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Coronavírus: o fim da quarentena no Brasil e o drama na China

Brasileiros que estavam isolados em uma base militar em Anápolis, em Goiás, foram liberados após exames descartarem contaminação. No país asiático, epicentro da epidemia, governo vê a ‘maior emergência de saúde’ desde 1949

    As 58 pessoas que estavam sendo mantidas em quarentena desde 9 de fevereiro numa base aérea em Anápolis, em Goiás, foram liberadas neste domingo (23) após um terceiro exame descartar contaminação pelo novo coronavírus.

    O grupo era formado por 34 brasileiros e parentes que estavam em Wuhan, cidade chinesa que é o epicentro da epidemia, e outras 24 pessoas que integraram a equipe de apoio designada pelo governo brasileiro para realizar o resgate no país asiático.

    Local do isolamento

    Mapa da região de Goiânia com destaque para a cidade de Anápolis em vermelho. No noroeste, em amarelo, base aérea de Anápolis

    A princípio, o isolamento duraria 18 dias, mas o período foi encurtado devido ao cumprimento dos protocolos internacionais de saúde, com exames e acompanhamento que permitiram descartar a presença do vírus.

    “Sentimos orgulho pelo resultado da operação bem-sucedida e alívio pelo retorno dos nossos brasileiros aos seus lares com os resultados dos exames dando negativo”

    Fernando Azevedo e Silva

    ministro da Defesa do governo brasileiro

    Todas as pessoas voltaram aos seus estados de origem, nove no total. Até a tarde de domingo (23), o Brasil registrava apenas uma suspeita do novo coronavírus em um paciente do Rio. Os agentes de saúde brasileiros já descartaram 51 casos desde janeiro.

    Clima brasileiro dificulta disseminação do vírus

    A família do coronavírus é conhecida desde os anos 1960 e causa infecções respiratórias em seres humanos e animais. A maioria dos casos resulta em doenças leves e moderadas, como resfriados.

    O novo tipo observado na China, batizado de Covid-19, veio provavelmente de animais vendidos no mercado em Wuhan. O vírus causa sintomas comuns aos outros tipos, como febre, tosse, dor muscular e cansaço, mas também pode dar início a uma pneumonia severa e levar à morte.

    Epicentro da epidemia

    Mapa mostra localização de Wuhan

    As infecções têm sido observadas especialmente em países do hemisfério norte, que estão no inverno. Em entrevista ao Nexo, o virologista Edison Durigon, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, disse que a disseminação em regiões de clima quente é mais difícil. Por isso, segundo o professor, as chances de uma epidemia no Brasil, no momento, são pequenas.

    O drama na China e os alertas em outros países

    O número de mortes causadas pelo novo coronavírus se aproxima de 2.500 na China, segundo dados de domingo (23). E o número de pessoas infectadas no país asiático ultrapassa 77 mil.

    O presidente chinês, Xi Jinping, classifica a situação como “a maior emergência de saúde” do país desde a Revolução Comunista de 1949. O dirigente admite “deficiências” na resposta oficial à epidemia.

    O médico Li Wenlinag, por exemplo, tentou dar alertas sobre o novo vírus, mas acabou perseguido por agentes do governo. Li Wenlinag morreu após ser infectado pelo coronavírus e seu caso revoltou uma população que sente estar desprotegida e isolada.

    Cerca de 98% dos casos foram registrados na China, mas o alerta se espalha por outros países. A Itália confirmou no domingo (23) a terceira morte causada pelo novo corononavírus.

    O governo italiano está restringindo a circulação nas cidades afetadas, incluindo um toque de recolher que afeta escolas e comércio. É o primeiro país da Europa a tomar medidas assim.

    Já a Coreia do Sul emitiu um “alerta máximo” contra o novo vírus. Os sul-coreanos registraram cinco mortes. O país com maior número de vítimas fatais depois da China é o Irã. O país do Oriente Médio já havia registrado oito mortes até domingo (23).

    Colaborou com os mapas Thiago Quadros.

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