8 notícias promissoras da ciência sobre a pandemia do coronavírus

Há tratamentos em fase de testes na China, EUA e Canadá. Região que foi epicentro inicial do surto da doença tem dia sem registros de novos casos de transmissão local

    A pandemia do novo coronavírus tomou os noticiários por completo nas últimas semanas. Para além da imprensa, o tema se tornou assunto recorrente no WhatsApp, em conversas entre amigos e discussões em família.

    Com a disseminação do vírus nas cidades brasileiras, veio a recomendação para a população diminuir o contato e praticar o chamado distanciamento social, para limitar a circulação de pessoas nas ruas e assim desacelerar a contaminação. Aulas foram suspensas, o transporte público foi interrompido, o trabalho remoto foi aderido por diversas empresas e, na cidade de São Paulo, parte do comércio suspenderá suas atividades por duas semanas.

    São mais de 225 mil casos registrados no mundo, até a manhã de quinta-feira (19), com 529 casos confirmados no Brasil. Ao todo, cerca de 9.200 pessoas morreram em decorrência da síndrome respiratória causada pelo vírus Sars-CoV-2.

    Em meio às preocupações, inseguranças e medos, há algumas notícias boas referentes à pandemia, que podem trazer um pouco mais de tranquilidade. O Nexo reúne algumas delas aqui.

    A hidroxicloroquina para tratamento

    Alguns novos estudos vêm apontando para a capacidade da hidroxicloroquina, um medicamento usado contra a malária, tratar o novo coronavírus. Uma pesquisa de cientistas chineses publicada na quarta-feira (18) apontou que a droga foi eficaz em inibir a infecção pelo vírus em uma simulação in vitru.

    Já um estudo realizado na França testou a hipótese em uma amostra pequena de pacientes, e obteve bons resultados. Segundo os pesquisadores, 20 casos foram tratados dessa forma e apresentaram redução na carga viral em até seis dias. Em alguns casos, foi administrado também um antibiótico chamado azitromicina.

    Mesmo com os estudos, o uso do remédio da hidroxicloroquina para o tratamento do coronavírus ainda precisa passar por testes clínicos para ter sua eficácia comprovada. Na quinta-feira (19), o presidente americano, Donald Trump, pediu que testes para aprovação do uso da droga com esse fim sejam acelerados. Na mesma entrevista, Stephen Hahn, diretor da Food and Drug Administration, órgão americano responsável por aprovar medicamentos, reforçou que é necessário um teste amplo, com grande número de participantes, para avaliar a eficácia da droga nessa situação, e alertou para a importância de não dar falsas esperanças a pacientes.

    O uso do favipiravir no tratamento

    Na China, o medicamento japonês favipiravir se mostrou efetivo no tratamento de pessoas que foram infectadas com o Sars-CoV-2. O anúncio foi feito na terça-feira (17) pelo governo chinês.

    O teste foi realizado com um grupo de cerca de 200 pacientes da região de Shenzhen. Para a tosse, a melhora veio, em média, 4,6 dias depois da administração do remédio. Já para a presença do material genético do vírus, a melhora apareceu quatro dias depois.

    O favipiravir age bagunçando o processo de cópia do RNA, molécula parecida com o DNA e que é encontrada em diversos vírus. Ao fazer isso, o medicamento tenta impedir que o Sars-CoV-2 se reproduza dentro do corpo.

    São resultados iniciais, que ainda precisam ser analisados por mais cientistas em busca de evidências mais conclusivas – algo que ilustra o desafio de buscar tratamentos para um vírus novo.

    O favipiravir, vendido com o nome de Avigan, é produzido sob demanda apenas no Japão e ainda não tem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

    Há controvérsias quanto ao uso do favipiravir no Japão. Em 2014, agências regulatórias do país determinaram que o Avigan só seria usado em caso de combate a um novo tipo de epidemia viral, já que, segundo o jornal asiático Nikkei, estudos demonstraram que o uso do medicamento pode causar morte fetal em grávidas.

    A Coreia do Sul optou por não importar o Avigan por enquanto por não haver uma quantidade significativa de dados que comprovam a eficácia do medicamento.

    A Fujifilm, empresa que desenvolve o Avigan, está conduzindo testes com a droga no Japão, e não há previsão da divulgação dos resultados. Já a China pretende produzir uma versão genérica do favipiravir, que não será vendida com o nome Avigan.

    A vacina chinesa

    Na terça-feira (17), a China autorizou o teste em humanos de uma vacina desenvolvida pela Academia Chinesa de Ciências Médicas Militares.

    A data de início dos testes ainda não foi divulgada, bem como o período de monitoramento e a quantidade de pessoas que vão participar do experimento.

    Segundo a Academia Chinesa de Ciências Médicas Militares, a equipe de desenvolvimento teve êxito na fórmula, considerada segura por usar um método que conta apenas com agentes antígenos, sem a necessidade de trazer em sua composição alguma quantidade do agente patogênico, como acontece nos tipos tradicionais de vacina.

    Não há previsão de tempo para o início da comercialização pública da vacina após a conclusão dos testes.

    A vacina americana

    Os EUA também desenvolveram uma vacina para o novo coronavírus, que já começou a ser testada em humanos.

    O experimento teve início na segunda-feira (16), na cidade de Seattle, em Washington, um dos estados americanos mais atingidos pelo coronavírus. A fórmula foi desenvolvida pela startup de biotecnologia Moderna, com financiamento do Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

    A Moderna vai realizar os testes em 45 adultos de 18 a 55 anos, acompanhando-os por seis semanas. Essa fase de testes tem como objetivo entender como diferentes doses da vacina agem no corpo, bem como seus efeitos colaterais.

    Depois de concluída a fase inicial, mais testes serão feitos para validar a fórmula, encaminhando-a para uma produção em massa – esse é um processo que pode durar de 12 a 18 meses, dependendo do andamento dos experimentos e dos trâmites legais.

    A vacina canadense

    A Medicago, empresa canadense de biotecnologia, anunciou na sexta-feira (13) que conseguiu desenvolver uma vacina efetiva contra o novo coronavírus.

    Segundo a Medicago, os testes em humanos poderiam começar em julho ou agosto, dependendo do andar da burocracia que envolve a regulamentação de medicamentos no país.

    Em comunicado oficial, Bruce Clark, CEO da Medicago, afirmou que acredita que a vacina poderá ser disponibilizada ao grande público em 18 meses.

    Uma técnica antiga de tratamento para um vírus novo

    Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, estão trabalhando desde 13 de março para realizar testes de tratamento do coronavírus usando uma técnica que data do começo do século 20.

    A técnica consiste em aplicar anticorpos de pessoas que foram infectadas pelo Sars-CoV-2 e se recuperaram em pessoas que foram recentemente contaminadas pelo vírus. A hipótese é que os anticorpos aplicados podem ser capazes de neutralizar o novo coronavírus.

    Todo o experimento está sendo liderado pelo imunologista Arturo Casadevall, que diz acreditar que, após testes bem-sucedidos, uma linha de tratamento pode ser montada e ativada em poucas semanas.

    O tratamento usando anticorpos não é novidade. A técnica foi usada na pandemia de Gripe Espanhola de 1918 e em alguns casos do surto de outro coronavírus, o Sars-CoV, na Ásia, em 2003.

    Zero novos casos em Wuhan

    O novo coronavírus teve origem na cidade chinesa de Wuhan, que, por diversas semanas, foi o epicentro global da epidemia.

    Na quarta-feira (18), Wuhan registrou zero novos casos pela primeira vez desde o início do surto, no fim de dezembro de 2019. Ao todo, Hubei, província que tem a cidade como capital, registrou 67,8 mil casos, com 3.122 mortes.

    Zero novos casos de transmissão local na China

    Também na quarta-feira (18), a China anunciou que, além de não registrar novos casos em Wuhan, não registrou nenhum novo caso de transmissão local. Os 34 novos casos registrados são todos de pessoas que foram contaminadas no exterior e voltaram de viagem.

    Em todo o país, já foram registrados mais de 81 mil casos. Desses, 7.263 permanecem internados.

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