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O atlas de relatos de viajantes no Brasil nos séculos 18 e 19

Plataforma digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP, reúne informações documentadas por brasileiros e estrangeiros que percorreram o país

Ao longo dos séculos, viajantes estrangeiros e brasileiros percorreram o Brasil para documentar a cultura, a população e a natureza do país. Lançado em novembro de 2019, o Atlas dos Viajantes do Brasil é uma plataforma digital que reúne os dados coletados por visitantes que passaram pelo país entre o século 16 e o início do século 19.

O atlas é um projeto da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, ligada à Universidade de São Paulo, que tem uma coleção com mais de 1.200 obras de mais de uma centena de viajantes. Inicialmente, a plataforma foca em sete nomes, e outros serão adicionados no futuro.

O conteúdo é organizado em mapas do Brasil. Clicando no nome dos viajantes, é possível ver a rota descrita por eles em livros de viagens. Ao clicar em pontos destacados no mapa, é possível ler trechos que os autores escreveram sobre os lugares. Para cada autor há uma obra correspondente. A plataforma também permite acessar os materiais originais da biblioteca.

O que 7 viajantes escreveram sobre o Brasil

Daniel Parish Kidder

Foi um missionário metodista dos Estados Unidos que esteve no Brasil entre 1836 e 1837 e entre 1840 e 1842. Ele realizou viagens entre o Sudeste, o Nordeste e a Amazônia, com o intuito de propagar sua religião, e escreveu o livro “Reminiscências de Viagens e Permanências nas Províncias do Brasil”. Sobre Fortaleza, escreveu que: “o Ceará é frequentemente denominado Fortaleza, devido ao velho forte construído na praia, para defesa do porto. Do mar, pouca cousa se avista da cidade, além do forte e algumas choupanas que o flanqueiam, de ambos os lados. À esquerda da cidade desemboca um riacho cujas margens são guarnecidas de coqueiros, motivo ornamental que se assinala em todas as paisagens nordestinas”.

Carl von Martius e Johann Spix

Foram biólogos alemães que exploraram o Brasil entre 1817 e 1820. Eles viajaram pelo Sudeste, Nordeste e Norte, e foram autores do livro “Viagem pelo Brasil”, onde escreveram sobre São Luís do Maranhão: “Merece, à vista de sua população e riqueza, o quarto lugar entre as cidades brasileiras (...) O seu mais antigo e populoso bairro, o da Praia Grande, que constitui a freguesia de Nossa Senhora da Vitória, está edificado à beira-mar, sobre terreno muito desigual”.

Robert Avé-Lallemant

Foi um médico alemão que morou no Brasil na década de 1830. Ele voltou a viver na Alemanha nos anos 1850, mas continuou a realizar viagens pelo Sudeste e pelo Sul do Brasil na mesma década, escrevendo o livro “Viagem pelas Províncias”. Em um trecho, escreve sobre a então Província do Paraná, que fora desmembrada de São Paulo havia pouco tempo. “Nenhuma boa estrada conduz das terras baixas, sobre a serra da costa, para Curitiba; por ora, só burros carregam laboriosamente as cargas pela má estrada via Morretes ou Antonina para Paranaguá e vice-versa. Na verdade, creio que não conheço outro distrito do Sul do Brasil que com razão exija tanta indulgência e prometa tão brilhante futuro, com o aumento da população”.

Joaquim de Almeida Leite Morais

Foi um político importante, presidente da província de Goiás no início da década de 1880. Ele viajou entre estados do Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil e foi autor do livro “Apontamentos de Viagem”, em que narra a travessia a cavalo até Goiás partindo de São Paulo, e a volta, subindo o rio Araguaia até Belém, onde tomou um navio a vapor para o Rio de Janeiro. “Recife, essa Veneza brasileira, é talvez a segunda cidade do império, não em sua extensão, senão em beleza e sob o ponto de vista comercial. (...) Ruas largas e estreitas; em geral bem calçadas; cidade nova e cidade velha; becos imundos, casas altas e baixas, mercado animado e sofrível: grande agitação comercial”.

John Mawe

Foi um mineralogista e comerciante britânico que viajou entre Uruguai, Sul e Sudeste do Brasil nos anos 1800. Foi autor de “Viagens ao interior do Brasil”. Sobre São Paulo, escreveu que a cidade era cortada por dois riachos, que desembocam em “largo e belo rio, o Tietê, que atravessa a cidade, numa milha de extensão, tomando a direção sudoeste. Sobre ele existem várias pontes, algumas de pedra, outras de madeira, construídas pelo último governador. As ruas de São Paulo, devido à sua altitude (cerca de cinquenta pés acima da planície), e à água, que quase a circunda, são, em geral, extraordinariamente limpas”.

Charles La Condamine

Foi um viajante, cientista e escritor francês que realizou viagens entre a Guiana, o Norte do Brasil e a região amazônica do Peru na década de 1740. Ele foi autor do livro “Viagem na América Meridional descendo o rio das Amazonas”. Em visita a Santarém, no Pará, Condamine escreveu sobre os Tapajós: “É entre os Tapajós que se acham hoje, mais facilmente, dessas pedras verdes, conhecidas pelo nome de pedras das amazonas, cuja origem se ignora, e que foram tão procuradas outrora, por causa da virtude que se lhes atribuía, para curar a ‘pedra’ a cólica nefrítica, e a epilepsia”.

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