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Quais são os níveis de transmissão do novo coronavírus

Brasil confirmou casos de propagação entre pessoas que não estiveram em países onde há alta incidência de contaminação. OMS resiste em declarar estado de pandemia

    Em meio à epidemia do novo coronavírus, o Brasil terminou o sábado (7) computando 19 casos confirmados de contaminação. No mundo, o número ultrapassava 100 mil.

    O vírus, cujo nome é Sars-CoV-2, é responsável pelo aparecimento da Covid-19, doença respiratória cujos sintomas incluem febre baixa, tosse e dificuldade para respirar.

    O Ministério da Saúde tem trabalhado em ações de contenção para evitar a maior propagação dos vírus. Entre as decisões, está a compra de kits de diagnóstico e itens de proteção para profissionais da rede pública de saúde.

    Os níveis de transmissão

    Até a manhã de quinta-feira (5), todos os casos confirmados eram de pessoas que tinham viajado para a Itália, país europeu com o maior número de casos. Porém, na noite de sábado já são três casos de transmissão local, ou seja, de pessoas que não estiveram em nenhum país com alta incidência do vírus.

    Dois dos casos de transmissão local têm relação com o primeiro teste positivo confirmado do vírus no Brasil, de um homem de 61 anos que havia chegado da Itália. O terceiro caso de transmissão no país é de uma trabalhadora doméstica que teve contato com a paciente do primeiro caso ocorrido na Bahia.

    Depois do nível de transmissão local, há o nível de transmissão comunitária, que é quando o vírus passa a ser transmitido localmente, mas não é possível saber qual sua origem, que se deu em um paciente que não apresentou nenhum tipo de sintomas.

    Países como a China, a Coreia do Sul e o Irã já estão em uma situação de transmissão comunitária, em grandes proporções. No Brasil, os casos suspeitos estão sendo monitorados pelo Ministério da Saúde.

    “O pânico não é necessário”, disse ao Nexo Luciana Costa, diretora adjunta do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O que é necessário é praticar as medidas de prevenção que estão sendo divulgadas na mídia e pelo Ministério da Saúde”, afirmou.

    “Com informação e prevenção, é possível controlarmos a situação rapidamente, mesmo caso tenhamos uma transmissão comunitária”, complementou.

    Quais são os níveis de alerta

    O CCD (Centro de Controle de Doenças) dos EUA tem três níveis de alerta para classificar países em situação de epidemia.

    O nível 1, o mais baixo, recomenda que pessoas que vão viajar para países infectados sigam apenas os procedimentos básicos de prevenção, que envolvem a higienização das mãos e a etiqueta respiratória. O território de Hong Kong está nessa classificação.

    Já o nível 2, intermediário, recomenda um reforço ainda maior dos procedimentos básicos de prevenção. O Japão está no alerta de nível 2. O nível 3 é o mais alto, e o CCD recomenda que viagens não essenciais para esses países sejam evitadas. É o caso da China e da Itália.

    O Brasil, com poucos casos confirmados, não se encaixa em nenhum dos níveis de alerta.

    Glossário

    Surto

    É quando há o aumento repentino dos números de uma doença em uma região específica.

    Epidemia

    É caracterizada quando há o aumento de surtos em diversas regiões.

    Pandemia

    É definida quando há um grande número de epidemias em diversas regiões do planeta, sendo o pior dos cenários infectológicos.

    O estado de pandemia

    A OMS (Organização Mundial da Saúde) define a propagação do novo coronavírus pelo mundo como uma epidemia. A covid-19 ainda não está, portanto, no estado de pandemia. Apesar de existirem milhares de casos no mundo todo, a OMS afirma que ainda é possível traçar a origem a zonas com maior número de casos.

    Em 3 de março, Michael Ryan, um dos oficiais sênior da OMS, afirmou em entrevista que, além de a situação não poder ser classificada como pandemia, é preciso ter cautela ao usar a palavra para não criar um alarme maior do que o necessário em populações e governos.

    “O estado de pandemia ainda não foi declarado – mas pode vir a ser – porque a OMS ainda trabalha com a perspectiva de que a situação pode ser controlada”, disse Luciana Costa.

    O que muda com o estado de pandemia

    Não há mudanças significativas nas recomendações da OMS caso o estado de pandemia seja declarado.

    Na infectologia, há duas rotas de ação principais: a contenção e a mitigação. Segundo Costa, a preocupação da OMS é que, ao se declarar um estado de pandemia, haja um relaxamento nas ações de contenção.

    Ao se declarar um estado de pandemia, os países ficam desobrigados de testar todos os casos suspeitos e passam a trabalhar para diminuir os efeitos do vírus.

    O que fazer no caso de sintomas

    Tosse seca, febre e dificuldade respiratória são os principais sintomas do novo coronavírus, mas também estão presentes em doenças como a gripe.

    Segundo o Ministério da Saúde, pessoas que venham a apresentar esses sintomas, mas não estiveram em países infectados, não precisam se preocupar com a possibilidade de estarem infectados com o coronavírus.

    “Se você tem algum desses sintomas, mas não esteve numa dessas regiões, fique em casa”, disse ao Nexo Átila Iamarino, doutor em virologia pela USP (Universidade de São Paulo) e divulgador científico no canal de YouTube Nerdologia. “A última coisa que queremos é encher o hospital de gente achando que tem coronavírus, pegando outras doenças e transmitindo outras coisas para quem está lá.”

    Caso o indivíduo se encaixe nos parâmetros necessários para ser considerado suspeito, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente o aplicativo Coronavírus-SUS, para celulares Android e iOS, que traz instruções de como proceder e entrar em contato com a unidade pública de saúde mais próxima.

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