Ir direto ao conteúdo

O perfil de Instagram que reúne selos antigos brasileiros

Acervo mantido por designer tem imagens de edições comemorativas que incluem ilustrações da fauna, personalidades e temas esportivos

    Temas
     

    Com ilustrações da fauna e da flora, figuras históricas, manifestações culturais, temas esportivos e outros, selos postais brasileiros de diferentes épocas podem ser vistos em um perfil do Instagram chamado “brazilian stamps” (selos brasileiros, em inglês).

    Ativo desde 2016 e mantido pelo designer Herbert Freitas, o acervo digital contém atualmente cerca de 150 selos. O mais antigo postado até hoje data de 1932, e trata do quarto centenário da colonização do Brasil.

    Ao Nexo, Freitas relatou colecionar selos desde criança. Seu foco são selos brasileiros comemorativos lançados até 2000. “Acho que minha primeira relação com o design foi a partir dessa minha coleção de selos.  Eu achava bonito uma ilustração, uma paleta de cores. Mais do que o tema específico, eu tinha uma relação estética muito forte com esses elementos”, diz.

     
     

    O Brasil foi o segundo país do mundo a emitir selos de circulação nacional, com a série Olho de Boi, de 1843. São hoje selos raros – um lote com três deles já foi arrematado por US$ 1,9 milhão em um leilão internacional em 2008.

    O primeiro selo postal da história havia surgido poucos anos antes, em 1840, na Inglaterra. Chamado de Penny Black, é estampado por uma imagem de perfil da Rainha Vitória (1819-1901). Foi introduzido depois de uma reorganização no serviço postal do país. Até então, o pagamento pela prestação do serviço era feito por quem recebia a correspondência.

     

    Pelos exemplares publicados no perfil, é possível notar que nem todos trazem os nomes de seus autores. Herbert Freitas explica que designers passaram a ser identificados nos selos brasileiros somente a partir do início da década de 1970. Ele destaca a produção de Martha Poppe e Gian Calvi, que assinam diversos selos das décadas de 1970 e 1980.

    Como funciona hoje a produção de selos no Brasil

    Os temas abordados pelos selos a cada ano são definidos por um colegiado na Comissão Filatélica Nacional, submetido ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A programação de 2020 já foi definida e divulgada em junho de 2019.

    Em geral, há dois tipos de selos: regulares e comemorativos. Em entrevista ao portal G1 em 2017, a gerente de filatelia dos Correios Viviane Gomes Luz explicou que os comemorativos são mais voltados ao colecionismo. Em 2020 serão homenageados, por exemplo, os 150 anos do gênero musical chorinho e o centenário do nascimento da escritora Clarice Lispector.

     

    Os selos são encomendados pelos Correios à Casa da Moeda, que é  responsável pela impressão. A instituição recebe a pauta anual de selos e pedidos mensais dos Correios para a fabricação das peças.

    16 milhões

    foi o valor aproximado de selos produzidos pelo Brasil em 2016, segundo a Casa da Moeda

    “O selo é um meio circulante e oficial do país, e portanto utiliza de temas geralmente vinculados ao governo em questão”, diz Herbert Freitas ao Nexo. Até a década de 1980, segundo ele, os temas dos selos brasileiros eram principalmente um veículo de propaganda, celebrando datas comemorativas ou a visita de personalidades estrangeiras.

    O design dos selos brasileiros também foi mudando de acordo com a evolução das técnicas de impressão e com os movimentos estéticos ocorridos no país.

     

    Para Viviane Gomes Luz, gerente de filatelia dos Correios, “os selos expressam a cultura, a história e os aspectos relevantes de um país, de uma nação”, disse ao G1.

    Enxergando o selo como uma pequena tela, Freitas se interessa em observar de que maneira elementos do design – como cor, ilustração e grid – são usados em um espaço tão diminuto. Segundo ele, o selo acompanha a “evolução da técnica gráfica e do design e, ao mesmo tempo, acaba sendo um tradutor visual do momento histórico do Brasil”.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: