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Como estão distribuídos os empregos formais no Brasil

Quase 100 mil novas vagas com carteira foram criadas em novembro, segundo o Caged. Veja as regiões, estados e setores que mais contrataram

    Quase 100 mil vagas formais de emprego foram criadas no Brasil em novembro de 2019, segundo dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, ligado ao Ministério da Economia) na quinta-feira (19). O número foi o melhor saldo para o mês desde 2010, quando foram gerados pouco mais de 138 mil postos de trabalho formais, e representou quase o dobro do que era esperado pelo mercado.

    99.232

    foi o saldo de vagas formais em novembro de 2019

    EMPREGO EM NOVEMBRO, POR ANO

    Saldo de criação de vagas formais no Brasil em novembro. Melhor resultado desde 2010.

    Olhando para 2019 como um todo, o país criou quase 950 mil vagas formais nos primeiros onze meses do ano. O número representou um aumento de 2,47% no total de empregos formais, quando comparado com o final de 2018.

    948.344

    foi o saldo de vagas formais entre janeiro e novembro de 2019

    39,36 milhões

    era o número de postos formais de emprego em 30 de novembro de 2019

    De todas as vagas criadas em novembro, mais de 11 mil foram de trabalho intermitente, categoria criada pela reforma trabalhista de 2017. Já os postos de trabalho parcial, também criados com a reforma, cresceram em pouco mais de 2 mil. O restante das vagas englobadas pelo Caged são aquelas tradicionais de carteira assinada

    A tendência, entretanto, é que haja um recuo nas vagas formais em dezembro. Isso porque funcionários que foram contratados temporariamente por fábricas para produzir mercadorias que serão vendidas no Natal devem ser dispensados.

    Os dados do Caged não são referentes ao total de pessoas empregadas no Brasil. Isso porque eles não incluem as pessoas que trabalham informalmente. Os dados de desemprego divulgados trimestralmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) levam em conta tanto os postos de trabalho formais quanto informais.

    O quadro regional

    O Sudeste respondeu por mais da metade das vagas criadas, com 51 mil novos postos com carteira registrada. Apenas o Centro-Oeste perdeu vagas formais em novembro de 2019.

    POR REGIÃO

    Saldo de vagas formais em novembro de 2019, por região. Sudeste lidera, Centro-Oeste é o único negativo

    No acumulado do ano – entre janeiro e novembro de 2019 –, o Sudeste criou praticamente metade das novas vagas. Foram 472 mil postos formais gerados na região nos primeiros onze meses do ano; no Norte, esse número foi de 45 mil postos de trabalho.

    ACUMULADO DO ANO

    Saldo de vagas formais entre janeiro e novembro de 2019, por região. Sudeste maior disparado, Norte com o pior número

    O emprego formal nos estados em 2019

    O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já havia mostrado em uma pesquisa divulgada em 19 de novembro que os estados brasileiros têm situações diferentes de desemprego. Esse quadro inclui tanto vagas formais como informais. Segundo aquele levantamento, boa parte dos estados do Nordeste apresentavam taxa de desemprego maior que o restante do país.

    Segundo os novos dados do Caged, todos os estados do país tiveram um aumento no número de vagas formais no acumulado de 2019 até novembro. Em relação ao último recorte de 2018, nenhuma unidade federativa teve redução nos postos formais de trabalho. Mas alguns estados criaram mais vagas com registro na carteira.

    Três estados se destacaram na criação de novos postos registrados nos primeiros onze meses de 2019: Santa Catarina – que é também o estado com menor desemprego no país –, Mato Grosso e Roraima. Nesses locais, as vagas formais cresceram mais de 4% em relação ao final de 2018.

    Alagoas e Rio de Janeiro foram os estados onde o avanço do emprego formal foi maior. Nessas duas unidades, a formalidade cresceu abaixo de 1% no acumulado de janeiro a novembro.

    O QUADRO ESTADUAL

    Crescimento nas vagas formais em 2019 por estado - variação relativa. Santa Catarina com o melhor resultado, Alagoas com o pior

    A formalidade por setor

    O saldo de quase 100 mil vagas formais criadas em novembro de 2019 não surgiu de forma proporcional em cada setor da economia. A maioria dos setores, aliás, teve resultado negativo na criação de empregos formais.

    Segundo os números do Caged, apenas os segmentos de comércio, serviços e serviços industriais de utilidade pública contrataram mais funcionários do que desligaram. Serviços industriais de utilidade pública são aqueles que lidam com infraestrutura, como água, energia elétrica e esgoto.

    COMÉRCIO EM ALTA

    Vagas formais criadas em novembro de 2019, por setor. Comércio disparado o maior, indústria de transformação pior

    Se comércio e serviços geraram, juntos, mais de 150 mil vagas formais no mês de novembro, esse saldo positivo foi parcialmente compensado pelas perdas de empregos registrados nos setores da indústria de transformação, agropecuária e construção civil.

    Olhando para o desempenho no acumulado do ano, o setor de serviços foi responsável por mais da metade dos postos registrados no país até novembro, chegando a quase 500 mil. Já o setor extrativo de minérios e os serviços industriais de utilidade pública tiveram os desempenhos mais fracos, em termos absolutos.

    NÚMEROS ABSOLUTOS

    Vagas formais criadas entre janeiro e novembro de 2019 Saldos. Serviços criou mais vagas, indústria extrativa mineradora criou menos

    Mas, sob a ótica do crescimento relativo, os resultados são um pouco diferentes. Isso porque essa comparação é feita dentro de um próprio setor. Se um setor tem menos vagas normalmente, um número baixo de vagas criadas não necessariamente é um mau resultado.

    Os números de crescimento relativo mostram que, mesmo tendo gerado pouco menos de 120 mil vagas formais, o setor de construção civil foi onde houve maior avanço da formalidade. Os postos registrados cresceram quase 6% entre janeiro e novembro, quando comparado com o final de 2018.

    Já o comércio foi o setor com menor crescimento, tendo avançado apenas 1,37% no acumulado dos primeiros onze meses de 2019.

    TAXAS DE CRESCIMENTO

    Crescimento nas vagas formais em 2019, por setor, em %. Construção civil com o melhor resultado, comércio com o pior

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