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Por que as baladas de Berlim querem virar patrimônio cultural

Representantes do setor buscam apoio do Parlamento para proteger casas noturnas. Cultura clubber movimentou 1,5 bilhão de euros na cidade em 2018

    Em Berlim, a noite e a balada são levadas muito a sério. A cultura clubber é vista como parte da identidade contemporânea da capital alemã e é ímã de turistas. Um estudo calculou que, em 2018, pelo menos 3 milhões de pessoas visitaram a cidade por causa da noite e foram responsáveis por gastar cerca de 1,5 bilhão de euros.

    No início de fevereiro de 2020, representantes do setor participaram de uma audiência no Parlamento alemão para pedir que casas noturnas ganhem o mesmo status cultural de casas de ópera, salas de concerto e teatros. O objetivo é proteger os locais de processos de gentrificação – que acontece quando o perfil socioeconômico de uma região fica mais elitizado –, que muitas vezes resultam no fechamento dos locais de festa devido a reclamações e pressão dos novos vizinhos.

    Nos últimos 10 anos, cerca de 100 clubes de Berlim encerraram suas atividades. Em janeiro de 2020, foi a vez de o Griessmuehle, local da célebre festa LGBTI Cocktail d’Amore, anunciar seu fim. O dono do imóvel pretende construir um conjunto de escritórios no lugar. Mais 15 locais podem ter o mesmo destino em breve. Surgiu até uma nova palavra para descrever o fenômeno: “clubsterben” (ou “morte de clubes”, em tradução livre).

    A mobilização dos clubes

    Segundo Lutz Leichsenring, porta-voz da associação Club Commission, os limites de barulho podem ser menos rígidos em áreas específicas. Falando ao Nexo, o representante dos clubes explicou que as demandas foram bem recebidas por quase todos os partidos no Parlamento, exceto pelo AfD, de extrema direita.

    “As respostas foram positivas, inclusive dos sociais-democratas e dos conservadores, que estão no governo atualmente”, afirmou Leichsenring. De acordo com ele, os trabalhos de avaliação das demandas contarão com especialistas para discutir questões técnicas da mudança de status dos locais.

    Em 2018, algumas subprefeituras de Berlim liberaram cerca de 1 milhão de euros para que clubes realizassem obras de isolamento acústico, com o objetivo de minimizar conflitos entre casas noturnas e zonas residenciais próximas. “A cultura do techno já deu tanto a Berlim, usar um pouco do dinheiro do contribuinte para apoiá-la é o mínimo que podemos fazer”, falou um vereador à época.

    Atualmente, as casas noturnas são tratadas como locais de entretenimento. Como parte dessa categoria, elas têm de pagar 19% de imposto sobre bens e serviços – venda de ingressos e bebidas, por exemplo. Em 2016, o clube mais famoso da cidade, o Berghain, ganhou na Justiça o direito de pagar menos impostos ao provar que era um espaço de valor cultural.

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