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A pesquisadora que procura frutas raras em obras de arte

Segundo agrônoma italiana, pinturas renascentistas fornecem pistas importantes em sua busca por variedades incomuns

O trabalho da agrônoma italiana Isabella Dalla Ragione pode ser descrito como uma arqueologia de variedades raras de fruta. Há trinta anos ela pesquisa tipos de fruta antigos e difíceis de encontrar nas redondezas de Perúgia, cidade onde nasceu.

Inicialmente se valendo de histórias orais e documentos antigos para identificar variedades de frutas como maçãs e pera, Dalla Ragione percebeu um dia que poderia também contar com a ajuda da arte renascentista em sua missão.

A ideia surgiu durante uma sessão de trabalho na biblioteca do Palazzo Bufalini, na cidade de Espoleto. “Eu às vezes olhava para o teto para descansar meus olhos da leitura”, afirmou ela ao site Atlas Obscura. “Comecei a pensar se aqueles afrescos poderiam me dizer algo sobre variedades antigas”.

Frutas, verduras e legumes são elementos encontrados com frequência em pinturas renascentistas. No Palazzo Bufalini, a agrônoma italiana conheceu o trabalho de Cristofaro Gherardi, discípulo de Giorgio Vasari, conhecido por incentivar seus alunos a usar “frutas de verdade” como modelos. "Gherardi pintou pepinos, melões e abóboras depois de estudá-los na vida real", disse Dalla Ragione. "Então eles devem ter crescido em fazendas próximas ou no próprio pomar do palácio."

Outra pintura estudada por Dalla Ragione foi “Virgem e criança com uma pera”, do artista alemão Albrecht Durer, de 1526. A pesquisadora descobriu que a fruta retratada é, na verdade, uma variedade antiga de maçã, apelidada na região da Perúgia de “boca de boi”.

A busca pelas frutas na natureza

Ao descobrir uma variedade, a agrônoma tenta encontrá-la na natureza. A maçã que não era pera, do quadro de Durer, por exemplo, foi achada em um campo abandonado perto de Perúgia.

Uma vez achada a fruta, ela procura cultivar três amostras em sua fazenda e as oferece para “adoção” em seu site Archeologia Arborea. “Se você adota uma árvore, significa que sua contribuição será usada para a conservação. Alguns pais adotivos vem de lugares distantes, como EUA e Austrália”, afirmou. No total, são mais de 600 plantas sob seus cuidados.

O projeto Archeologia Arborea foi fundado pelo pai de Dalla Ragione, Livio. Fazendeiro, ele passou boa parte de sua vida tentando preservar tradições locais. “Ele passava horas procurando por equipamentos e plantas em campos abandonados”, recordou a pesquisadora. “Para mim, como criança, era como caçar tesouros perdidos”.

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