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Qual é a rede social que tenta rivalizar com o Twitter

Lançado em 2016, o Mastodon ganha o interesses de brasileiros com estrutura descentralizada e interface parecida com a do concorrente

    No ar desde 2006, o Twitter é uma das principais redes sociais do mundo. Dez anos após o seu lançamento, uma plataforma foi fundada com a proposta de fazer frente a ele. Em 2016, o Mastodon surgia como uma rede descentralizada, com o objetivo de “não cometer os mesmos erros” que o Twitter.

    No entanto, a plataforma só ganhou tração no Brasil em 2020. Na semana de 10 a 16 de fevereiro, houve um aumento de 450% nas buscas pela rede social no Google, segundo dados do Trends, ferramenta que monitora as pesquisas no buscador.

    É possível encontrar dezenas de usuários afirmando que criaram uma conta no Mastodon e que pretendem abandonar o Twitter. “Devido às últimas tretas do Twitter, acho que vou migrar para o Mastodon”, escreveu um usuário. “Pessoal, estou no Mastodon e logo devo desativar o meu Twitter”, afirmou outro.

    O que é o Mastodon

    O Mastodon é uma rede social descentralizada – ou seja, não é administrada por nenhum indivíduo, governo ou empresa. A plataforma tem código aberto, o que significa que qualquer pessoa pode criar sua própria versão do Mastodon, ou, no termo técnico usado por eles, uma instância do Mastodon.

    Essas instâncias têm temas específicos, e também regras específicas. A instância “colorid.es” foi feita para pessoas que falam português e se interessam pelos temas da comunidade LGBTI. Já a instância “masto.donte” foi criada para usuários brasileiros interessados em discutir temas do país.

    Apesar de contar com comunidades que trazem temas e regras específicas, à moda do finado Orkut, a rede social dá acesso a todas as instâncias: o mesmo usuário pode se engajar em diversos assuntos.

    Em publicação oficial, o programador Eugene Rochko, criador do Mastodon, diz que sua plataforma quer “corrigir os erros do Twitter”.

    Há anos, o Twitter sofre críticas por não saber lidar com casos de assédio e abuso na plataforma, afirmando que sempre busca manter a liberdade de expressão.

    No episódio mais recente de grande repercussão no Brasil, a rede social foi contestada pela inércia em lidar com uma campanha difamatória contra a repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo. A jornalista é a autora de uma reportagem que expunha um esquema de disparos em massa de mensagens falsas durante as eleições de 2018, e foi alvo de um depoimento mentiroso prestado por uma testemunha na CPI das Fake News no dia 11 de fevereiro. A mentira foi disseminada e endossada por diversos perfis nas redes, inclusive pelo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República.

    Segundo Rochko, fundador do Mastodon, o discurso nocivo não tem espaço na plataforma porque cada instância tem conjuntos específicos de regras e conta com administradores e moderadores que podem simplesmente advertir ou banir usuários que as violarem.

    Além disso, diz Rochko, o conteúdo visualizado pelo usuário pode ser filtrado. O usuário pode bloquear uma comunidade caso seus moderadores sejam relapsos, ou se o tema em debate ganhe um viés que não interesse a ele.

    A liberdade para criação de comunidades, no entanto, não é irrestrita. Há também um conjunto de regras gerais para todas as instâncias do Mastodon. Grupos dedicados à pornografia infantil, ofensivos às minorias e apologéticos ao nazismo são banidos automaticamente da rede (uma lista com todas essas regras pode ser lida aqui).

    A descentralização da moderação do conteúdo, afirma Rochko, é muito mais eficaz para detectar abusos e agir rapidamente. A estrutura centralizada no Twitter, que lida com uma massa muito grande de usuários, torna o processo decisório mais demorado. É mais difícil detectar abusos, e a preocupação da companhia com a liberdade de expressão faz com que a decisão sobre uma mensagem ofensiva leve dias – tempo suficiente para que uma mentira ou uma injúria se disseminem pela rede.

    Ao todo, o Mastodon tem cerca de 4,4 milhões de usuários, um número pequeno perto do Twitter (330 milhões de usuários) ou do Facebook (2,5 bilhões de usuários).

    O plano de descentralização do Twitter

    Apesar de o Mastodon se apresentar como uma rede social, é possível defini-lo como um protocolo.

    Na ciência da computação, protocolos são um conjunto de regras que possibilitam a comunicação, a transferência de dados e a conexão entre dois ou mais dispositivos diferentes. O email usa um protocolo chamado SMTP, e diferentes empresas criam serviços que trabalham a partir desse conjunto de regras — como o Gmail, do Google, e o Outlook, da Microsoft.

    Em dezembro de 2019, Jack Dorsey, CEO do Twitter, anunciou que estava trabalhando para descentralizar a plataforma, transformando-a em um protocolo.

    A ideia de Dorsey é criar um protocolo como esse só que para redes sociais, que poderia ser adaptado por serviços diferentes, criados por terceiros. O Twitter seria um deles.

    Em seu perfil no Twitter, o executivo deu algumas justificativas para a mudança de mentalidade dentro da empresa. “Serviços centralizados estão enfrentando novos e difíceis desafios. Por exemplo, uma política única e centralizada para conter o assédio online e a proliferação de desinformação tem dificuldades para ser ampliada no longo prazo sem colocar um fardo grande sobre as pessoas”, afirmou.

    Não foi dada uma previsão para a concretização das mudanças no Twitter.

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