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Esta pesquisa criou o mapa cerebral mais extenso já publicado

Cientistas revelaram as conexões de parte do cérebro de uma mosca-da-fruta, em mapeamentos de mais de 25 mil neurônios e 20 milhões de sinapses

Cientistas do Google e do campus de pesquisa Janelia, parte do Instituto Médico Howard Hughes, no estado americano da Virgínia, divulgaram um modelo 3D em alta resolução do mapa cerebral que é o mais extenso já publicado de qualquer animal.

A equipe revelou parte do cérebro de uma mosca-da-fruta ou, em números, 25 mil neurônios conectados por 20 milhões de sinapses. Estima-se que o inseto tenha de 100 a 150 mil neurônios. O cérebro humano, em comparação, tem cerca de 86 bilhões de neurônios.

As moscas-da-fruta costumam ser objeto de estudo desses mapeamentos porque, apesar de terem cérebros pequenos, dispõem de comportamentos complexos, como danças de acasalamento.

Até hoje, apenas uma espécie de animal teve o cérebro completamente mapeado uma lombriga, de nome C. elegans. Ela costuma medir em torno de 1 mm, ou seja, é três vezes menor que uma mosca-da-fruta, mas só apresenta apenas 302 neurônios.

Para conseguir fazer o mapeamento, foi preciso cortar partes do cérebro da mosca que tinham a espessura de um terço de um fio de cabelo humano. Em seguida, esses pedaços foram bombardeados por raios de elétrons que deram origem a 50 trilhões de pixels. Essas imagens foram analisadas por dois anos pelos cientistas a fim de identificar com precisão todas as rotas de sinapses.

Críticas às pesquisas de mapeamento

A área que estuda os caminhos físicos do cérebro é chamada de conectividade anatômica ou “conectoma”. Apesar do ineditismo desse tipo de pesquisa, o campo de estudo tem uma reputação dividida no mundo da ciência.

Seus defensores argumentam que o mapeamento ajudaria a entender comportamentos de áreas específicas do cérebro, o que abriria novas fronteiras para a neurociência.

Quem critica a área diz que as pesquisas não produziram descobertas significativas, como é o caso do estudo da lombriga, que pouco revelou sobre o comportamento dos vermes. Além disso, o trabalho árduo exigido para um resultado pequeno não justificaria, para eles, os recursos investidos, que poderiam ser destinados a áreas mais produtivas.

Ao site The Verge, um dos fundadores do Projeto Conectoma, o engenheiro biomédico Joshua Vogelstein, afirmou que as pessoas são impacientes para obter resultados da ciência. “O tempo necessário para desenvolver uma boa tecnologia que possa ser usada pela ciência leva cerca de 15 anos. Agora que se passaram 15 anos, poderemos começar a fazer ciência”, afirmou.

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