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Este projeto reverte a compra de desenhos em doações 

Campanha ‘300 desenhos’ vende obras de artistas iniciantes e consagrados. Dinheiro arrecadado é destinado a três organizações que promovem ações junto a grupos vulneráveis durante a pandemia

    Foto: Maria Klabin/Reprodução
    Figuras humanas e suas sombras distanciadas entre si, com formas grandes em volta que parecem pedras
    Obra da serie ‘A procissão das horas’, de Maria Klabin, 2020, que integra o projeto '300 desenhos'. Feita em guache e papel

    São muitas as iniciativas, surgidas desde o início da pandemia de coronavírus, que vem recebendo doações para dar suporte aos setores mais necessitados no país. O campo das artes também tem se movimentado para colaborar, buscando amparar organizações humanitárias.

    Lançado em 1º de maio, o “300 desenhos” é um dos projetos com essa proposta no Brasil. A iniciativa foi articulada por 12 voluntários que atuam no ramo das artes visuais e convidou 300 artistas, entre iniciantes e mais consagrados, a doarem trabalhos realizados em papel A4.

    Os desenhos não podem ser escolhidos – são distribuídos de maneira aleatória, determinada por um algoritmo, aos apoiadores que colaboram com a quantia fixa de R$ 1.000. Há trabalhos de Adriana Varejão, Anna Maria Maiolino, Bob Wolfenson, Laerte e outros. Todos podem ser vistos em detalhe no site do projeto.

    A quantia arrecadada será direcionada a três organizações que atuam em escala nacional, promovendo ações diretas junto a grupos vulneráveis durante a pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus: a Apib, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Habitat para a Humanidade Brasil e a Cufa, Central Única das Favelas.

    A campanha optou por não beneficiar os artistas, focando nas populações atendidas pelas três organizações.

    Segundo a coordenação do projeto, mais de 70% das cotas de doação já haviam sido cumpridas até quarta-feira (6). “Foi um sucesso, vendemos mais de 100 desenhos nas primeiras 24 horas”, disse ao Nexo Erika Verzutti, artista plástica e uma das criadoras do “300 desenhos”.

    O que cada organização fará

    No site do “300 desenhos”, há uma breve descrição sobre a atuação de cada organização e do que poderá ser feito com a verba vinda do projeto, que pretende levantar uma soma de pelo menos R$ 300 mil.

    A Apib pretende “melhor equipar suas bases operacionais com rádios profissionais de longa distância, roteadores de internet, telefones e computadores para dar suporte às ações de vigilância dos territórios e acesso a informações de utilidade pública às comunidades indígenas nacionais”.

    Já a Habitat Brasil deve atender, com o apoio do projeto, 770 famílias de 23 comunidades por meio da entrega emergencial de cestas básicas, kits de higiene e água.

    A Cufa irá “auxiliar mães solo moradoras de favelas de 17 estados e do Distrito Federal, que estão sendo fortemente atingidas pelos reflexos do Coronavírus”.

    Mudança no mundo das artes

    Verzutti afirma que o fato de os compradores receberem uma obra às escuras neutraliza os parâmetros de valor de mercado com que o mundo da arte está acostumado a lidar.

    “O mundo das artes estava precisando de uma oportunidade para funcionar diferente”, disse a artista plástica ao Nexo. “Não precisa ser sempre com aquela supervalorização do mercado, aquela antipatia, aquele distanciamento. A gente tem mil vícios de profissão e, como comunidade, também acho que somos bastante desunidos. Pra gente que trabalhou [no projeto], foi muito legal ver que tem uma outra maneira de fazer as coisas”.

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