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O projeto que reúne os objetos pessoais que marcam o isolamento

Iniciativa da Parsons School of Design convida as pessoas a compartilharem fotos dos itens que ganharam novos significados durante o tempo passado dentro de casa

Com pessoas por todo o mundo se ajustando a novas rotinas marcadas pelo distanciamento social — principal medida de combate à disseminação do novo coronavírus —, alguns rituais domésticos têm adquirido importância redobrada: o café preparado pela manhã, o trabalho no escritório improvisado, a descontração de uma boa leitura ao fim do dia.

O Observational Practices Lab (Laboratório de Práticas Observacionais, em inglês) da Parsons School of Design, de Nova York, lançou um projeto para dar atenção aos objetos que estão por trás dessas ações, como a cafeteira, a escrivaninha, o livro.

Chamado de Atlas of Everyday Objects (ou Atlas dos Objetos Cotidianos, em tradução livre), trata-se de uma iniciativa colaborativa, da qual qualquer um pode participar pelas redes sociais. No Facebook, Twitter e Instagram, o público é convidado a fazer postagens com uma montagem em grade de nove fotos, documentando os objetos que ganharam novos significados durante a quarentena. Os posts são reunidos sob a hashtag #objectsofmyisolation.

Pascal Glissmann, professor assistente na Parsons e um dos organizadores do projeto, comentou em entrevista ao site It’s Nice That que “espera que essa coletânea de objetos seja um registro em tempo real da mudança de perspectiva sobre os nossos ambientes cotidianos”.

Alguns itens que aparecem nas publicações são de se esperar: fones de ouvido, smartphones, animais de estimação. Outros revelam uma correlação com comportamentos próprios da crise do coronavírus: produtos que vêm sendo estocados, como papel higiênico, máscaras cirúrgicas, sabão, detergente e álcool em gel.

Selena Kimball, uma das organizadoras do Atlas, relata ainda uma quantidade “surpreendente” de fotos de plantas e brotos — registros do aumento no interesse em jardinagem. Imagens de sacos de farinha lembram que o ingrediente está em falta em lugares como Portugal, onde a população adotou o hábito de fazer pão em casa.

Segundo os idealizadores, o projeto tem também um viés metalinguístico, em que a documentação se torna um produto de seu tempo. “O que pesquisadores no futuro vão enxergar nas grades de fotos, e o que vão enxergar sobre a nossa situação por meio delas?”, indaga Glissmann.

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