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A vida de negros americanos em gráficos do fim do século 19

Ativista e autor americano W.E.B Du Bois desafiou preconceito e discursos de superioridade racial por meio de visualizações técnicas

    Escritor pioneiro do ativismo negro americano, o sociólogo W.E.B. Du Bois dedicou-se ao seguinte trabalho na virada do século 19 para o século 20: tentar explicar a realidade da população negra americana por meio de infográficos e visualizações de dados.

    O resultado está na exposição “W.E.B. Du Bois: Charting Black Lives” (mapeando vidas negras, em tradução livre), em cartaz em Londres de novembro de 2019 a março de 2020.

    São 63 gráficos, tabelas e mapas que Du Bois levou, inicialmente, à Exposição de Paris de 1900. Os trabalhos foram preparados pelo escritor junto com uma equipe de estudantes afro-americanos de seu laboratório de sociologia na Universidade de Atlanta.

    Foto: Reprodução
    Infográfico mostra as proporções de negros livres e escravos nos EUA ao longo do tempo
    Infográfico mostra as proporções de negros livres e escravos nos EUA ao longo do tempo

    "Os gráficos eram radicais em sua proposta – a maneira como Du Bois usou dados estatísticos para refutar alegações racistas era completamente novo", afirmou a curadora Katie McCurrach, ao site It’s Nice That.

    “Com seus 63 gráficos, Du Bois estava construindo um argumento contra a supremacia branca, mostrando que os afro-americanos contribuíam para a sociedade - prosperando na educação, comprando terras, iniciando negócios e publicações - apesar do status de pessoas escravizadas apenas quarenta anos antes, e apesar da contínua discriminação e opressão”, disse ela.

    “Ao mostrar dados científicos, o trabalho de Du Bois se tornou um desafio direto a esse tipo de apresentação degradante”, ressaltou a curadora.

    Foto: Reprodução
    Mapa mostra distribuição da população negra nos Estados Unidos
    Mapa mostra distribuição da população negra nos Estados Unidos

    As visualizações apresentam recortes como a situação conjugal dos negros americanos de acordo com a faixa etária, a distribuição da população negra em áreas urbanas e rurais e o índice de pobreza extrema.

    Ainda segundo a curadora, a abordagem técnica e científica do material trazido por Du Bois teria causado impacto na Exposição Universal, um evento que tinha como principal finalidade celebrar o imperialismo francês. Sob o prisma do exotismo e da superioridade racial, a feira exibia reconstituições de vilarejos com artefatos e pessoas trazidas das colônias africanas.

    Du Bois é um dos afro-americanos mais influentes da história americana graças a sua produção intelectual e sua luta em favor de direitos e cidadania da população negra dos Estados Unidos.

    Ele foi um dos cofundadores da NAACP (Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, em tradução livre), uma das principais organizações civis afro-americanos dos EUA. Ele também é autor da coletânea de ensaios sociológicos “As Almas da Gente Negra”, de 1903.

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