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As imagens do antigo Mundial de Clubes nas lentes deste fotógrafo

Masahide Tomikoshi cobriu as partidas da Copa Intercontinental no Japão, disputada até 2004. O 'Nexo' selecionou cinco fotos que marcaram a competição

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    A vitória do Al Sadd por 3 a 1 sobre o Hienghéne nesta quarta-feira (11) marcou a estreia do Mundial de Clubes da Fifa de 2019. O time vencedor representa o Qatar, país-sede desta edição do torneio, enquanto os derrotados, vindos da Nova Caledônia, foram os campeões da Liga dos Campeões da Oceania.

    Além das equipes que fizeram o jogo de abertura do torneio, participam os atuais vencedores das demais ligas continentais: Flamengo (Brasil), Liverpool (Inglaterra), Al-Hilal (Arábia Saudita), Espérance (Tunísia) e Monterrey (México).

    As mudanças até o formato atual

    A atual fórmula do campeonato foi consolidada a partir de 2005, ano em que o São Paulo venceu o Liverpool, principal oponente do Flamengo em 2019. Em 2000, a Fifa já havia realizado no Brasil uma primeira edição do torneio num formato com times de fora da América do Sul e da Europa, vencida pelo Corinthians.

    Até 2004, o título oficioso de campeão do mundo, sem a chancela da Fifa, era reservado a quem ganhasse a Copa Intercontinental, que, desde 1960, confrontava os vencedores da Copa dos Campeões da Europa e da Copa Libertadores da América.

    Até 1979, os jogos eram disputados no sistema de ida e volta, com uma partida em cada continente. O crescente desinteresse dos times europeus pelo torneio colocou a sua sobrevivência em risco: na década de 1970, sete vencedores da Copa dos Campeões se recusaram a disputar a final contra os sul-americanos, ora mandando os vice-campeões em seu lugar, ora cancelando a partida.

    Foi então que a Uefa e a Conmebol, as federações europeia e sul-americana respectivamente, fizeram uma parceria com a Associação Japonesa de Futebol, que buscava popularizar uma modalidade então incipiente no país.

    A partir de 1980, com o patrocínio Toyota, a Copa Intercontinental passou a ser disputada em jogo único, no Estádio Nacional de Tóquio. O incentivo financeiro vindo da montadora e o endurecimento das punições da Uefa aos times europeus que se recusassem a participar do torneio lhe deram sobrevida.

    O fotógrafo Masahide Tomikoshi reúne em sua página no Twitter um rico acervo com imagens das partidas da Copa Intercontinental disputadas no Japão. O Nexo selecionou cinco fotos que captam a singularidade do torneio agora extinto.

    Flamengo x Liverpool (1981)

    Com capacidade oficial para 48 mil pessoas, o Estádio Nacional de Tóquio foi inaugurado em 1958 e, munido de pista de atletismo, recebeu algumas modalidades nos Jogos Olímpicos sediados na capital japonesa em 1964.

    Em 13 de dezembro de 1981, o estádio abrigou pela segunda vez uma final da Copa Intercontinental. Os jogos eram disputados no inverno japonês, com a temperatura variando entre 0° e 10° C, o que deixava a grama seca e amarelada. Naquela data, o Flamengo bateu o Liverpool por 3 a 0, no que pode ser a reedição da final do Mundial de Clubes de 2019.

    O Estádio Nacional de Tóquio sediou a Copa Intercontinental até 2001. No ano seguinte, a partida foi transferida para a cidade de Yokohama, onde havia sido inaugurado um estádio mais moderno para a Copa do Mundo de 2002. Em 2015, a construção foi demolida para abrigar uma nova arena, adaptada às exigências do Comitê Olímpico Internacional para a Olimpíada de 2020.

    Peñarol x Aston Villa (1982)

    Se hoje a passagem aérea de qualquer país da América do Sul para o Japão é cara, nos anos 1980 era quase proibitiva.

    Esta foto de 1982, tirada durante a final entre o Peñarol do Uruguai e o Aston Villa da Inglaterra, dá a impressão de que os torcedores sul-americanos tomaram um setor da arquibancada com suas bandeiras, emulando o Estádio Centenário de Montevidéu. Uma olhada mais atenta, no entanto, mostra que quase todas elas são empunhadas por espectadores japoneses. Mais verossímil pensar que a distribuição das flâmulas foi obra de algum uruguaio endinheirado, testemunha da vitória do seu time por 2 a 0.

    Grêmio x Hamburgo (1983)

    Campeão da Copa Libertadores como técnico e jogador, Renato Portaluppi, o Renato Gaúcho, é um dos maiores ídolos da história do Grêmio.

    Em 1983, aos 21 anos, o ponta-direita foi o responsável pelo maior título da história do clube gaúcho. Com dois gols contra os alemães do Hamburgo, ele garantiu a vitória por 2 a 1. Nesta foto, Tomikoshi captura a comemoração do primeiro deles.

    Porto x Peñarol (1987)

    Quando a Copa Intercontinental passou a ser disputada no Japão, mudanças de última hora deixaram de ser triviais como nas décadas anteriores. Compromissos com patrocinadores e a venda de direitos televisivos para diferentes partes do mundo tornaram qualquer alteração muito difícil.

    Apesar das baixas temperaturas, o inverno de Tóquio não costuma ser rigoroso a ponto de causar nevascas. Foi o que aconteceu em 13 de dezembro de 1987. Mesmo em condições climáticas totalmente adversas, Porto, de Portugal, e Peñarol, do Uruguai, tiveram que se enfrentar - o jogo foi vencido pelos portugueses por 2 a 1, na prorrogação.

    “Fomos cinco dias antes para nos prepararmos. As temperaturas eram normais, baixas, mas com um clima normal, e só no dia do jogo é que nevou”, disse o meia Madjer ao jornal português Record, numa entrevista dada em 2017.

    Para suportar o frio, ele diz ter esfregado álcool nas pernas e nos braços para se aquecer e que, no intervalo, os jogadores fizeram fogueiras no vestiário.

    Colo Colo x Estrela Vermelha (1991)

    Javier Margas e Sinisa Mihajlovic disputam a bola na final de 1991, que opôs os chilenos do Colo Colo aos iugoslavos do Estrela Vermelha. O time europeu ganhou por 3 a 0.

    É um jogo que dificilmente se repetirá em jogos oficiais. Na Europa, impôs-se um abismo entre os times mais ricos e seus adversários. Nove clubes hegemonizaram as últimas 20 edições da Champions League, que se tornou mais extensa e diminuiu a possibilidade de surpresas.

    Na América do Sul, o cenário é parecido. No século 21, apenas quatro times conseguiram superar o domínio de brasileiros e argentinos, campeões em 15 edições.

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