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3 boatos verificados nesta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que busca combater a desinformação sobre o novo coronavírus

    As redes sociais são um importante meio de comunicação para cidadãos e governos, ao divulgar e esclarecer assuntos de interesse público. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto que podem causar danos. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte ou veracidade.

    Para combater a desinformação nas redes surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que já checou informações sobre as eleições de 2018 e as políticas públicas do governo federal em 2019, começa agora a verificar conteúdos sobre a pandemia do coronavírus. A nova fase do projeto é resultado de uma coalizão de 24 veículos que se juntaram para apurar informações sobre a crise de saúde pública.

    A partir deste sábado (4), o Nexo passa a publicar semanalmente checagens produzidas nesta nova etapa do Comprova. Abaixo, selecionamos três verificações feitas na semana que passou.

    Áudio em que suposto médico do Rio defende fim da quarentena tem informações falsas

    A fim de convencer as pessoas a abandonar o isolamento social, um homem que se diz médico de um hospital do bairro de Acari, na zona norte do Rio de Janeiro, apresenta dados falsos sobre os riscos do coronavírus. A pessoa gravou uma mensagem em áudio que se espalhou recentemente em redes sociais e aplicativos de mensagens.

    A mensagem do áudio é esta: “voltem ao trabalho, não fiquem em casa. O que o [Jair] Bolsonaro falou [sobre deixar o isolamento], ele tá coberto de razão. A gente já está experimentando, dentro das favelas [...] — as imediações dos hospitais são formadas por um povo… Uma população muito pobre, já tá tendo uns ‘piquetezinhos’, pedido de dinheiro”.

    No áudio, o homem diz que não há risco de o vírus matar quem tem até 45 anos. A afirmação é incorreta. Apesar de a taxa de mortalidade da covid-19 ser maior entre idosos, pessoas mais jovens também podem morrer ou sofrer os efeitos graves da doença. Até 1º de abril, 11% dos pacientes mortos no Brasil tinham menos de 60 anos, segundo o governo federal.

    O homem do áudio também diz que o Brasil tem “taxa de replicação do vírus muito mais baixa”, devido ao clima tropical, tradicionalmente mais quente que de lugares como a Europa. Até o momento, não existem estudos conclusivos que corroboram essa afirmação. Ao contrário, especialistas dizem que o clima quente não protege contra a doença.

    Autor de áudio não é médico, dizem órgãos de saúde

    A pessoa que fala no áudio não diz seu nome, mas se apresenta como “chefe da rotina” do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, no Rio de Janeiro. Ela também diz que atua em outros dois hospitais. Ao Comprova, as secretarias de Saúde da cidade e do estado do Rio negaram que alguém com essa descrição trabalhe em hospitais locais.

    A pasta da cidade do Rio também afirmou que, ainda que o autor do áudio fosse realmente um médico atuante nos hospitais da cidade, a opinião de um profissional não refletiria o posicionamento sobre a covid-19 adotado pela prefeitura e pela Secretaria Municipal de Saúde.

    A verificação foi feita por: SBT e BandNews, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Mistura de limão com bicarbonato não cura covid-19

    É falso que a mistura de limão com bicarbonato de sódio cura a covid-19, como afirma uma corrente que circula no WhatsApp e nas redes sociais. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde afirmam que ainda não existem tratamentos ou remédios comprovadamente capazes de curar pacientes com coronavírus.

    Além de mentir sobre os efeitos da mistura, o texto do boato diz que a suposta cura para a covid-19 foi anunciada por Israel, onde o vírus não teria causado nenhuma morte. Isso não é verdade. Até sexta-feira (3), o país tinha 7.030 pessoas infectadas com o coronavírus e 39 mortes, segundo dados compilados pela Universidade de Johns Hopkins.

    Ingestão pode fazer mal à saúde

    Ao Comprova, o farmacêutico Leandro Medeiros, da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco), afirmou que não há estudos científicos que comprovam benefícios da mistura de limão e bicarbonato para a covid-19. Medeiros alertou, na verdade, que ingerir a mistura em excesso pode causar prejuízos à saúde. O consumo de bicarbonato pode prejudicar os rins e afetar quem tem problemas cardíacos.

    A verificação foi feita por: Estadão e Jornal do Commercio, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    É falso formulário que pede dados para receber benefício emergencial

    É falso um formulário divulgado por meio de mensagens de WhatsApp voltado a quem quer receber o auxílio emergencial para pessoas de baixa renda durante a crise do novo coronavírus. A mensagem não é oficial, e os sites vinculados ao formulário estão registrados fora do Brasil, em servidores sem informações sobre os seus proprietários.

    A mensagem falsa que circula no aplicativo leva o usuário a um site que tenta se passar como do governo federal. Há nele, inclusive, uma imitação de um logo utilizado pelo governo durante as gestões do PT, com o slogan “Brasil, país de todos”. Após o acesso, a página instrui o usuário a responder a um questionário com informações pessoais.

    A estratégia de registrar sites no exterior é muitas vezes usada por grupos que tentam aplicar golpes na internet. Um dos sites investigados pelo Comprova estava hospedado no Canadá. Outro estava baseado nos Estados Unidos. Eles tinham o mesmo IP (espécie de cadastro único dos sites) de páginas como “saboreaqui.online” e “gotoceleb.com”.

    O que é a lei da renda básica

    A mensagem no WhatsApp se refere ao benefício previsto em uma lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na quarta-feira (1º) que estabelece o pagamento de uma renda básica emergencial a pessoas de baixa renda e trabalhadores informais. Informalmente, o benefício foi apelidado de “coronavoucher”. Ele prevê R$ 600 reais por pessoa.

    A mensagem começou a circular antes da sanção da lei, quando ela ainda estava tramitando no Congresso. A liberação dos recursos depende da abertura de um crédito extraordinário no orçamento federal. Quando iniciar, o pagamento deve ser feito durante três meses.

    A verificação foi feita pela redação do Comprova, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Você recebeu algum conteúdo sobre o novo coronavírus que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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