3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação sobre o novo coronavírus

    As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

    Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que já checou informações sobre as eleições de 2018 e as políticas públicas do governo federal em 2019, começou a verificar conteúdos sobre a pandemia do novo coronavírus. Esta fase do projeto é resultado de uma coalizão de 24 veículos que se juntaram para apurar informações sobre a crise de saúde pública.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    É falso que número de sepultamentos está ‘normal’ em grande cemitério de São Paulo

    É falso o conteúdo de um vídeo no qual um homem, que se diz funcionário da Prefeitura de São Paulo, afirma que o cemitério municipal da Vila Formosa (na zona leste) tem covas abertas, mas não está realizando mais sepultamentos do que antes da pandemia do novo coronavírus, decretada em março pelas autoridades de saúde.

    A filmagem mostra um homem que diz que trabalha na Vila Formosa e até o momento da gravação não havia visto nenhum enterro. “Não tem ninguém morrendo nem enterrando ninguém. É uma jogada política. O que morre de gente é o dia a dia normal, e as covas estão todas abertas sem ninguém. Todas abertas para deixar o pessoal em pânico”, disse.

    Ao Comprova, a Prefeitura de São Paulo negou que o homem do vídeo seja funcionário do Serviço Funerário. A prefeitura também negou as afirmações do vídeo. Ao contrário do que diz a gravação, houve aumento de 47% dos enterros na Vila Formosa entre março e abril. De 1.131 no primeiro mês, o número saltou para 1.668 no mês seguinte.

    A prefeitura também explicou por que o vídeo, gravado na Vila Formosa, não mostra nenhum sepultamento. O cemitério é um complexo dividido em duas unidades (Vila Formosa I e Vila Formosa II) que alternam os dias de enterros. No dia da gravação do vídeo, que ocorreu na Vila Formosa I, os sepultamentos estavam sendo feitos na segunda unidade.

    A verificação foi feita por: Estadão, Poder360 e A Gazeta, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    É falso que máscaras reduzem imunidade e potencializam a proliferação de bactérias

    São falsas as informações divulgadas em um vídeo no YouTube segundo o qual as máscaras de proteção de pano ou de uso profissional prejudicam a imunidade dos usuários. As máscaras são consideradas por autoridades médicas como importantes aliados para diminuir a taxa de transmissão do novo coronavírus no país.

    A filmagem, feita por um youtuber chamado Daniél Rocha, que criou um canal para falar sobre emagrecimento, traz diversas acusações contra as máscaras, como a de que elas impedem a respiração e potencializam a proliferação de bactérias. Nada disso é verdade.

    Ao Comprova, o médico Jean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, afirmou que a máscara protege de infecções como a do novo coronavírus. Isso porque, apesar de permitirem a passagem de ar, elas têm filtros que impedem a entrada de gotículas e partículas maiores (como as dos agentes infecciosos).

    Após recomendação do Ministério da Saúde, diversos estados e municípios tornaram obrigatório o uso de máscaras de proteção em ambientes públicos. Em São Paulo, por exemplo, o item é exigido para quem sai à rua desde o dia 7 de maio. A recomendação foi feita após especialistas identificarem grande transmissão do coronavírus entre pessoas assintomáticas (que não têm sintomas da covid-19).

    A verificação foi feita por: Estadão e UOL, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Indústria e governos não ‘conspiram contra cloroquina’ para promover tratamento com remédio mais caro

    É enganoso um vídeo que circula na internet e afirma que a cloroquina é alvo de uma conspiração conduzida por governos e pela indústria farmacêutica para promover uma droga muito mais cara — chamada remdesivir — no tratamento de pacientes com covid-19.

    O autor do vídeo, um homem que se identifica como um médico ortopedista chamado Cláudio Agualusa, diz que a cloroquina é usada sem restrições há anos, no tratamento de outras doenças, e que a relutância na adoção de um protocolo com a substância é uma tentativa de ampliar a comercialização de um remédio americano que custaria milhões.

    As afirmações são enganosas por ao menos três motivos. Primeiro, há governantes que defendem o uso da cloroquina, como Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em segundo lugar, não há garantia de que o uso da cloroquina melhora o quadro da covid-19. Em terceiro, o tratamento com remdesivir não custa milhões.

    O que se sabe sobre os remédios

    A adoção da cloroquina para tratar a covid-19 não é unanimidade na comunidade médica. A cloroquina e a hidroxicloroquina ainda são objeto de estudos clínicos em todo o mundo. Os mais recentes, publicados em periódicos médicos importantes, não encontraram redução de mortalidade por covid-19 entre pessoas medicadas com essas drogas.

    O uso do remdesivir para covid-19 também está em investigação. A FDA, entidade que regula medicamentos nos EUA, autorizou o emprego do remédio em emergências, e no fim de abril o governo americano disse que essa é a primeira droga que pode melhorar o quadro de doentes da covid-19. O remdesivir ainda não tem preço, mas uma projeção diz que o tratamento poderá custar entre 10 e 4.500 dólares.

    A verificação foi feita por: Estadão e Rádio BandNews FM, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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