Como ajudar setores vulneráveis durante a pandemia

Em meio à crise do novo coronavírus, o ‘Nexo’ reuniu iniciativas que recebem doações e oferecem apoio a entidades de saúde, populações de periferia, pessoas em situação de rua e pequenos negócios

    Conforme a pandemia do novo coronavírus avança no Brasil, com 201 mortos e 5.717 casos registrados até a terça-feira (31), cresce a urgência de se criar soluções para ampliar a capacidade do sistema de saúde, garantir a segurança e o sustento de populações vulneráveis e fortalecer os pequenos comércios.

    São setores que enfrentam uma situação especialmente crítica diante da disseminação do vírus e da necessidade de ações de distanciamento social para conter a transmissão. Medidas para aumentar a liquidez na economia e a aprovação de uma renda básica emergencial fazem parte da estratégia governamental para mitigar esses efeitos no Brasil. Mas em paralelo a isso – e enquanto a ajuda oficial não chega – a sociedade civil tem criado seus próprios meios de ajudar.

    Entidades, ONGs e outros atores têm organizado campanhas e coletado doações que visam a dar suporte a quem mais precisa durante a pandemia. O Nexo reúne abaixo formas de contribuir com essas iniciativas em três frentes principais.

    Saúde

    • Devido à recomendação de isolamento social, hemocentros do país estão com os estoques em baixa. O Ministério da Saúde orientou a população a não deixar de abastecer os bancos. Indivíduos saudáveis podem agendar sua doação de sangue pelo site ou pelo telefone da instituição de sua localidade – Hemocentro de São Paulo, Hemominas, Hemorio e outras.
    • Criado recentemente, o Fundo Emergencial para a Saúde - Coronavírus Brasil está arrecadando fundos para a saúde pública pela plataforma BSocial. A princípio, segundo a Folha de S.Paulo, os beneficiários serão a Fundação Oswaldo Cruz, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a Santa Casa de São Paulo e a ONG Comunitas, que atua em causas públicas. Os recursos serão usados na compra de equipamentos hospitalares e para UTIs, em testes para diagnóstico da covid-19, materiais de proteção para profissionais de saúde e medicamentos
    • A ONG Comunitas também está arrecadando doações diretas. A entidade afirma já ter alcançado a meta de R$ 23,4 milhões para a compra de 345 respiradores pulmonares. Pretende agora levantar R$ 3,3 milhões para a compra de monitores multiparâmetros, que serão usados na instalação de 121 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no estado de São Paulo. Pelo site, é possível entrar em contato para solicitar o número da conta para depósito
    • Em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa e o Instituto dos Advogados de Minas Gerais, a Universidade Federal de Minas Gerais lançou uma campanha para a compra de insumos e materiais médico-hospitalares para três hospitais públicos de Belo Horizonte que são referência no tratamento da covid-19. Os dados para a transferência estão disponíveis no site da campanha
    • O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP também lançou uma campanha própria de arrecadação na plataforma Charidy, com a hashtag #VemPraGuerra. A meta é angariar R$ 10 milhões até o dia 5 de abril para a compra de materiais como máscaras, aventais e máquinas portáteis de raio-X
    • A Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro está recolhendo doações em duas contas bancárias para a compra de 85 materiais essenciais que serão distribuídos para hospitais públicos
    • O governo federal criou canais para receber doações de equipamentos e produtos médicos e hospitalares. Interessados em realizar doações devem entrar em contato com o Ministério da Saúde pelo e-mail criado para a campanha ou preencher uma inscrição em uma das vias abertas pelo Ministério da Economia

    Populações vulneráveis

    Moradores de favelas e periferias, povos indígenas e a população de rua das cidades brasileiras têm enfrentado desafios maiores para acessar os meios de prevenção de contágio do vírus e para garantir a subsistência de si e de seus familiares.

    Adiantando-se em relação às medidas anunciadas pelo Estado, movimentos e organizações vêm se articulando para garantir amparo imediato a esses grupos:

    Comunidades e periferias

    • A Central Única das Favelas lançou a campanha #FavelaContraOVírus e uma vaquinha virtual que já ultrapassou a meta de R$200 mil. Ainda é possível contribuir para a arrecadação voltada a minimizar o impacto da covid-19 nas favelas em muitas frentes, da conscientização dos moradores à distribuição de cestas básicas
    • Uma campanha de apoio a famílias negras de comunidades de São Paulo e do Rio de Janeiro foi lançada por uma coalizão de movimentos que inclui a Uneafro Brasil. Faltam ainda aproximadamente R$ 90 mil para atingir a meta estabelecida
    • A organização Redes da Maré, organiza��ão do Complexo da Maré, conjunto de favelas com cerca de 140 mil habitantes no Rio de Janeiro, também está coletando doações de alimentos, itens de higiene e limpeza e água mineral. Também é possível fazer doações em dinheiro, transferindo para as contas bancárias indicadas no site do projeto
    • O G10 das Favelas, grupo de líderes e empreendedores de impacto social das favelas lançou uma campanha de apoio à comunidade paulistana de Paraisópolis. O financiamento coletivo se destina a uma série de iniciativas, incluindo a construção de um hospital de campanha na região
    • Doações feitas à campanha #XôCorona serão usadas para a compra de produtos de limpeza e higiene (como sabonete líquido e cloro), distribuídos às comunidades de São Paulo pela Central Única das Favelas. A iniciativa é uma parceria da empresa Lello Condomínios com a Cufa, em apoio à #FavelaContraOVírus
    • A Campanha Rio Contra Corona está arrecadando dinheiro para a compra de material de limpeza e cestas básicas que, em articulação com ONGs locais, serão distribuídos nas comunidades cariocas. É gerida pelo Banco da Providência, Instituto Ekloos e Instituto Phi
    • Já a campanha “Solidariedade para mudar SP contra o coronavírus” irá distribuir doações de itens básicos de higiene, alimentação e dinheiro a associações, abrigos e entidades de assistência a grupos vulneráveis da cidade
    • A campanha "Não espalhe o vírus, espalhe solidariedade" tem por objetivo apoiar 1.000 famílias de 20 comunidades espalhadas por oito estados do país, para garantir sua alimentação e higiene. A iniciativa é da organização Habitat para a Humanidade Brasil
    • O Fundo Fica criou o Fundo Emergencial FICAemcasa para levantar recursos destinados a auxiliar projetos e instituições sociais ligados à moradia e à cidade. Os dados bancários para a transferência podem ser acessados na página do novo fundo
    • Pela plataforma de cashback Ame Digital, é possível fazer doações para organizações como a Cruz Vermelha Brasileira e Cidades Invisíveis, que realizarão ações emergenciais em comunidades impactadas pela covid-19, como atendimento preventivo e distribuição de cestas básicas. Quem doa recebe até R$15 de volta em cashback
    • A ONG Ação da Cidadania está, em parceria com o Movimento Bem Maior, arrecadando doações que serão revertidas em cestas de alimentos não perecíveis e materiais de higiene para os trabalhadores e famílias que estão atualmente sem nenhuma possibilidade de geração de renda devido à pandemia. É possível apoiar pela plataforma Benfeitoria
    • Também pela plataforma Benfeitoria, a Fundação Tide Setubal irá arrecadar recursos para financiar iniciativas voltadas ao enfrentamento dos efeitos do coronavírus nas periferias brasileiras. O projeto ainda está na fase de cadastramento dos projetos participantes. O valor das doações obtidas será multiplicado com um aporte da fundação.

    Indígenas

    • A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, associação nacional de entidades que representam os povos indígenas, criou uma vaquinha online para arrecadar fundos para a compra de alimentos e medicamentos, que serão distribuídos nas aldeias.

    População de rua

    • O MTST( Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) criou um fundo de emergência para ajudar na compra de alimentos e itens de higiene para a população sem-teto de vários estados brasileiros. É possível doar pela plataforma Vakinha ou por meio de uma transferência bancária
    • Com o objetivo de atender a mais de 20 centros de acolhida de São Paulo, a Associação de Resgate à Cidadania Por Amor à Humanidade está arrecadando recursos para a compra de itens de higiene e produtos de limpeza voltados à prevenção do coronavírus entre a população de rua. É possível doar pelo site da associação
    • Maior centro de acolhimento de São Paulo, o Arsenal da Esperança, na Mooca, precisa de doações de alimentos não perecíveis, itens de higiene e materiais de limpeza. Os produtos podem ser entregues presencialmente. Também é possível contribuir com um depósito bancário
    • Para colaborar com a ONG Centro de Convivência É de Lei, que atua na redução de danos a usuários de drogas, podem-se doar itens de higiene no endereço da organização, no centro de São Paulo, ou fazer doações em dinheiro em seu site. Os produtos serão distribuídos em ações na região da cracolândia paulistana.

    Estabelecimentos

    Uma postagem em defesa dos pequenos negócios tem circulado nas redes sociais, estimulando consumidores a lhes darem preferência.

    “Peça comida das pequenas lanchonetes. Compre no pet shop da esquina e não de grandes redes. Vá na mercearia perto da sua casa e não na grande rede de supermercado. McDonald’s vai sobreviver. Carrefour vai sobreviver”, diz o texto. O movimento é incentivado pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), segundo o qual os pequenos negócios são responsáveis por mais da metade dos empregos formais no país.

    O setor de eventos e turismo também cria estratégias para sobreviver: uma empresária mineira lançou a campanha “não cancele, remarque” com o objetivo de minimizar prejuízos.

    Há muitas ações dispersas voltadas a apoiar comércios de bairro, bares e restaurantes. Na impossibilidade de dar conta de todas elas, o Nexo lista abaixo campanhas e plataformas que centralizam iniciativas desse tipo.

    • A campanha Apoie um restaurante, criada pela marca de cerveja Stella Artois, permite adquirir um voucher de R$ 50 para gastar em restaurantes de todo o Brasil, que equivalerá a R$ 100 de consumo nos estabelecimentos, válidos até o fim de 2020. Metade do valor do voucher é paga pelo consumidor e a outra metade pela marca, permitindo que os negócios sigam arrecadando receita
    • Na plataforma Abaca$hi, uma série de bares, cafés e outros estabelecimentos estão arrecadando contribuições que também poderão ser resgatadas após a pandemia. É possível realizar uma busca na plataforma para ajudar os negócios do seu bairro
    • O site No bairro tem agrega até o momento mais de mil pequenos negócios na Região Metropolitana do Recife. Os estabelecimentos se cadastram e com isso podem ser encontrados por moradores das proximidades de sua localização. Foi criado por professores e alunos do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco
    • O projeto Gentileza Gera Gentileza criou um vale-presente no valor único de R$ 150, válido por um ano, que pode ser usado a partir de outubro em cerca de 60 restaurantes e bares. Para colaborar, é preciso fazer o download e se registrar no aplicativo Start Pay
    • Outro projeto que busca ajudar restaurantes do Rio de Janeiro e São Paulo com a compra de vouchers antecipados é o Menu do amanhã, idealizado pelo especialista em tendências gastronômicas Gabriel Gasparini e pela empresa Suflex. No site Gaspa indica, é possível selecionar um estabelecimento para contribuir, tendo um ano para usufruir do valor.

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