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O site que permite explorar o oceano em toda sua profundidade

Visualização interativa mostra quais seres habitam as diferentes zonas do fundo do mar e quão distante da superfície os seres humanos já chegaram

    Peixes transparentes, lulas gigantes, esponjas em forma de harpa e borboletas-marinhas são algumas das criaturas que podem ser descobertas ao rolar para baixo a tela do site The Deep Sea.

    A visualização criada pelo programador Neal Agarwal e divulgada em dezembro de 2019 mostra quais seres vivos habitam diferentes faixas de profundidade do oceano, até o ponto mais distante do fundo do mar alcançado por seres humanos – a mais de 10 mil metros da superfície. Agarwal credita o cientista Harri Pettitt-Wade, pesquisador de biologia marinha na Universidade de Windsor, no Canadá, como seu consultor no projeto.

    Além dos nomes e ilustrações desses animais, a visualização indica como são chamadas diferentes zonas do ambiente marinho, classificadas de acordo com a profundidade e a penetração de luz. Na zona abissal, por exemplo, localizada entre 2.000 e 6.000 metros abaixo da superfície, as temperaturas são frias e poucos animais conseguem sobreviver à extrema pressão.

    O site fornece ainda informações sobre os animais marinhos e sobre as marcas já alcançadas por seres humanos no fundo do mar. Alguns seres sobrevivem sem luz, criando-a em seu próprio organismo através da bioluminescência. Há espécies que extraem nutrientes de fontes hidrotermais, como o caranguejo yeti encontrado no Pacífico, e outras, como os narvais, que precisam adentrar milhares de metros abaixo da superfície dezenas de vezes ao dia para se alimentar.

    Quanto à atividade humana, o projeto sinaliza em que profundidade estão os destroços do Titanic (3.800 metros), a maior profundidade já atingida por um mergulhador (332 metros, em um mergulho feito pelo egípcio Ahmed Gabr em 2014) e por um submarino (10.916 metros, o batiscafo suíço Trieste, a bordo do qual estavam Jacques Piccard e Don Walsh em 1960).

    A exploração dos oceanos

    A investigação sobre quais formas de vida habitam faixas mais profundas dos oceanos ainda é relativamente recente. Um dos precursores da oceanografia, o britânico Edward Forbes (1815-1854) formulou em 1843 uma teoria segundo a qual não haveria vida no oceano abaixo de 550 metros de profundidade.

    Nas décadas seguintes, cientistas conseguiram refutá-la por meio de expedições científicas importantes para o estabelecimento da oceanografia moderna, como a Expedição Challenger, realizada entre 1872 e 1876.

    Séculos depois, expedições destinadas a chegar aos pontos mais profundos dos oceanos seguem sendo feitas.

    Em 2012, o cineasta James Cameron realizou a primeira viagem solo (a segunda desde a empreitada de Piccard e Walsh, décadas antes) à Fossa das Marianas, ponto mais profundo dos oceanos. A expedição deu origem ao documentário “Desafio do mar profundo”, lançado em 3D em 2014, que acompanha a jornada do diretor a bordo do submarino Deepsea Challenger.

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