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O que é o Projeto Jedi e como ele opõe Amazon e Trump

Microsoft venceu licitação de US$ 10 bilhões do Departamento de Defesa americano. Empresa de Jeff Bezos afirma que o resultado foi motivado por razões políticas

    Uma licitação do Departamento de Defesa dos EUA realizada em outubro abriu uma disputa entre o presidente Donald Trump e a empresa de tecnologia Amazon.

    O motivo do conflito é o Projeto Jedi, o contrato de computação em nuvem para a pasta que cuida dos assuntos militares e de inteligência do país. A Amazon era considerada a favorita para vencer a licitação, mas foi preterida pela Microsoft.

    Na segunda-feira (9), a Amazon ajuizou uma ação acusando Trump de ter feito “pressões inapropriadas” para que a empresa perdesse o contrato para a concorrente, e que isso teria acontecido porque o presidente encara Jeff Bezos, CEO do conglomerado, como um inimigo.

    Bezos também é dono do jornal The Washington Post, veículo que já teceu diversas críticas ao governo Trump. Em mais de uma ocasião, o presidente americano acusou o Post de divulgar fake news.

    Trump passa por um momento especialmente conturbado em seu penúltimo ano de mandato. Nesta terça-feira (10), o Partido Democrata formalizou o pedido de impeachment contra ele por abuso de poder e obstrução de trabalhos de investigação parlamentar.

    O que é a licitação

    Apesar de fazer referência aos cavaleiros da saga “Star Wars”, o nome do projeto é uma sigla: Jedi, Joint Enterprise Defense Infrastructure. Com um valor de US$ 10 bilhões, o contrato visa implementar, dentro do Departamento de Defesa, uma série de tecnologias que prometem aumentar, de forma mais segura, a conectividade de operações administrativas e militares.

    A Microsoft, vencedora da licitação, precisa repaginar a infraestrutura de rede de todo o Departamento de Defesa e prover um serviço para a manutenção de possíveis falhas estruturais e erros de operação.

    Além disso, a empresa vai aprimorar e implementar protocolos de segurança para fortalecer o sigilo das operações realizadas pelo Departamento de Defesa. A pasta também exigiu a implementação de inteligências artificiais para as operações militares americanas.

    Como é de se esperar, maiores detalhes não foram relevados publicamente.

    A vitória da Microsoft

    O Projeto Jedi nasceu em 2017, quando James Mattis, o então Secretário de Defesa dos EUA, pediu que o Pentágono esboçasse um plano para a modernização da infraestrutura de rede do Departamento de Defesa.

    Desde o começo, a Amazon foi considerada a favorita para vencer a licitação, já que é dona da AWS, Amazon Web Services, a maior empresa do mundo no ramo do fornecimento de servidores e infraestrutura de redes. Estavam também na disputa IBM, Google, Microsoft, Rean Cloud e Oracle.

    Em outubro de 2018, o Google se retirou da disputa, afirmando que o Projeto Jedi poderia ir contra os princípios da empresa em relação à inteligência artificial, já que, caso se sagrasse vencedora, poderia ser usada para fins de guerra.

    Em outubro, o Departamento de Defesa anunciou a vitória da Microsoft, num contrato de dez anos, com possibilidade de renovação. Pouco mais de um mês depois, a Amazon foi à Justiça americana pedindo que a decisão fosse investigada e, possivelmente revisada, afirmando que foi preterida na licitação porque Bezos é “considerado um inimigo político” de Trump.

    Em janeiro, o presidente americano havia atacado Bezos no Twitter, chamando-o de “Jeff Bozo” e acusando o Washington Post de divulgar notícias falsas para desestabilizar o governo.

    Há suspeitas de que Trump propositalmente articulou uma maneira da Amazon não vencer a licitação. Em seu livro, publicado em setembro de 2019, James Mattis afirma que o presidente americano deu ordens para “ferrar a Amazon” ainda em 2018, quando o contrato ainda estava em seus estágios iniciais.

    Após o registro da queixa, o Departamento de Defesa emitiu um comunicado oficial afirmando que a decisão não foi influenciada por nenhum fator externo, e que uma equipe de servidores públicos e militares familiarizados com projetos de tecnologia foi o responsável por escolher a Microsoft como vencedora do contrato.

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