Ir direto ao conteúdo

As quadras de esporte de 3.400 anos descobertas no México

Arqueólogos descobriram espaço onde povos mesoamericanos disputavam jogo de bola que servia para fortalecer comércio e alianças políticas

Arqueólogos da Universidade George Washington descobriram quadras de um esporte desconhecido enquanto escavavam Etlatongo, um sítio arqueológico na região de Oaxaca, no sul do México. Há 3.400 anos, ficava ali uma vila de povos mesoamericanos.

O projeto de pesquisa, iniciado em 2015, escolheu uma área central da comunidade para escavar na expectativa de encontrar palácios ou templos importantes. Dois anos depois, os pesquisadores encontraram dois campos esportivos, um mais novo construído sobre um mais antigo. O estudo foi publicado na revista Science Advances na sexta-feira (13).

Analisando resquícios de madeira queimada da área, eles estimaram que a quadra mais velha datava de 1374 a.C. Em idade, ela só perde para outro campo mais ao sul no México, no sítio arqueológico de Paso de la Amada.

2.300

é o número de prováveis campos esportivos encontrados em sítios arqueológicos mesoamericanos

A maior parte das quadras escavadas na região da Mesoamérica — que inclui o México central e grande parte da América Central — era dos povos maias e astecas. Elas têm no máximo 1.800 anos de idade. As descobertas em Etlatongo são de povos bem anteriores.

Segundo o arqueólogo da Universidade de Boston David Carballo, que não participou dessa escavação, as partidas disputadas nesses espaços “podem ser os jogos de bola em equipe mais antigos do mundo”.

Como eram as quadras. E qual a importância delas

As quadras de Etlatongo tinham paredes de pedra, com uma série de bancos também de pedra na sua base. No primeiro campo, os participantes se moviam dentro de uma área de 1.150 m² a 1.300 m², o que equivale a menos de um quinto de um campo de futebol atual. O segundo foi construído nos mesmos moldes do primeiro, só que com uma área um pouco maior.

Um dos arqueólogos do projeto, Jeffrey Blomster, afirma que havia um esforço coletivo de diversas regiões e grupos da Mesoamérica para o desenho das plantas que acabaram servindo de base para a construção das quadras.

As partidas tinham uma importância política. Times eram convidados a fim de estreitar mercados e alianças de dois grupos diferentes. Líderes novos também usavam esses eventos para ostentar poder e riqueza às demais regiões. E a desigualdade já se tornava visível com base em quais assentos eram dados para cada grupo assistir aos jogos.

Maias e astecas depois readaptaram o jogo e, no caso dos últimos, as rivalidades políticas eram muitas vezes levadas para campo. Em algumas ocasiões, as partidas eram até pontuadas por sacrifícios humanos.

O que se sabe sobre o jogo disputado

Regras e detalhes das partidas são mais especulativas. No sítio arqueológico de Etlatongo, os pesquisadores encontraram pedaços de 14 estatuetas de cerâmica do que seriam os atletas. As imagens vestem um cinto acolchoado que lembra em muito aqueles usados nos jogos mesoamericanos de povos mais modernos.

O “pok-ta-pok” dos maias (ou “ullamaliztli” para os astecas) era um esporte no qual apenas os quadris podiam ser usados para rebater uma bola de borracha contra a parede até que ela passasse por dentro de um aro. Especula-se, no entanto, que na época de Etlatongo os jogos se assemelhavam mais a um vôlei de quadris, já que não foram encontrados vestígios de aros no sítio arqueológico.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: