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Por que pesquisadores querem escanear a superfície da Terra

Projeto pretende mapear e registrar todo o patrimônio ambiental, cultural e geológico do planeta antes dos impactos maiores da mudança climática

 

As mudanças climáticas enfrentadas pelo planeta poderão levar à perda de um volume significativo de patrimônio cultural e ecológico. Sítios arqueológicos, paisagens, plantas e animais correm o risco de desaparecer. A geologia e a distribuição de água na Terra serão alteradas. 

A iminência desses acontecimentos levou o arqueólogo americano Chris Fisher a criar um projeto que pretende escanear parte da superfície da Terra para registrar esse patrimônio. Fisher é professor da Universidade do Estado do Colorado e fundou o Earth Archive (Arquivo da Terra) como resposta à crise climática.

“Temos um tempo limitado para documentar essas coisas antes que a Terra se transforme de maneira substancial”, disse o professor ao jornal The Guardian. Ele lembra que as mudanças já estão em curso.

O projeto produzirá um mapeamento detalhado de toda a área terrestre do planeta – correspondente a aproximadamente 29% de sua superfície. As primeiras áreas escaneadas serão aquelas submetidas a um grau maior de ameaça, como regiões costeiras, onde há risco de avanço do nível do mar, e a Amazônia. A floresta atraiu intensa atenção internacional em 2019, após o aumento do desmatamento e das queimadas no governo de Jair Bolsonaro.

O Earth Archive será um registro aberto do planeta que poderá ser usado no futuro por geólogos, arqueólogos, ambientalistas e pesquisadores de outras áreas.

Mas esse mapeamento deve levar tempo: Fisher disse ao Guardian que nem ele, nem a próxima geração irão ver seus resultados. Seus frutos, segundo ele, ficarão para os netos e bisnetos das gerações de hoje. O custo da realização também é alto. O pesquisador estima que só escanear boa parte da Amaz��nia, em um período de dois a três anos, custará em torno de US$ 15 milhões.

A expectativa de Fisher é conseguir custeá-lo por meio de doações e com a colaboração de empresas que possuem a tecnologia Lidar.

Como o mapeamento será feito

A principal tecnologia que Fisher pretende usar para o trabalho é o Lidar (sigla para Light detection and ranging – na tradução, detecção e alcance de luz), sistema que emite pulsos laser em direção à Terra a partir de um instrumento acoplado a uma aeronave. O dispositivo mede o tempo gasto para que esse pulso volte, calculando a distância até o objeto ou superfície calculada. Quando combinada a dados de localização, essa técnica permite a elaboração de mapas 3D de uma determinada área.

Os dados obtidos pelo Lidar podem produzir imagens com um detalhamento incrível, permitindo mapear objetos de até 20 cm. Também serão usadas outras técnicas, como dados de satélites e fotografias aéreas, em parte já existentes.

Os desafios à ideia

Cientistas consideram a iniciativa valiosa, mas veem alguns obstáculos para sua realização. Um deles são as dificuldades que podem surgir para mapear certas áreas, como a própria Amazônia, onde seria necessário obter autorização do governo local para sobrevoar a região.

Além disso, em determinados pontos do planeta as mudanças já estão ocorrendo em ritmo tão acelerado que é possível que paisagems se alterem drasticamente enquanto os dados ainda estão sendo coletados.

 

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