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Como a crise climática ameaça patrimônios da humanidade

Site reúne modelos 3D, gráficos e imagens que mostram os efeitos do aquecimento global em sítios reconhecidos pela Unesco

A erosão está apagando o sítio arqueológico de Chan Chan, no Peru, sede do antigo Reino de Chimu, que ocupou a região costeira do atual país latino-americano a partir do século 10. A cidade é considerada patrimônio da humanidade, e tem sofrido com a elevação do nível do mar e os efeitos de fenômenos climáticos extremos, como chuvas e secas mais intensas.

Chan Chan é um dos cinco locais declarados patrimônio mundial pela Unesco que estão em risco e podem ser descobertos por meio do site Heritage on the edge (patrimônio no limite, em tradução livre).

Além das edificações de adobe, material antigo usado na construção civil, de Chan Chan, o portal também traz informações sobre a atual situação das estátuas da Ilha de Páscoa, na Polinésia; da capital da Escócia, Edimburgo; das mesquitas da cidade de Bagerhat, em Bangladesh, e das ruínas de Kilwa Kisiwani, na Tanzânia.

A plataforma conta a história desses lugares, destacando sua importância cultural e histórica, chama atenção para o que pode ser perdido com a mudança climática, e explica quais fenômenos climáticos colocam suas paisagens em risco. Destaca, ainda, quais medidas estão sendo tomadas para conter a destruição.

Entre os recursos oferecidos, há fotografias, modelos 3D, gráficos, vídeos, áudios e entrevistas com especialistas e habitantes locais. O site é um projeto conjunto do Icomos (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), associação ligada às Nações Unidas, do Google e da organização americana CyArk, que atua na digitalização do patrimônio cultural e arquitetônico com intuito de preservação.

O problema é muito maior do que as cinco localidades destrinchadas pela plataforma: outros milhares de sítios históricos pelo mundo estão sendo impactados pelo aquecimento global.

O presidente do Icomos, Toshiyoshi Kono, define o projeto como um chamado para a ação. “Os efeitos da mudança climática sobre nosso patrimônio cultural refletem impactos mais amplos [desse fenômeno] sobre o planeta e exigem uma resposta sólida e significativa”, escreveu em um post para o blog do Google. Ele afirma que, se ações localizadas podem evitar perdas locais, a única solução sustentável é uma mudança sistêmica, que reduza as emissões de gases de efeito estufa a nível global.

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