‘Tenet’: o filme que vai reabrir os cinemas nos EUA

Com estreia marcada para julho, novo projeto do cineasta Christopher Nolan será o primeiro longa a ser lançado nas salas americanas desde o começo da pandemia

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    Desde março, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou estado de pandemia causado pelo novo coronavírus, cinemas do mundo todo fecharam as portas.

    Estúdios adiaram a estreia de dezenas de filmes que eram esperados para o primeiro semestre de 2020, como “Viúva Negra”, da Marvel, e “007: Um Novo Dia Para Morrer”, da Universal. Alguns títulos – no geral filmes de orçamentos menores longe do perfil blockbuster – foram lançados diretamente em serviços de streaming.

    Em vários países, os cinemas drive-in ou salas ao ar livre – pouco comuns no Brasil – se tornaram a única opção para quem gostaria de assistir a um filme fora de casa.

    Na quinta-feira (21), a Warner Bros. lançou o segundo trailer de “Tenet”, nova produção do cineasta Christopher Nolan (“A origem”).

    O vídeo mostra pouco da premissa do longa, e tudo que se sabe é que a trama envolve um grupo de agentes secretos que precisa impedir uma nova guerra mundial. Para isso, usam uma tecnologia que inverte o fluxo do tempo ao redor deles.

    John David Washington (da série “Ballers”), Robert Pattinson (de “Crepúsculo” e “Batman”, a ser lançado), Elizabeth Debicki (“As viúvas”) e Michael Caine (“A origem”) são os protagonistas.

    Com o lançamento marcado para o dia 17 de julho, “Tenet” será o primeiro filme a estrear nos cinemas americanos desde o começo da pandemia – no Brasil, a Warner se limita a dizer que o filme estará disponível nas salas “em breve”, sem apontar uma data específica para isso.

    A reabertura dos cinemas

    Apesar da estreia marcada para 17 de julho, não há garantias de que “Tenet” vá estrear nacionalmente nos EUA nesta data. O país, de dimensões continentais, tem focos de infecção pelo novo coronavírus de diferentes tamanhos e está promovendo reaberturas também em ritmo variado.

    O Texas, por exemplo, já conta com salas de cinema abertas – até a manhã de 22 de maio, o estado do sul dos EUA contava com 49 mil casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus.

    Já em Nova York, estado mais afetado pela doença – 356 mil casos até a manhã do dia 22 de maio – não há uma data definida para uma reabertura das salas de cinema.

    Desde o início da pandemia, a Warner Bros. manteve a data de estreia de “Tenet” inalterada. Com o avanço da doença, o diretor Christopher Nolan defendeu a decisão do estúdio, sendo ativamente vocal acerca da reabertura das salas.

    No dia 20 de março, Nolan escreveu um texto de opinião para o jornal americano The Washington Post, argumentando que o cinema é “parte vital da vida social”.

    Desde então, o diretor seguiu defendendo a estreia de “Tenet” em 17 de julho, afirmando que isso só não aconteceria se as salas permanecessem fechadas até lá.

    As salas que estiverem reabertas em julho terão de se adaptar a uma nova realidade – que vem sido chamada nas redes sociais e em parte da imprensa de “novo normal”.

    A expectativa é de que as redes de cinema adotem medidas como a redução da capacidade total das salas, separação dos espectadores uns dos outros, pulando poltronas – em um desenho similar a um tabuleiro de xadrez – , aumento da rotina de limpeza e exigência do uso de máscaras por parte do público e dos funcionários.

    Vai haver público?

    Quando a Warner anunciou que pretendia manter o lançamento de “Tenet” para julho, surgiram questionamentos se o filme seria rentável, já que a presença do público nas salas – uma aglomeração – era incerta, devido à preocupação com o novo coronavírus.

    Um levantamento divulgado em 15 de maio pela empresa de pesquisa de mercado EDO apontou que 75% dos 3.269 respondentes – todos adultos americanos – se dizia inclinado a voltar para os cinemas assim que eles reabrissem, se medidas de segurança fossem implementadas.

    Cerca de 13% dos respondentes afirmaram que uma ida ao cinema na reabertura – mesmo com medidas de segurança e distanciamento social – era improvável.

    Se o desejo do público de ir ao cinema se comprovar na realidade, o fato de “Tenet” ser a única opção inédita de filme indica que uma performance positiva de bilheteria é possível.

    “Mesmo com uma reabertura, somente uma parcela pequena do público iria aos cinemas sem filmes inéditos”, escreveu Tom Brueggemann, colunista do site IndieWire, em 22 de abril. “Quem estrear primeiro vai se beneficiar da falta de concorrência.”

    Brueggemann também disse que “Tenet” carrega nas costas a aura de ser o evento que marca o retorno dos cinemas americanos após uma crise que parou o país e o mundo. “É o jeito perfeito do estúdio declarar que ‘os cinemas estão de volta!’”, opinou.

    O primeiro de muitos

    “Tenet” é o primeiro de muitos filmes que vão estrear nos EUA a partir de julho.

    O longa de Nolan chega em 17 de julho. Uma semana depois, a Disney estreia a versão em live action da animação “Mulan”, originalmente prevista para março.

    Na sequência, em 7 de agosto, a Paramount estreia a nova animação do “Bob Esponja” e, em 13 de agosto, a Warner traz outro blockbuster: “Mulher-Maravilha 1984”, filme que integra o universo de super-heróis da editora DC Comics.

    De cinéfilo a cineasta: a carreira de Christopher Nolan

    Christopher Nolan nasceu em Londres em 1970. Sua paixão por cinema surgiu quando ele ainda era novo – na infância, fazia pequenos curtas usando uma câmera Super 8 e seus brinquedos.

    No final da década seguinte, graduou-se em literatura inglesa na Universidade Colegial de Londres. Nesse período, foi presidente do cineclube da faculdade e começou a produzir curtas mais elaborados – o primeiro deles, “Tarantella”, foi finalizado em 1989 e exibido numa seleção de filmes independentes feitas pela PBS, a TV educativa dos EUA.

    Ganhando algum reconhecimento por seus curtas, Nolan passou a dirigir comerciais e vídeos corporativos na década de 90, mas nutria em si o desejo de se dedicar completamente à ficção.

    Em 1998, lançou seu primeiro longa, “Following”, feito com US$ 6.000, sendo filmado nos finais de semana de 1997, já que ele e toda a equipe mantinham outros empregos de segunda a sexta-feira.

    “Following” ganhou o prêmio principal do Festival de Cinema Internacional de Rotterdam, na Holanda, e do Festival de Cinema Internacional de São Francisco, nos EUA, projetando o nome de Nolan em Hollywood.

    Com o sucesso, o cineasta lançou, em 2000, o filme “Amnésia”, estrelando Guy Pearce (“Los Angeles: Cidade proibida”), e desde então sua carreira deslanchou, tornando-o um dos nomes mais reconhecidos da indústria.

    Na sequência, Nolan dirigiu “Insônia” (2002), “Batman begins” (2005), “O Grande truque” (2006), “Batman: O cavaleiro das trevas” (2008), “A origem” (2010), “Batman: O cavaleiro das trevas ressurge” (2012), “Interestelar” (2014) e “Dunkirk” (2017).

    Os filmes do diretor são conhecidos por contarem com uma estrutura não linear, conceitos criativos e revelações inesperadas. Segundo ele, “Tenet” é seu projeto mais ambicioso.

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