Ir direto ao conteúdo

O feriado antecipado de SP. E outras ações testadas na pandemia

Projeto aprovado na Câmara Municipal muda datas para tentar manter as pessoas em casa, após rodízio ampliado não funcionar

    A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na segunda-feira (19) o projeto que antecipa feriados municipais como forma de reforçar o isolamento social em meio ao avanço do novo coronavírus. O projeto foi sancionado nesta terça-feira (19) pelo prefeito Bruno Covas (PSDB).

    O resultado é um feriadão. Para isso, o feriado de Corpus Christi (11 de junho) foi antecipado para quarta-feira (20) e o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) acontecerá na quinta-feira (21). A sexta-feira (22) será considerada ponto facultativo, e o mega feriado acaba no domingo (24).

    De acordo com Covas, a antecipação dos feriados tem o objetivo de aumentar os índices de isolamento social na cidade, mantendo-os acima dos 55%.

    A base do projeto está no fato de que no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalhador, a capital registrou 55% de isolamento. O índice também aumenta nos finais de semana – no sábado (16), o número ficou em 52%.

    Na esfera estadual, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), encaminhou para a Assembleia Legislativa um projeto que antecipa o feriado de 9 de julho para a próxima segunda-feira (25), com o mesmo objetivo.

    Até a manhã do dia 19 de maio, a antecipação estadual ainda não tinha sido aprovada. São Paulo registrava 62,3 mil casos de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, sendo o estado mais afetado pela epidemia no país.

    Outras medidas de isolamento social da cidade

    A antecipação de feriados não é a primeira medida da cidade de São Paulo para tentar aumentar os índices de isolamento social. O fechamento de comércio não essencial já vem sendo adotado desde 24 de março em todo o estado.

    No âmbito municipal, Covas anunciou em 8 de maio um esquema especial de rodízio para a circulação de veículos. Aqueles que tivessem placa com final par só poderiam circular em dias pares, e os que tivessem placa com final ímpar só poderiam circular em dias ímpares.

    A medida começou a valer no dia 11 de maio, e tinha como objetivo reduzir pela metade a circulação de carros nas ruas. O rodízio especial foi encerrado no domingo (17).

    De acordo com Covas, a ação não trouxe resultados significativos, e dados de localização de celulares mostraram que o isolamento aumentou apenas 2% no período, indo de 46% para 48%, ainda abaixo do ideal.

    O rodízio especial não teve o efeito esperado e também gerou aglomerações no transporte público. Quem precisava ir ao trabalho, mas não podia usar o carro, teve que optar pelos ônibus, trens e metrôs.

    Antes disso, em 4 de maio, a prefeitura de São Paulo chegou a bloquear boa parte de grandes avenidas da cidade, deixando disponível apenas uma faixa para a circulação de veículos.

    A medida foi revogada dois dias depois, em razão dos congestionamentos criados e de outras dificuldades para a circulação, atrapalhando até mesmo o trajeto de ambulâncias.

    As pressões sobre o lockdown

    pressões contra e a favor de um lockdown (isolamento radical) em São Paulo. Alguns pesquisadores da área da saúde consideram ideal um isolamento igual ou superior a 70% como forma de reduzir a taxa de infecção.

    Nesse cenário, em vez de um doente passar o vírus para outras três pessoas, o número cairia para menos de uma, aliviando a pressão nos hospitais, o que, por sua vez, poderia viabilizar, no futuro, a reabertura do comércio não essencial.

    Por outro lado, há quem pressione pelo fim da quarentena, inclusive no modelo atual, mais brando que o lockdown. Em 12 de maio, Doria se reuniu com empresários, que cobraram dele um plano para o fim do isolamento.

    Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, as cobranças também são feitas por familiares e amigos do governador. Mesmo assim, de acordo com a publicação, diante do potencial agravamento da crise sanitária, ele decidiu manter as quarentenas, e citou como exemplo seu irmão, Raul Doria, dono de uma produtora de cinema, como um dos prejudicados pela crise. A produtora fechou as portas na pandemia.

    Na sexta-feira (15), Doria admitiu estar discutindo a possibilidade de adotar o lockdown com Covas e que já existe um protocolo definido. “O protocolo existe, está pronto, mas neste momento não será aplicado. Se houver necessidade, aplicaremos e informaremos”, disse em entrevista.

    O lockdown implica no fechamento total de atividades não essenciais e o controle da circulação de veículos nas ruas por meio de bloqueios. Quem sair de casa, precisa justificar o motivo. São permitidos apenas deslocamentos essenciais, como idas a supermercados e farmácias, e há multa para o descumprimento das regras.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.