Como o novo coronavírus age no organismo

Vírus se multiplica nas células. Sintomas mais graves são causados por reação ao agente invasor

    A pandemia do novo coronavírus já é considerada a maior crise global desde a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). São mais de 1,3 milhão de infectados no mundo, com cerca de 76 mil mortes até a tarde de terça-feira (7).

    Em cerca de oito de cada dez pessoas, o novo coronavírus não causa nenhum tipo de sintoma ou então traz apenas sintomas leves, similares ao de uma gripe ou de um resfriado, incluindo tosse e febre baixa.

    Porém, nos casos mais graves, o vírus pode trazer complicações, como uma insuficiência respiratória que exige o uso de equipamentos.

    Da infecção aos sintomas

    O coronavírus é transmitido por gotículas presentes no ar, decorrente de tosses e espirros de pessoas infectadas, e também pelo contato com superfícies contaminadas seguido de contato com mucosas como nariz, olhos e boca.

    Quando o novo coronavírus entra no organismo, sua primeira ação é invadir uma célula e começar a fazer cópias de si mesmo.

    Imagine uma bexiga sendo enchida com água. Em algum momento, ela vai estourar e espalhar a água no espaço ao redor.

    É isso que acontece com a célula: o novo coronavírus faz cópias de si mesmo até que ela se rompa, espalhando os clones que, por sua vez, vão invadir novas células milhares de vezes.

    É nesse momento em que o vírus está fazendo cópias de si mesmo que os primeiros sintomas aparecem, como tosse e febre.

    A tosse, seca, acontece por uma irritação nas células que foram infectadas. A febre, por outro lado, é uma reação do sistema imunológico à presença de um invasor no organismo.

    O sistema imunológico identifica que algo está errado e manda sinais para o corpo todo, produzindo citocinas, moléculas essenciais para o desencadeamento de respostas imunes.

    Os sintomas leves duram por volta de uma semana, período necessário para que o corpo consiga eliminar a infecção por si só.

    Nos casos mais graves, o coronavírus consegue chegar aos alvéolos pulmonares, pequenos sacos de ar presentes no pulmão, responsáveis pela troca gasosa que oxigena o sangue.

    O corpo, lutando contra o coronavírus, desencadeia um processo inflamatório.

    Porém, se a inflamação for muito intensa, o indivíduo pode ter seus alvéolos preenchidos com líquidos, cenário que caracteriza a pneumonia. Com os alvéolos obstruídos, a oxigenação do sangue pode diminuir, causando o quadro de insuficiência respiratória.

    Um desenho mostrando alvéolos cheios de líquido nos pulmões

    Se a insuficiência respiratória for mais grave, o paciente pode precisar ser encaminhado para uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) a fim de respirar com o auxílio de equipamentos.

    Nos casos gravíssimos, a inflamação se espalha para além dos pulmões, causando ainda mais danos, como insuficiência renal e danos intestinais, que podem levar à morte. Cerca de 6% dos infectados desenvolveram complicações críticas.

    A taxa de mortalidade causada pelo novo coronavírus varia de país para país, e depende do número de casos confirmados por testes, de quantos casos precisaram de internação e de quantos leitos hospitalares estão disponíveis.

    O que muda nos grupos de risco

    Idosos e pessoas com comorbidades como diabetes e pressão alta estão no grupo de risco do novo coronavírus. Doenças pulmonares, como asma e bronquite, também integram grupos de risco.

    Um estudo realizado pela Universidade Médica de Tamil Nadu, na Índia, publicado em 26 de março, analisou o que torna pessoas desses grupos mais suscetíveis aos sintomas mais graves do vírus.

    No caso de idosos, a idade avançada faz com que as defesas naturais do corpo já não sejam mais tão efetivas.

    Em pessoas com problemas cardíacos, a situação se agrava pelos problemas de circulação sanguínea, que favorecem a infecção.

    Já nos diabéticos, o problema, causado pelo excesso de glicose no sangue, está numa diminuição da efetividade do sistema imunológico na hora de combater infecções causadas por vírus e bactérias.

    Em pessoas que apresentam doenças pulmonares, o risco existe porque já há um comprometimento prévio do funcionamento do pulmão, que pode piorar com a presença do vírus.

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