3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação sobre o novo coronavírus

    As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

    Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que já checou informações sobre as eleições de 2018 e as políticas públicas do governo federal em 2019, começou a verificar conteúdos sobre a pandemia do novo coronavírus. Esta fase do projeto é resultado de uma coalizão de 24 veículos que se juntaram para apurar informações sobre a crise de saúde pública.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Mortes registradas em cartórios confirmam dados de óbitos da epidemia de covid-19 no Brasil

    Uma corrente no WhatsApp usa dados falsos de óbitos por covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, para contestar a dimensão da epidemia no Brasil. A mensagem diz que a fonte dos números é o Portal da Transparência, que conta as mortes registradas em cartórios do país. Mas os dados do texto não correspondem aos que aparecem no site.

    A mensagem diz, por exemplo, que em 20 de abril o Ministério da Saúde anunciou mais de 300 mortes com a covid-19, ao passo que os cartórios registraram 21 mortes. Ambos os números são falsos. Entre 19 e 21 de abril foram confirmadas 297 mortes causadas por covid-19 pelo Ministério da Saúde. Já o portal dos cartórios registrou 302 mortos.

    As informações do Ministério da Saúde e do Portal da Transparência podem diferir por causa da velocidade com que os registros chegam à segunda plataforma. A assessoria de comunicação da associação de cartórios diz que nos grandes centros a atualização dos dados acontece “em tempo próximo do real”, mas não é assim em outros municípios.

    Além disso, enquanto o Ministério da Saúde aponta óbitos com causa confirmada em 24 horas, os cartórios disponibilizam os números pela data de morte. Ainda assim, a investigação no Portal da Transparência mostra que os números do site são tão significativos quanto os das autoridades sanitárias, o que confirma a dimensão da epidemia no país.

    A verificação foi feita por: Estadão e Poder360, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Mortes por coronavírus não diminuíram no Amazonas depois de visita do ministro da Saúde

    É falso que o número de mortes causadas pelo novo coronavírus reduziu no Amazonas depois da visita do ministro da Saúde, Nelson Teich, entre os dias 4 e 5 de maio, conforme afirma uma publicação no Twitter. Após a visita do ministro, na verdade, o Amazonas registrou um recorde de óbitos pela covid-19 no estado em um único dia.

    A mensagem diz que, antes da visita de Teich, o Amazonas registrava que 140 pessoas morriam no estado por dia. Após a chegada do ministro, esse número teria caído para 46 mortes diárias, apenas duas por covid-19. A ideia é sugerir que os dados estavam inflados antes da presença de Teich, e depois passaram a ser registrados corretamente.

    Informações do governo do Amazonas mostram que, no dia 4 de maio, foram registradas 36 novas mortes por covid-19 no Amazonas, sendo 22 na capital, Manaus. No dia 5, o estado bateu um recorde diário no número de mortes por coronavírus, com 65 óbitos, 41 deles em Manaus.

    Além disso, não houve registro de 140 mortes diárias no estado. O máximo foi 120, em 26 de abril, segundo dados enviados ao Comprova.

    A verificação foi feita por: A Gazeta e Rádio BandNews FM, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    É falso que Israel descobriu cura para o coronavírus

    É falso que Israel descobriu a cura para o novo coronavírus, ao contrário do que afirma o título de um vídeo com mais de 580 mil visualizações no YouTube. Um laboratório ligado ao governo israelense isolou um anticorpo que neutraliza o vírus, mas um tratamento com base na descoberta ainda deve levar anos para virar realidade.

    A descoberta a que o vídeo se refere é de um anticorpo encontrado em estudo do Instituto de Pesquisas Biológicas do Ministério da Defesa israelense. A instituição disse que o achado científico é um avanço significativo, mas enfatizou que trabalha em uma patente e que a descoberta ainda não se trata de uma vacina para toda a população.

    Um comunicado do instituto diz que seus cientistas foram os primeiros a alcançar um avanço que atende a três parâmetros importantes: o anticorpo é capaz de neutralizar o novo coronavírus, ele foi testado especificamente no organismo que causa a covid-19 e é monoclonal, ou seja, não tem proteínas adicionais que podem causar complicações.

    O ministro da Defesa de Israel, Naftali Bennett, divulgou na quinta-feira (7) a descoberta de mais três anticorpos no Instituto de Pesquisas Biológicas do país. Ele comemorou o avanço científico, mas ressaltou que ainda é preciso fazer uma série de testes complexos e passar por um processo de aprovação regulatória, o que pode levar meses.

    A verificação foi feita por: Estadão, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.