3 boatos verificados sobre a pandemia para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação sobre o novo coronavírus

As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que já checou informações sobre as eleições de 2018 e as políticas públicas do governo federal em 2019, começou a verificar conteúdos sobre a pandemia do novo coronavírus. Esta fase do projeto é resultado de uma coalizão de 24 veículos que se juntaram para apurar informações sobre a crise de saúde pública.

Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

É falso que Nobel de Medicina disse que coronavírus é artificial

São falsas as correntes no WhatsApp e os posts nas redes sociais que dizem que Tasuku Honjo, vencedor do prêmio Nobel de Medicina em 2018, afirmou que o novo coronavírus foi criado em um laboratório em Wuhan, cidade da China onde se iniciou a pandemia da covid-19.

Honjo negou as acusações atribuídas a ele. Por meio de nota emitida pela Universidade de Kyoto, onde trabalha, disse lamentar que seu nome tenha sido usado para espalhar desinformação. Afirmou também que “alegações infundadas” sobre a covid-19 são “perigosamente perturbadoras” num momento em que a prioridade é cuidar de doentes.

Além de atribuir falsas acusações a Honjo, a mensagem que circula nas redes diz que o médico trabalha há quatro anos no “laboratório Wuhan” na China. A afirmação é falsa. Em toda sua carreira, Honjo trabalhou apenas nos Estados Unidos e no Japão, onde atua seguidamente desde 1974. Desde 1984 o médico trabalha na Universidade de Kyoto.

Vírus é resultado da seleção natural, dizem pesquisadores

Atualmente, não há nenhum indício de que o novo coronavírus seja artificial ou tenha sido fabricado. A evidência mais recente sobre o tema é um estudo publicado na revista Nature Medicine, segundo o qual o agente que causa a covid-19 resultou de um processo de seleção natural. O Sars-Cov-2 é o sétimo coronavírus a infectar seres humanos.

A verificação foi feita por: Estadão, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

Sem apresentar evidências, texto sugere que governadores e prefeitos usam pandemia para driblar a lei

É enganoso um texto que acusa governadores e prefeitos de se beneficiarem de ações governamentais relacionadas à covid-19 para cometer irregularidades. A mensagem foi publicada por um blog e republicada por um site chamado Hoje Notícias, até viralizar.

A publicação afirma que os políticos se aproveitaram da pandemia para dar um “drible” na lei em contratos firmados sem licitação. Mas não mostra evidências de roubo ou desvio de verba pública na construção de hospitais de campanha e em outras ações recentes dos governos.

A mensagem usa dados verídicos e enganosos para sugerir a atuação ilícita de políticos como o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Além disso, faz referência a divergências de autoridades locais com o presidente Jair Bolsonaro durante a crise.

Atualmente, governo federal e estados têm diferenças a respeito da adesão da população ao distanciamento social, que é defendido por governos locais, mas rejeitado pelo Planalto. A OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde indicam o isolamento para evitar a propagação da covid-19.

A verificação foi feita por: Poder360 e Rádio BandNews FM, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

OMS não acusou China e Índia de contaminar máscaras, e vídeo que diz que houve alerta do órgão é montagem

É falso o vídeo que diz que a Organização Mundial da Saúde alertou sobre máscaras importadas da China e da Índia supostamente infectadas com o novo coronavírus. Até o momento, a OMS não emitiu nenhum alerta sobre compra de máscaras, segundo nota do órgão.

O vídeo que viralizou trata-se de uma montagem. A publicação usa imagens de uma entrevista coletiva da OMS que foi realizada em abril, mas sobrepõe as declarações do diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom Ghebreyesus, com uma narração em voz masculina que traz informações totalmente diferentes do conteúdo original da entrevista.

Atualmente, a OMS recomenda expressamente o uso de máscaras médicas por profissionais de saúde, pessoas que cuidam de pacientes com covid-19 e todos que apresentam sintomas da doença. O Ministério da Saúde também indica à população no geral o uso de máscaras de pano. A pasta importou máscaras médicas da China durante a pandemia.

Ao Comprova o ministério disse que não há evidência de que os produtos comprados estejam contaminados. “Os vírus geralmente não sobrevivem muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego desses produtos costuma ser de muitos dias”, afirmou.

A verificação foi feita por: Estadão e SBT, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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