contra a tirania, e classificou a decisão de Moraes como ditatorial.

    Carla Zambelli

    Em abril, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou que “às vezes” acredita que o ministro Alexandre de Moraes tem algum tipo de relação com o PCC.

    A fala se deu em entrevista à Rádio Jovem Pan e não teve nenhum tipo de evidência para se sustentar.

    Na manhã desta quarta-feira (27), Zambelli escreveu no Twitter que os mandados de busca e apreensão são inconstitucionais e ilegais.

    A afirmação é recorrente em círculos bolsonaristas, pelo fato de que o inquérito de ofício foi aberto pelo ministro Dias Toffoli — o que significa que não houve um pedido por parte do Ministério Público para a investigação e, por isso, teria objetivo político de prejudicar o presidente.

    Cabo Junio Amaral

    O deputado federal Cabo Junio Amaral (PSL-MG) esteve envolvido com as manifestações antidemocráticas contra o Congresso e o STF que vem acontecendo desde março.

    No dia 9 de maio, Amaral participou de uma das manifestações, que aconteceu na frente do Palácio do Planalto. Na ocasião, ele disse que não se sentiria inibido por um inquérito do Supremo — referência a uma investigação aberta pelo ministro Alexandre de Moraes em abril, que tem como objetivo apurar o financiamento dos protestos.

    “Repudio com veemência essa clara ilegalidade”, escreveu o deputado no Twitter nesta quarta-feira (27). “Com a ‘credibilidade’ que eles [o Supremo] gozam, vão me promover e mais nada”, afirmou.

    Daniel Silveira

    O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) também esteve envolvido com as manifestações antidemocráticas.

    No dia 18 de abril, liderou uma carreata contra o Congresso e contra o Supremo no Rio de Janeiro. Na semana seguinte, no dia 26, participou de um ato em Brasília que pedia a renúncia do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

    Nesta quarta-feira (27), Silveira falou, no Twitter, que o Supremo é uma ditadura formada por hipócritas, e que o inquérito é um ato judicial para promover a censura.

    Douglas Garcia

    O deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) impulsionou, no Facebook, publicações convocatórias para atos antidemocráticos contra o Congresso e contra o Supremo.

    No ecossistema do Facebook, as publicações chegam apenas à uma pequena porcentagem dos seguidores de determinada página, mas é possível pagar para que o algoritmo faça com que as postagens atinjam mais pessoas.

    O Facebook mantém no ar um portal de transparência em relação a publicações que foram impulsionadas, e foi dessa forma que se descobriu que Rodrigo Barbosa Ribeiro, um assessor do deputado, aumentou a propagação de três mensagens convocatórias para atos que aconteceram em Brasília no dia 15 de março.

    A história foi confirmada ao UOL pelo próprio assessor, que disse que o valor desembolsado foi de R$ 60, angariados por meio de uma vaquinha entre apoiadores de Bolsonaro.

    Garcia usou o Twitter para comentar as operações da Polícia Federal. Segundo ele, o inquérito tem como objetivo criminalizar aqueles que se identificam como conservadores. Em um vídeo, o parlamentar aparece na frente do prédio do Supremo e chama, aos berros, os ministros de vergonhosos.

    Filipe Barros

    O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) atacou o Supremo no Facebook, em março de 2019.

    Na ocasião, o parlamentar disse que a Corte era “uma vergonha”, usando como base uma fala do ministro Gilmar Mendes, na qual ele se referiu a alguns membros do Ministério Público Federal envolvidos na Lava Jato como gângsters.

    Nesta quarta-feira (27), Barros publicou uma nota oficial no Twitter afirmando que o inquérito é inconstitucional e que deseja cercear a liberdade de expressão.

    Gil Diniz

    O deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP) negou que haja qualquer mandado de busca e apreensão contra ele – o que de fato não existe, já que parlamentares foram convocados apenas a prestar depoimentos sobre o assunto.

    A mensagem foi publicada no Twitter na manhã de quarta-feira (27), acompanhada de uma teoria conspiratória que diz que informações do inquérito foram vazadas para a mídia como uma tentativa do ministro Alexandre de Moraes para intimidar bolsonaristas.

    Luiz Philippe de Orleans e Bragança

    O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), descendente dos imperadores Pedro 1º e Pedro 2º, acusou, em março, o STF de atacar o estado de direito e a vontade popular.

    A mensagem foi publicada no Twitter como resposta a uma entrevista do ministro Dias Toffoli, em que ele afirmou que ataques às instituições são ataques à democracia.

    Após a chegada da notificação de depoimento nesta quarta-feira (27), Orleans e Bragança se limitou a dizer, no Twitter, que não sabe o teor da investigação, mas que já se disponibilizou a prestar explicações.

    A possível relação com a família Bolsonaro

    Segundo o jornal Folha de S.Paulo em 25 de abril, o inquérito chegou no nome do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos filhos do presidente, como um dos articuladores do esquema de divulgação de fake news.

    Ele trabalharia ao lado do chamado “gabinete do ódio”, uma equipe de assessores do Planalto conhecidos por promover ataques virtuais a adversários políticos.

    No dia seguinte à publicação, Carlos acusou o jornal de veicular notícias falsas, negando seu envolvimento. “Matéria lixo”, escreveu no Twitter.

    Nesta quarta-feira (27), o vereador foi ao Twitter se manifestar sobre as operações. Segundo ele, o inquérito tem como objetivo incentivar uma rachadura democrática entre os três Poderes.

    O jornal também disse que o inquérito investiga uma suposta participação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), terceiro filho do presidente, no esquema.

    Nesta quarta-feira (27), Eduardo escreveu no Twitter que as operações da PF são uma desestabilização à democracia, uma tentativa de constranger pessoas que se identificam como conservadores. “O problema não é o STF, e sim atitudes que vão frontalmente contra a Constituição”, afirmou.

    A controvérsia em torno do inquérito

    Em março de 2019, quando o presidente do Supremo, Dias Toffoli, determinou o início das investigações e nomeou o ministro Alexandre de Moraes como relator, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contestou a medida.

    Dodge chamou a atenção para o fato de o Ministério Público Federal não ter sido consultado. Quando assumiu a Procuradoria-Geral, em setembro de 2019, Augusto Aras defendeu a participação do Ministério Público nas investigações.

    Nesta quarta-feira (27), Aras pediu a suspensão do inquérito das fake news. O procurador-geral se disse surpreendido pela operação sem a participação, supervisão ou anuência prévia do órgão de persecução penal”, no caso, o Ministério Público.

    Aras afirma que essa participação é necessária para preservar garantias fundamentais, evitando-se diligências desnecessárias, que possam eventualmente trazer constrangimentos desproporcionais”.

    Segundo o site G1, o pedido de Aras foi destinando outro ministro do Supremo, Edson Fachin, relator de uma ação da Rede, em que o partido político questiona a abertura do inquérito das fake news.

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