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Como o aplicativo TikTok se tornou influente na música 

Rede social de vídeos de até 15 segundos lança hits e tem fechado parcerias com gravadoras

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    O aplicativo de vídeos curtos TikTok, febre entre adolescentes, vem se firmando como ator relevante na indústria da música. Com a dublagem musical sendo um de seus usos mais comuns, a popularidade do TikTok é também um potencial criador de sucessos.

    “Old Town Road”, de Lil Nas X, um dos maiores sucessos globais de 2019, deve muito de seu alcance ao TikTok. Com uma permanência de 17 semanas consecutivas no primeiro lugar do ranking de mais executadas dos EUA, a mistura de country com rap decolou antes entre usuários do aplicativo.

    Outro número um americano de 2019, "Truth Hurts", da rapper e cantora Lizzo, viralizou primeiro em vídeos postados no TikTok. A música foi lançada originalmente em 2017 e nem constava do álbum que Lizzo lançou no ano passado, "Cuz I Love You". Com o sucesso inesperado, acabou incluída em uma versão especial do disco.

    “Tudo OK”, single de brega-funk de Thiaguinho MT e Mila com potencial de ser um dos hits do Carnaval de 2020, obteve projeção enorme no TikTok. Lançado pelo selo KondZilla, a música foi impulsionada ao aparecer em vídeos de usuários se arrumando para sair, seguindo as instruções da letra (“cabelo ok marquinha ok sobrancelha ok unha tá ok”).

    O aplicativo tem fechado parcerias com gravadoras. A nova música do DJ Rennan da Penha, “Carnaval Chegando”, por exemplo, foi lançada primeiramente no TikTok. Depois de dois dias de presença exclusiva no aplicativo, ela aparecerá em outras plataformas como Spotify ou YouTube.

    Cada vez mais, o TikTok busca ser reconhecido como plataforma de divulgação de artistas musicais. Em dezembro de 2019, realizou um workshop em que explicava como “usar as ferramentas do app para promover seu trabalho” na conferência musical SIM São Paulo, a maior do país.

    Segundo o jornal Financial Times divulgou em novembro de 2019, a empresa planeja lançar seu próprio serviço de streaming, em competição com Spotify e Deezer. A ByteDance, companhia chinesa que controla o TikTok, estaria em conversas com as maiores gravadoras do mundo - Universal Music, Sony Music e Warner Music - para acordos de licenciamento global para o novo serviço. A informação não foi confirmada pela empresa.

    Como é lançar no TikTok

    O lançamento de uma música no TikTok tem de se adequar à dinâmica de uso e compartilhamento do app. Nele, a música não fica em primeiro plano e sim como acompanhamento dos vídeos de usuários.

    Situações cômicas, dublagens e danças estão entre os tipos de material que mais circulam no aplicativo. É evidente o uso de efeitos sonoros estridentes ou bruscos como maneira de chamar a atenção de jovens que navegam pela torrente de micro-conteúdo, fragmentado ao extremo.

    Vídeos gravados no próprio app podem ter no máximo 15 segundos (é possível subir vídeos mais longos de outras fontes ou juntar quatro vídeos feitos no app de modo a formar uma sequência de um minuto). Ou seja, o artista tem de escolher o trecho de sua música que quer que seja usado, em geral, o refrão ou uma parte mais marcante.

    O aplicativo conta com um imenso arquivo de trechos de músicas, de Beyoncé a Velvet Underground. Quando prepara um vídeo, o usuário pode navegar por essa biblioteca e selecionar a música que quer utilizar. Qualquer um - perfis comuns, artistas ou gravadoras - pode subir um arquivo de áudio. Com sorte, a música será adotada e pode viralizar. Mas o TikTok é um universo próprio, com seus próprios fenômenos: nos Estados Unidos, artistas independentes, completamente desconhecidos fora do aplicativo, como a rapper Ashnikko, estouraram em 2019.

    Lil Nas X era um artista anônimo quando subiu, ele mesmo, a faixa “Old Town Road” no banco de músicas do app. “Promovi a música por meses como meme até que ela pegou no TikTok. Eu conhecia bem o TikTok: sempre achei que seus vídeos eram ironicamente hilários”, afirmou o rapper à revista Time.

    Usuários do TikTok aderem muito a desafios, aparentemente com mais frequência do que em outras redes sociais. Neles, o participante têm de apresentar a sua versão de uma atividade específica, que pode ser realizar uma ação, dublar uma música ou fazer um passo de dança ou movimento.

    Em cima de “Old Town Road”, um desafio era se filmar em roupas normais para, no segundo seguinte, reaparecer com roupas de cowboy por meio dos recursos de edição do Tik Tok. A viralização do desafio carregou junto a música, em um processo espontâneo, sem participação do cantor ou de gravadora.

    No caso de “Tudo OK”, a letra com instruções já vem na medida para ser usada pelos jovens consumidores do aplicativo. O alavancagem inicial veio do perfil no Instagram do maquiador Luccas Luccas, que costuma postar dublagens na rede social. Atualmente, são milhares de vídeos com a hashtag “tudokchallenge” (“desafio tudo ok”, em tradução livre).

    O impacto do aplicativo

    Ao Nexo, a assessoria do TikTok afirmou que não fornece números de usuários no Brasil e no mundo. Entre 2017 e 2019, o aplicativo foi baixado 1,5 bilhão de vezes, segundo a consultoria Sensor Tower. O perfil mais popular da rede é o da cantora e influenciadora americana Loren Gray, de 17 anos, que totaliza 38,1 milhões de seguidores.

    O TikTok é de propriedade da empresa chinesa ByteDance, que lançou o aplicativo em setembro de 2017. Ele é uma versão para o mercado internacional do app Douyin, da mesma empresa e que segue as restrições de conteúdo online do governo chinês. O TikTok não está disponível na China.

    Em novembro de 2017, a ByteDance comprou a startup Musical.ly, criadora do app de mesmo nome que permite realizar e compartilhar vídeos de dublagem. A empresa então fundiu os dois aplicativos, que eram bem parecidos, e criou uma comunidade de usuários muito maior.

    De acordo com a empresa de análise de downloads de aplicativos App Annie, o TikTok foi o sétimo app mais baixado da última década embora tenha sido lançado só em 2017. Outro levantamento, o The Influencer Report, aponta a plataforma como tendo ultrapassado o Facebook nas preferências de adolescentes americanos.

    O TikTok ganha dinheiro por meio de anúncios publicitários e da venda de produtos virtuais como emojis e “stickers”.

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