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Chase tag: o esporte que mistura pega-pega e parkour

Criada em 2016 a partir de uma brincadeira de pai e filho, atividade já acumulou centenas de milhões de visualizações no YouTube e vem dando origem a campeonatos em vários países

    Temas

    Uma das brincadeiras mais comuns entre crianças do mundo inteiro se tornou um fenômeno que, desde 2016, já recebeu milhões de visualizações no YouTube e ganhou competições internacionais. Chamado de “chase tag”, o esporte mistura o velho jogo de pega-pega ao parkour, prática que se popularizou no final da década de 1980 na França na qual, entre outras coisas, os participantes escalam paredes e pulam vãos de ruas e prédios das cidades.

    Nos torneios de chase tag, jogadores ficam dentro de uma arena quadrada com 12 metros de comprimento enquanto desviam de plataformas e suportes que replicam os obstáculos urbanos do parkour. Se ultrapassam os limites do espaço delimitado, são desclassificados.

    Cada disputa conta com duas equipes de até cinco atletas, que se revezam entre pegar (perseguidor, do inglês “chaser”) e fugir (evasor, do inglês “evader”) de outro participante da equipe adversária.

    Em até 20 segundos, o objetivo é, como em um pega-pega, alcançar o oponente com a mão. Conseguindo, o evasor deixa o campo, e o perseguidor passa a ser o novo evasor. Do contrário, o evasor pontua e segue para uma nova rodada, fugindo de um novo perseguidor. Cada disputa tem até 16 rodadas, e quem tiver mais pontos ao final ganha.

    As partidas começaram a ser organizadas em 2016 e são transmitidas pelas redes oficiais do World Chase Tag. Mas o esporte já foi televisionado pela rede de televisão britânica Channel 4.

    350 milhões

    visualizações dos vídeos dos eventos, segundo o site oficial

    12

    países tinham organizações afiliadas à World Chase Tag até janeiro de 2020

    Na América Latina, Chile e Colômbia contam com espaços para treinamento afiliados. O Brasil ainda não tem registros do esporte.

    No World Chase Tag, criado em 2016, torneio mundial do esporte, as equipes se enfrentam em mata-mata. Quem vence avança para a próxima chave, e assim continua até a final. Em 2019, foram oito equipes.

    O time vencedor até recebe um troféu, mas os prêmios em dinheiro são definidos por voto popular. A organização seleciona as 10 melhores rodadas da edição, e os espectadores elegem a favorita. Os dois atletas, tanto o perseguidor quanto o evasor, recebem cada um US$ 1.000.

    Como a ideia surgiu

    O site oficial explica que a ideia para o esporte surgiu de uma brincadeira no jardim de casa no Reino Unido. Depois de um pega-pega com o filho, com tudo cronometrado para mostrar quem levava menos tempo para pegar o outro, Christian Devaux gostou do jogo e se reuniu com seu irmão Damien para desenvolver uma arena. Foram vários testes até definir a melhor dimensão e escala dos obstáculos de forma que perseguidor e evasor tivessem o mesmo nível de dificuldade.

    Os dois irmãos hoje são responsáveis pela marca World Chase Tag, que usa uma arena padronizada com obstáculos que ficam nas mesmas posições em qualquer competição. No entanto, o design pode ser modificado de acordo com as habilidades dos praticantes, principalmente os iniciantes.

    Naturalmente, quem pratica parkour acaba tendo vantagem sobre os obstáculos. Mas Damien Devaux explica que atletas de rugby e futebol, por exemplo, seriam melhores evasores, já que eles treinam para confundir o oponente a ir para a direção errada.

    “Seria interessante ver como diferentes culturas e estilos de movimentação se sairiam no chase tag. Quem ganharia, por exemplo, entre um atleta de kabaddi da Índia, um capoeirista brasileiro e um corredor jamaicano?”, indaga.

    Segundo Damien, o sucesso do esporte se deve ao fato de a perseguição ser parte natural do ser humano. “Por milhares de anos, perseguir e evadir eram questão de vida e morte, então é fácil ver por que ainda temos uma reação forte a isso atualmente.”

    Quais são as modalidade do esporte

    A arena é a mesma, e sempre há um perseguidor correndo atrás de um evasor. A variação costuma ser a quantidade de atletas em ação e o tempo para evasão. A mais tradicional é o jogo de equipe (do inglês “team matchplay”), padrão para as competições internacionais.

    Nele, se houver empate, a rodada final se torna um mata-mata (do inglês “sudden death”), em que o atleta que conseguir escapar por mais tempo vence. Ou seja, mesmo que ambos não consigam escapar, ganha quem demorou mais para ser pego.

    Há o pega-pega final (do inglês “ultimate tag”), com quatro jogadores que jogam por si em quatro rodadas. Cada um tem a chance de perseguir outro participante em até 40 segundos. Ao final, quem tiver pegado em menos tempo vence.

    Por fim, há o jogo individual (do inglês “singles matchplay”), em que dois atletas se revezam perseguindo um ao outro. Cada vez que um jogador pega o adversário com sucesso, pontua. E quem o faz em menos tempo recebe mais pontos. Ao final, quem chega aos 10 pontos primeiro ganha.

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