Quais os 12 países do mundo sem registros da covid-19

Pandemia chega a todos os continentes, poupando apenas um nicho de ilhas remotas da Oceania e dois países governados por regimes fechados sem dados confiáveis

    A pandemia da covid-19 havia chegado, até sexta-feira (15), a 181 dos 193 países do mundo, deixando mais de 4 milhões de pessoas infectadas e mais de 302 mil mortos.

    Até a data, apenas 12 países não haviam reportado nenhum caso de contaminação pelo novo coronavírus. Dez desses países são formados por pequenas ilhas remotas da Oceania. Os outros dois – Coreia do Norte e Turcomenistão – são controlados por autocracias que não produzem dados confiáveis sobre saúde pública.

    Além de não terem registrado nenhum caso da doença, esse grupo de países têm outro elemento em comum: redes hospitalares limitadas, com poucos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e um baixo número de respiradores, itens essenciais para atender as vítimas da doença num caso de surto.

    O quadro delicado fez com que esses governos restringissem ao máximo o acesso de estrangeiros a seus territórios, sobretudo pelo fato de esses países estarem geograficamente próximos da China, primeiro epicentro do surto.

    Mesmo em condições normais o acesso a esses dez pequenos países da Oceania já é difícil, dadas as distâncias, o baixo número de voos e a fragmentação do território, com muitos desses Estados sendo compostos por centenas de pequenas ilhotas. Muitos deles constam na lista dos países menos visitados do mundo.

    Nauru, por exemplo, é possivelmente o país menos visitado do planeta. O país mais próximo fica a mais de 300 quilômetros de distância, pelo mar, e a média anual de estrangeiros que visitam seu território não passa de 160. O governo considera importante que a situação siga assim agora, porque só existe um hospital em Nauru, que tem falta de enfermeiros e não conta com nenhum respirador.

    Países livres da covid-19

    • Vanuatu
    • Palau
    • Tuvalu
    • Nauru
    • Samoa
    • Kiribati
    • Micronésia
    • Tonga
    • Ilhas Marshall
    • Ilhas Salomão
    • Coreia do Norte
    • Turcomenistão

    A Oceania é o continente com a menor população do mundo, sem contar a Antártida. A região possui apenas 0,5% da população de todo o planeta.

    Austrália, Papua Nova Guiné e Nova Zelândia ocupam 93% do território seco da Oceania. Os demais 11 países que compõem o bloco dividem os outros 7% de terras secas.

    Reino Unido, França e EUA possuem territórios na região – a maioria resquício da colonização no período das navegações e de apropriações pós-Segunda Guerra Mundial (1945). Nesses territórios, a contaminação é maior. Guam, por exemplo, que é ligado aos EUA, tem 154 pessoas contaminadas. A Polinésia Francesa registra 60.

    Nova Zelândia e Austrália destoam

    Os dois maiores países da Oceania, Austrália e Nova Zelândia, são os que registraram o maior número de casos na região. Até sexta-feira (15) eram mais de 7.000 contaminados na Austrália, com 98 mortos computados, e quase 1.500 contaminados na Nova Zelândia, com 21 mortos no mesmo período.

    A soma das vítimas fatais nesses dois países corresponde a 94,4% de todas as mortes por covid-19 registradas na Oceania. Apesar dos números, os dois governos são considerados exemplos exitosos de contenção da pandemia.

    Mesmo governados por líderes de orientação ideológica distinta – uma social-democrata na Nova Zelândia e um direitista liberal na Austrália – os dois países trabalharam em estreita colaboração, achatando a curva de contaminação com quarentenas rigorosas, a ponto de já planejarem a retomada dos voos entre suas cidades mais importantes.

    Coreia do Norte e Turcomenistão: dois casos à parte

    Além dos países isolados da Oceania, Coreia do Norte e Turcomenistão também compõem a lista dos países que dizem não ter registros da covid-19. No caso deles, porém, paira desconfiança.

    A Coreia do Norte é governada pelo regime mais fechado do mundo. Seu líder, Kim Jong-un, não participa dos principais fóruns internacionais de interação com as demais nações, e é portanto considerado um agente isolado e ameaçador, por seu programa nuclear que viola repetidamente as determinações da ONU (Organização das Nações Unidas).

    Com a mídia controlada integralmente pelo governo norte-coreano, é impossível contar com verificações independentes das informações in loco.

    Já o Turcomenistão é presidido por Gurbanguly Berdymukhammedov, líder que simplesmente proibiu o uso da palavra “coronavírus” no país, de acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras.

    Jornalistas estão proibidos de dizer ou escrever a palavra, que também não pode constar em materiais educativos e publicações oficiais do país. Além disso, o presidente mandou prender pessoas que estivessem conversando sobre a pandemia ou portando máscaras em público. Berdymukhammedov diz que não há nenhum caso de contaminação ou morte pela doença no Turcomenistão.

    Método de pesquisa dos casos

    Em fontes influentes de pesquisa sobre casos de coronavírus, como o mapa mundi da Universidade Johns Hopkins, nos EUA – um dos mais consultados do mundo sobre o assunto – consta a informação de 188 territórios que registraram casos de contaminação. Porém, a lista inclui locais que não são países.

    O caso mais destoante é o do navio de cruzeiro MS Zaandam, que atracou em abril na Flórida, EUA, depois de ter passado 12 dias no mar, período em que sua atracação foi rejeitada por 11 países. A embarcação aparece na lista de “países” da Universidade John Hopkins, com nove contaminados e dois mortos.

    João Paulo Charleaux é repórter especial do Nexo e escreve de Paris

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