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O avanço do coronavírus no mundo. E os casos no Brasil

Ministério da Saúde registrou segundo paciente contaminado que também havia estado na Itália. Por ora, não há transmissão interna em território brasileiro. Governos de países mais atingidos restringem aglomerações e viagens

Os últimos dias de fevereiro foram marcados pela expansão no número de casos do novo coronavírus ao redor do mundo, o que deixou governos em estado de alerta.

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou no sábado (29) um segundo caso de Covid-19, nome dado à doença respiratória causada pelo novo coronavírus. Assim como o primeiro, confirmado na Quarta-feira de Cinzas (26), é um caso "importado" da Itália, país com o mais grave surto do vírus fora da Ásia.

Desde 26 de fevereiro, o número de novos casos diários fora da China ultrapassou o registrado no país que é epicentro da epidemia. Até domingo (1), pelo menos 60 países tinham pessoas infectadas – quatro dias antes, eram pouco mais de 40.

A situação no Brasil

O primeiro caso confirmado no país foi um empresário de 61 anos que viajou à Itália entre 9 e 21 de fevereiro. Desde o diagnóstico, está em condição estável e cumpre isolamento em casa, em São Paulo.

O novo caso é de um homem de 32 anos que chegou de viagem de Milão na quinta-feira (27). Ele pegou avião de máscara, acompanhado da esposa, que não apresenta sintomas. No Brasil, foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, na sexta (28).

Por ter o quadro clínico estável, foi orientado pelos médicos a ficar em isolamento domiciliar, onde será monitorado pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. A Anvisa (Agência Nacional de Segurança Sanitária) e secretarias de Saúde investigam possíveis contatos próximos feitos durante a viagem.

Não há evidências de que o vírus tenha sido transmitido dentro do Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Até domingo (1), o órgão havia contabilizado 252 suspeitas de infecção e descartado 89. Quatorze estados do país, além do Distrito Federal, têm casos suspeitos. A maior parte está em São Paulo.

A partir de segunda-feira (2), as notificações de casos suspeitos passarão a ser consolidadas pelas secretarias de Saúde dos estados – até agora, todos os dados eram reanalisados pelo órgão federal. A descentralização busca dar mais agilidade na resposta à doença, segundo a pasta. No sábado (29), os governadores do Sul e do Sudeste afirmaram que vão enviar uma carta ao governo federal pedindo mais recursos para lidar com o vírus.

Os exames de confirmação do vírus continuam a passar por validação em laboratórios de referência. Inicialmente, os testes eram feitos apenas na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, mas no sábado (29) o Ministério da Saúde adicionou o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, o Instituto Evandro Chagas, no Pará, e o Lacen Goiás, em Goiânia, à lista.

No Adolfo Lutz, pesquisadores conseguiram sequenciar o genoma do vírus que contaminou o primeiro paciente confirmado no Brasil em tempo recorde, processo que ajuda a agilizar a resposta do país à doença. Uma amostra do segundo infectado também será enviada à instituição para análise.

A situação no mundo

Líderes de diversos países implementaram restrições no fim de semana para tentar conter o avanço da epidemia, que teve o nível de alerta internacional elevado para "muito alto" pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na sexta-feira (28). Nas últimas semanas, uma série de eventos esportivos, shows e conferências de negócios têm sido canceladas ao redor do mundo para evitar reunir muitas pessoas no mesmo ambiente.

A situação mais grave fora da China está na Coreia do Sul e na Itália. Até domingo (1), o número de casos na Coreia passava dos 3.700. Autoridades evitam aglomerações públicas, igrejas estão fechadas e muitas realizaram cultos online. Embora o número de casos no país seja o maior fora da China, a quantidade de mortes até agora – 17 – é menor do que em outros lugares com menos casos.

Na Itália, até domingo (1) o número de casos confirmados estava perto de 1.700, com 34 mortes. Escolas e universidades da região norte, a mais afetada, ficarão fechadas por uma segunda semana. Pelo potencial impacto no turismo e nas indústrias do país, analistas temem que o surto da doença afete a já frágil economia italiana. O governo anunciou um pacote econômico para mitigar os efeitos do vírus.

A França decidiu pela proibição temporária de eventos com mais de 5.000 pessoas em locais fechados. O Museu do Louvre não abriu no domingo (1), e uma meia maratona que reuniria cerca de 40.000 corredores no mesmo dia foi cancelada. A Suíça criou regras parecidas, banindo eventos que possam reunir mais de 1.000 pessoas.

A situação no Irã tem gerado preocupação pelo temor de que os números divulgados pelo governo não reflitam a realidade. A quantidade oficial de casos está próxima dos 1.000, segundo dados de domingo (1), e os mortos já passam de 50. Escolas e universidades foram fechadas, e eventos culturais e esportivos estão proibidos.

Nos Estados Unidos, país onde no sábado (29) foi registrada a primeira morte pela doença, o governo orientou cidadãos a não viajar para as áreas mais afetadas da Itália e da Coreia do Sul. Um monitoramento mais forte deve ser implementado para passageiros que chegarem dos dois lugares. Maiores restrições também serão postas em prática para visitantes que tenham passagem pelo Irã.

O novo coronavírus registrou mais de 88 mil casos confirmados ao redor do mundo e causou quase 3.000 mortes, até domingo (1).

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