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Quais as vantagens e os problemas dos smartphones dobráveis

Fabricantes apostam em formato que é considerado um marco por entusiastas de novas tecnologias. Mas críticos apontam necessidade de ajustes para que aparelhos cheguem a um público maior

    A Motorola anunciou em 13 de novembro o smartphone Razr, um celular com visual inspirado no V3, aparelho popular no começo dos anos 2000. O Razr tem como chamariz o fato de ter uma tela dobrável, algo que põe a empresa dentro de uma tendência de 2019.

    Os smartphones com tela dobrável possuem um mecanismo de dobradiça, que pode ser horizontal, dobrando o celular como uma carteira, ou vertical, dobrando o aparelho como um livro.

    A Samsung foi a primeira a entrar na onda, com o Galaxy Fold. Seu lançamento estava marcado para abril, mas problemas com o design da tela dobrável fizeram com que o celular chegasse ao mercado apenas em setembro.

    A chinesa Huawei lançou o modelo MateX em 15 de novembro. O aparelho tem tela dobrável e já está preparado para a tecnologia 5G. As também chinesas Oppo e Xiaomi preparam modelos dobráveis para 2020.

    Registros de patentes indicam que a Apple também deve lançar uma versão dobrável do iPhone num futuro próximo.

    O que há de novo

    Celulares dobráveis não são novidade, já que antes dos smartphones, aparelhos com flip eram o padrão da indústria. A diferença é que os modelos recentes se aproveitam da tecnologia touch-screen e dos sistemas operacionais mais recentes.

    O principal motivo para as empresas investirem em telas dobráveis é a possibilidade de se vender smartphones maiores, mas que ainda cabem fisicamente em um bolso.

    “Acho que todos gostariam de ter um smartphone que, quando aberto, fica do tamanho de um tablet”, disse à revista Wired Ron Mertens, editor-chefe do portal OLED-Info, publicação especializada em telas de LED.

    Segundo o site especializado The Next Web, uma tela maior pode trazer melhores experiências na leitura de livros, em jogos e na experiência de se assistir a vídeos, atividades populares entre os proprietários de smartphones.

    O impacto da tendência

    Bob O'Donnell, presidente da empresa de pesquisa de mercado TECHResearch, afirmou no jornal americano USA Today que os telefones dobráveis marcam uma nova era da computação móvel.

    Segundo O’Donnell, as telas maiores permitem que os celulares tragam o melhor da tecnologia dos computadores de mesa aliado às vantagens possibilitadas por um aparelho que cabe no bolso.

    Em entrevista ao jornal Financial Times, Conor Pierce, vice-presidente do braço britânico da Samsung, afirmou que enxerga os celulares dobráveis como o próximo passo em termos de design de smartphones.

    “Eu acredito que os celulares dobráveis vão substituir o formato vigente dos smartphones, em todas as faixas de preço”, afirmou Pierce.

    O site especializado Android Authority avalia que os celulares dobráveis podem aprimorar a tecnologia de câmeras portáteis. De acordo com a publicação, a tela dobrável permite que a câmera traseira seja usada como câmera frontal, e isso possibilitaria que as fabricantes investissem mais tempo trabalhando em uma única câmera mais robusta do que em duas ou mais.

    A tecnologia dobrável permite que os smartphones tenham duas telas do tamanho padrão. Segundo o Android Authority, isso possibilitaria um aumento na produtividade, já que dois aplicativos poderiam ficar abertos ao mesmo tempo sem nenhuma perda no tamanho da imagem.

    Quais são as críticas

    A principal crítica relacionada aos telefones dobráveis parte da ideia de que a tecnologia atual talvez não esteja desenvolvida o suficiente para fazer com que esses aparelhos sejam duráveis.

    Protótipos do Galaxy Fold foram enviados à imprensa em abril, e jornalistas do mundo todo relataram que a tela do aparelho quebrou e se tornou inutilizável depois de poucos dias de uso.

    Esses problemas foram a razão para o adiamento do lançamento, originalmente marcado para abril. A empresa fez ajustes e prometeu que os problemas não se repetiriam, mas eles surgiram após um único dia de uso, com o aparecimento de uma bolha luminosa no centro da tela.

    Outro ponto levantado é de que duas telas necessitam de mais bateria do que uma, e que as fabricantes de smartphones precisarão encontrar uma forma de fazer com que os celulares dobráveis possam ser usados sem a necessidade de mais de uma carga de energia por dia.

    O The Next Web aponta que a tecnologia de smartphones dobráveis ainda é muito cara de se produzir, com o custo repassado para o consumidor. O site cita o Galaxy Fold como exemplo: o celular tem o preço inicial de US$ 1.890, enquanto o Samsung Galaxy S10, modelo de luxo da empresa, tem preço inicial de US$ 890.

    De acordo com a publicação, os smartphones dobráveis são feitos apenas para entusiastas de novas tecnologias, e ainda não estão prontos para encontrar um mercado mais amplo.

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