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Como foi o atentado em Atlanta 96, tema de novo filme de Eastwood

‘O caso Richard Jewell’ conta a história do ato terrorista na Olimpíada. Longa foi bem avaliado, mas vem rendendo controvérsias

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    O ator e cineasta Clint Eastwood começou, em novembro de 2019, a exibir em festivais seu novo filme, “O caso Richard Jewell”. O longa, que ainda não tem estreia definida para o Brasil, chega ao circuito comercial americano em 13 de dezembro e foi bem recebido nas sessões que já aconteceram.

    “O caso Richard Jewell” conta a história do segurança que dá nome ao filme, envolvido no caso do ataque ao Parque Olímpico Centenário, em Atlanta, nas Olimpíadas de 1996. No longa, o protagonista é interpretado pelo ator Paul Walter Hauser (“Eu, Tonya”).

    No site agregador de críticas Rotten Tomatoes, o longa tem 92% de aprovação. Na plataforma Metacritic, que funciona de maneira similar, “O caso Richard Jewell” tem 69 pontos de 100 possíveis.

    As críticas favoráveis elogiam principalmente a atuação de Hauser e a forma como Eastwood tece críticas ao andamento do caso, que colocou Jewell como possível autor do atentado terrorista, criando um circo midiático em torno dele, para depois descobrir sua inocência.

    Quem foi Richard Jewell

    Richard Jewell nasceu em 1967, na cidade de Danville, no estado americano da Geórgia. Ele viveu uma vida anônima até 1996. Em 27 de julho daquele ano, trabalhava como segurança no Parque Olímpico Centenário que, à época, estava sediando parte das Olimpíadas de Atlanta.

    Naquele dia, milhares de pessoas estavam no local, assistindo a uma apresentação da banda Jack Mack and the Heart. Uma ligação anônima feita ao FBI, a polícia federal americana, dizia que uma bomba iria explodir em algum ponto do estádio em 30 minutos. As autoridades prontamente se organizaram para ir ao Parque Olímpico.

    Jewell, por acidente, encontrou uma mochila com a bomba e acionou o time de segurança do estádio. Minutos depois, o FBI, junto com um esquadrão antibombas, chegou ao local e começou a evacuação.

    Cerca de três minutos depois do começo da evacuação, a bomba explodiu. Duas pessoas morreram, e 111 ficaram feridas.

    Imediatamente após o ataque, a mídia americana tratou Jewell como um herói, por ter localizado a bomba e, por isso, ter impedido mais mortes. Isso mudou três dias após a explosão, quando o jornal The Atlanta Journal-Constitution publicou uma reportagem dizendo que o segurança estava sendo tratado como um possível suspeito pelo FBI.

    A informação se espalhou rapidamente na grande mídia americana. O telejornalista Tom Brokaw, da emissora NBC, chegou a dizer durante uma transmissão do canal que rumores diziam que o FBI tinha evidências o suficiente para prender Jewell.

    Jewell nunca foi oficialmente acusado, sendo tratado apenas como um possível suspeito. A agência de investigações vasculhou a casa do segurança em duas ocasiões, mas não encontrou nada. Mesmo assim, a mídia ainda falava sobre uma possível ligação entre Jewell e a explosão.

    As menções na mídia que ligavam Jewell ao atentado só pararam em outubro de 1996, quando o juiz federal Kent Alexander redigiu uma carta pública que dizia que as autoridades não tinham nenhum indício ou evidência da participação do segurança no atentado.

    Depois disso, as autoridades avançaram pouco nas investigações. Isso só mudou em 1997. Em janeiro e fevereiro daquele ano, uma clínica de aborto e uma boate LGBTI+ na região de Atlanta foram atacadas com bombas similares ao do atentado da Olimpíada, fazendo com que as autoridades considerassem a possibilidade de os ataques terem sido pensados por uma mesma pessoa.

    No meio tempo entre os dois atentados, uma terceira explosão aconteceu, em uma outra clínica de aborto, esta da cidade de Birmingham, no Alabama, chamando a atenção das autoridades federais.

    Com uma série de pistas, a principal sendo parte do número de placa de um carro, os investigadores chegaram ao nome de Eric Rudolph, um carpinteiro nascido na Flórida.

    Rudolph se tornou o principal suspeito dos atentados, mas sua localização era desconhecida. Em 1998, o FBI colocou seu nome como o fugitivo mais procurado do mundo.

    Ele ficou desaparecido por cinco anos, sendo preso somente em maio de 2003. Dois anos depois, durante seu julgamento, Rudolph se declarou culpado de todos os atentados motivado por razões políticas.

    Eric Rudolph disse que tinha como intenção cancelar a continuidade da Olimpíada de 1996, ou ao menos causar um estado de insegurança que faria com que as ruas de Atlanta ficassem vazias.

    Ele afirmou que a Olimpíada e a música tema daquela edição dos jogos, “Imagine”, de John Lennon, tinham como objetivo perpetuar os ideais do socialismo, globalismo, legalização do aborto e normalização da homossexualidade, algo que Rudolph considerava abominável.

    Rudolph foi condenado à prisão perpétua sem direito à condicional em uma prisão de segurança máxima, no estado do Colorado.

    Após ser inocentado publicamente, Jewell entrou com processos contra os veículos de comunicação que engrossaram as possíveis suspeitas em relação a ele.

    O segurança processou a NBC, pelo comentário de Brokaw, recebendo uma indenização de US$ 500 mil; o jornal New York Post, por uma indenização que não foi divulgada; e o canal de notícias CNN, vencendo e recebendo uma indenização que não foi divulgada. O único processo que Jewell não venceu foi contra o jornal Atlanta Journal-Constitution, que publicou a primeira reportagem sobre o assunto.

    Jewell morreu em 2007, em decorrência de problemas cardiovasculares associados a diabetes.

    A controvérsia em torno do filme

    O filme de Clint Eastwood, apesar de ter sido bem recebido, esteve envolto em uma controvérsia. No longa, a jornalista Kathy Scruggs (interpretada por Olivia Wilde), do Atlanta Journal-Constitution aparece prometendo sexo ao agente do FBI Tom Shaw (vivido por Jon Hamm) em troca de informações sobre o andamento das investigações do caso.

    Scruggs morreu em 2001, por uma overdose de remédios prescritos, mas o Atlanta Journal-Constitution se posicionou veementemente contra a representação da jornalista no longa, afirmando que a promessa retratada não aconteceu na vida real.

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