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3 boatos verificados nesta semana para você ficar de olho

O ‘Nexo’ integra o Comprova, coalizão de 24 veículos jornalísticos que em 2019 busca combater a desinformação sobre políticas públicas

    As redes sociais são um importante meio de comunicação tanto para os cidadãos quanto para os governos, ao divulgar e esclarecer políticas públicas. Mas nelas também se proliferam posts, imagens e vídeos fabricados, manipulados ou retirados de contexto para favorecer ou prejudicar visões políticas. É um ambiente em que conteúdos podem ser disseminados rapidamente, sem preocupações com fonte e veracidade.

    Para combater a desinformação na política surgiu o Comprova, do qual o Nexo faz parte. A iniciativa, que está na segunda etapa, é resultado de uma coalizão entre 24 diferentes veículos de comunicação brasileiros para identificar e apurar informações enganosas ou deliberadamente falsas disseminadas sobre políticas públicas em âmbito federal.

    Abaixo, selecionamos três verificações feitas pelo Comprova na semana que passou. Confira:

    Post mistura dados verdadeiros e números incorretos sobre financiamentos do BNDES nos governos do PT

    Uma publicação de janeiro que voltou a viralizar nas redes sociais causa confusão ao misturar dados verdadeiros com números e informações incorretas sobre financiamentos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) nos governos do PT.

    A corrente, que atribui ao governo de Jair Bolsonaro a abertura da “caixa-preta” do banco de fomento — um dado falso, pois os dados sobre empréstimos estão ao alcance de qualquer pessoa desde 2015 —, elenca uma lista de obras financiadas e rankings de maiores devedores do órgão usando em grande parte números enganosos.

    O Comprova verificou que, das 18 obras citadas como do BNDES, oito não têm nenhuma ligação com o banco brasileiro. As outras estão associadas à instituição, mas não foram simplesmente custeadas por ela — na verdade, o banco emprestou recursos para empresas brasileiras que tiveram participação nessas obras em outros países.

    A publicação também erra os valores dos empréstimos relacionados às obras citadas. O texto usa valores em reais (R$) quando todos os contratos do tipo são firmados em dólar. O BNDES sequer faz a conversão desses valores para reais. O Comprova converteu os valores, mas nenhum deles chegou perto dos números citados no post.

    O texto acerta, por outro lado, ao elencar as cinco empresas que mais pediram empréstimos junto ao BNDES — Petrobras, Embraer, Norte Energia, Vale e Odebrecht. A publicação também acerta ao citar Angola, Argentina, Venezuela e Cuba como os países mais beneficiados com os financiamentos para empresas brasileiras que atuaram em outros locais.

    A verificação foi feita por: SBT e A Gazeta, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Redução do adicional de periculosidade só valerá para quem aceitar seguro opcional no programa Verde Amarelo

    É enganoso um vídeo que viralizou nas redes sociais apontando redução de 30% para 5% no adicional de periculosidade pago a trabalhadores expostos a riscos à vida, como vigilantes e motoboys. A mudança só atinge jovens contratados pelo novo programa Emprego Verde Amarelo que aceitarem um seguro opcional para acidentes.

    A publicação mente ao dizer que o programa, lançado em novembro com uma medida provisória de Jair Bolsonaro, altera o texto da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) sobre o adicional de periculosidade. Nenhum ponto sobre o benefício foi alterado, e quem já está contratado e recebe o adicional não será afetado pelo programa.

    A medida que criou o Verde Amarelo abre caminho para a redução do bônus apenas nas contratações feitas dentro do programa. Além de reduzir o adicional de periculosidade quando houver opção pelo seguro opcional, o programa exige que só recebam o bônus os contratados expostos a risco permanente por ao menos 50% da jornada de trabalho.

    O que é o programa Verde Amarelo

    A ideia do programa Verde Amarelo é estimular a criação de postos de trabalho para jovens de 18 a 29 anos de idade, reduzindo o custo de contratação nessa faixa etária, segundo o governo. Além de reduzir o adicional de periculosidade, o programa reduz o valor da multa do FGTS e prevê a desoneração da folha de pagamentos para os contratados.

    O plano foi apresentado por medida provisória, o que significa que está em vigência desde 11 de novembro, quando foi assinado por Bolsonaro. A medida tem validade de 120 dias — nesse prazo, o Congresso precisa aprovar o texto para que ele vire lei. Se não for aprovado pelos parlamentares, o programa deixa de valer após esse período.

    A verificação foi feita por: TV Band e O Povo, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Artigo manipula dados de pesquisas de opinião para fazer parecer que aprovação de Bolsonaro cresceu

    Um artigo publicado nos sites Crítica Nacional e Jornal da Cidade Online mistura dados de pesquisas de Ibope, Datafolha e XP/Ipespe sobre a avaliação do governo para fazer parecer que a opinião dos brasileiros em relação ao presidente Jair Bolsonaro tem melhorado.

    A publicação esconde que a desaprovação a Bolsonaro cresceu de forma significativa em 2019 nas pesquisas dos institutos mencionados. A aprovação do presidente também oscilou de modo negativo nos levantamentos, diferentemente do que o texto quer fazer parecer.

    29%

    dos brasileiros consideravam ótimo ou bom o governo Bolsonaro em agosto de 2019, segundo pesquisa Datafolha; em abril, eram 32%

    38%

    dos brasileiros consideravam péssimo o governo Bolsonaro em agosto de 2019, segundo pesquisa Datafolha; em abril, eram 30%

    A publicação também erra ao comparar dados dos três institutos de pesquisa. Como cada um deles usa metodologias e amostras de entrevistados distintas, os resultados não são comparáveis entre si.

    Para reforçar a ideia de que o presidente tem se tornado mais bem avaliado pelos brasileiros, o texto ainda compara dados de visualização dos canais no YouTube de Bolsonaro e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda que os dados estejam corretos, o desempenho em redes sociais não pode ser considerado como critério único de popularidade, pois nem todos os brasileiros têm acesso à internet.

    Sites se posicionam após checagem

    Após contato do Comprova, o Jornal da Cidade Online atualizou o artigo incluindo novos dados sobre desaprovação e expectativa do governo. O site afirmou ainda que não tem responsabilidade pelos textos que reproduz em sua página. Após a publicação da checagem, atualizou mais uma vez sua publicação, desta vez com o título “Erramos:

    pesquisas não apontam melhora na avaliação do governo Bolsonaro”.

    Já o Crítica Nacional publicou outro texto dizendo que o artigo original está correto e que a rejeição a Bolsonaro não cresceu, segundo dados da pesquisa XP de agosto a novembro. O site afirmou que “cada veículo decide o conteúdo a ser publicado de acordo com sua linha editorial”.

    A verificação foi feita por: Estadão, e validada por outros veículos. Veja aqui a íntegra da verificação.

    Você recebeu algum conteúdo sobre políticas públicas que gerou dúvida e gostaria que o Comprova checasse? Envie uma mensagem de WhatsApp para (11) 97795-0022 ou pelo site do Comprova.

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